quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Nostalgia ultima – Loucura




Como eu queria colocar aqui o discurso de Domenico. Sim, o louco. O homem considerado perturbado da cabeça se torna um dos mais sábios do filme. Não porque ele prova suas idéias nem por deixar muitos discípulos seguindo suas ideologias e suas loucuras, mas sim por não ter medo de se entregar à loucura.
O discurso é feito em cima de uma estatua de cavalo de mais ou menos quatro metros de altura em meio a uma praça. As pessoas paradas, como zumbis, olham o doido ditando como Hitler suas idéias, mas elas não estão lá, suas mentes estão, suas idéias estão. Suas idéias permanecem lá, ouvindo sem se mover, sem nada a fazer. Algumas nas escadarias, outras perto do cavalo imponente de onde é ouvida a voz do ditador. E outros caminham, muito poucos caminham sem ouvir. O resto esta a ouvi-lo mas não esta.
Entusiasmo, emoção em cada verdade gritada para todo o mundo. Ao fim da pregação, “falta a musica!”, outra mente grita aos pés do cavalo; “tragam a musica, rápido, rápido...”. Uma lata de gasolina é entregue com um pouco de sacrifício por uma escada pelo outro louco que pedira a musica entusiasmado. Domenico, pega seu isqueiro e tenta acendê-lo mas não consegue; “falta musica!” grita ele. “Rápido, rápido... ajudem, musica. Ajudem na musica”. Estralares de dedos, cada um com seus isqueiros que não estão com eles, ajudam na melodia nua. Enquanto a mente perturbada fica a pular em festa aos pés do cavalo, o louco ditador joga o liquido inflamado em seu corpo e consuma a melodia com seu instrumento.
Um corpo em chamas, uma idéia em chamas, uma verdade em chamas se rebate pouco tempo e cai de seu púlpito sumindo dos olhares do espectador. Porem o louco perturbado continua eufórico, se debatendo a rir, como se pegasse fogo também. Como um epiléptico ele rola, debate-se sem nunca parar de gargalhar e gritar, provavelmente representando o que acontece do outro lado do cavalo, o que acontece com Domenico e sua idéia. De repente, o desvairado dá seu ultimo suspiro, grita, contorce-se e perfidamente falece com a língua para fora. Morreu também Domenico! Não. Sai correndo em desespero de trás do estatua do cavalo como uma chama viva. Da alguns passos, prostra-se e se entrega à eternidade.
A idéia permanece mesmo quando a mente perturbada que tenta segui-la e imitá-la não agüenta mais. A idéia rebate-se mesmo quando as outras mentes continuam mortas, assistindo-a sem nada fazer. A idéia permanece, mesmo que grudada à loucura, ela continua. A idéia permanece. Ate quando a loucura que a sustenta não agüenta e falece, ela permanece como uma chama violenta que deixa suas faíscas e inflama o primeiro que a tocar.
Entregue-se a idéia absurda aos seus olhos ou continue como morto a assistir o espetáculo de mais um lunático, tentando despertá-lo de um sonho, uma ilusão, uma loucura.


Obs: Queria muito dizer sobre as muitas outras visões que o filme passa como a liberdade, amor, sensação, morte, realidade, etc, porem deixarei para depois, para um momento mais oportuno.

PS: “A sabedoria dos homens é loucura para Deus.”

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