quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Inspiração...


Fui compor uma canção
Só que o dia não deixou
Estava chovendo sem o sol
E meu coração não se inspirou.

Peguei meu violão para guardar,
No teto tinha uma gotera.
E foi desse jeito que escrevi
A melhor canção da vida inteira.

Olhar pra fora é inútil
Aprendo com tudo aqui dentro.
Se não consegues aprender
Tu não vives, eu lamento.

Grandes homens...


Pobre dos homens,
No calor, clamam desesperados por chuva
E quando a tal vem, eles são os primeiros a fechar
As janelas.
Louca sabedoria.
Reclamam da dor no mundo e as vezes
Sentem ate pena dos que morrem em catástrofes
Mas se batem em suas portas pedindo um bocado
Trancam a sete chaves seus corações.
E o pior de tudo é que julgam todos errados
Mas se interrogados, contradizem-se
Mais do que uma pista de mão dupla
Em via de cinco faixas.
Pobres.
Sábia loucura me deixa confuso.
Se estão em um ponto preferem um outro
E se não se acham, falam que é o mundo
Que é um perturbado e um tanto confuso.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Felicidade é...



Trancar a porta da casa com janelas e tudo
Depois de um aviso de guerra nuclear.
Levar tudo que mais ama pra dentro
E dizer que a paz é estar dentro do lar.

Chutar o pau da barraca de verdura
Abrir um quiosque de doce de mamão
Dizer que fez um bom negocio
E comer o resto não vendido com a mão.

Felicidade é isso ai, fingir ter o que não tem.
Abraçar a esperança com amor,
Buscar sobreviver apesar de tudo
E não mostrar o segredo pra ninguém.

Intervalo Johniano, opa...

Feliz é quem não tem a mínima idéia do que é ser feliz.


Não quero ser velho. Os velhos usam barbas e falam sobre quando novos.

A pessoa que inventou a matemática ouviu a seguinte frase antes: Pronto! Não tem mais nada pra fazer.

Amigos são muitos. Poucos são aqueles que pertencem a você.


Quando tudo estiver ruim, pense: Podia estar melhor!

Uma pessoa criativa é quem vê o mundo por trás de seus próprios olhos e inventa outro, já que não pode sair para viver.

Há dois momentos; o agora e o agora. Os outros foram inventados para substituir as coisas que perdemos.

Deus existe. O que não existe é você.

A melhor pessoa para se amar é aquela que você pensou que nunca iria amar.

O poeta sofre com duas leis: a da gravidade que insiste em querer manter seus pés no chão sem êxito e a da ação e reação que o faz sofrer sem causa alguma.

Queria escrever um livro. Só que não tenho dinheiro para os atores e não agüento trabalhar com pessoas.

Todos dão ouvidos aos grandes gênios da nossa historia, mas ninguém ouve a mãe quando ela diz que fulano não presta.

Tua dor é Dor.
A Dor do vizinho é situação
A Dor do mundo é resultado
E todo mundo pensa que sofre junto.

Peço a Deus perdão.
Porque pequei?!
Não!
Porque vivi sem muita emoção.

Há três verdades; Pai, Filho e Espírito Santo. O resto é verdade.

Quando eu ver a Verdade vou dar-lhe uma bela de uma surra. Passou pelo mundo todo deixando pedaços de suas tralhas largadas por ai.


Só existe uma realidade, o resto é historia daquele velho da esquina.

Todo mundo tem um amigo
Que nunca pensou em ser amigo
E quando menos imaginou
Tinha um S no final.

O velho e o fumo...

Mascava o fumo bem tranqüilo
Olhando a rua lá no fim
Sem camisa e já velho
Ele já não era tanto assim

Deu uma cuspida de fumo no chão.
Tantas coisas já veio saber.
O que será que olha o velho?
Acho que tudo que não podemos ver.

Telefonema...

Meu telefone tocou
Será que é ela?
Acho que não devo atender
O que vou dizer?
Não! espere.
E se ela quiser namorar?
Aposto que quer
Ou não quer?
Não. Não quer, sou estranho.
Disse umas coisas românticas
Mas não eram tanto assim.
Deve estar ligando
Para dizer que não vai dar
Pena.
Amava tanto ela.
Não.
Não vou atender.
Não vou agüentar esse fim solitário
Da próxima vez serei menos eu
Assim estará mais garantido
Sim. É o fim da minha busca.
Deixe tocar!
Ela não me quer
Sou muito pouco. Adeus.
A porta fecha.
Secretaria eletrônica:
Alo, esta ai?
Aloo! Tem alguém ai?
Liguei só para dizer que
Tudo que me disse antes
Foi ridículo.
Me senti oprimida
Com tanto amor que me mostrou.
Por isso acho que não.
Não vai dar para viver
Sem esse seu enorme amor
Dentro do meu coração.
Desculpe.
Tu. Tu. Tu. Tu. Tu. Tu...

Como conquistar...



Talvez se eu for meio alegre
E triste com esse amor, ela me note
E me deu um beijo no fim.
Ou posso tentar ignorá-la
Assim serei seu jogo de superação.
E quando ela achar que esta me amando
Na verdade estará satisfazendo seu proprio coração.
Na verdade não a quero.
Só quero ter o prazer do teu olhar
Que assim me sentirei amado
E satisfarei o meu amor com um suposto amar.

Epifania...



Me desculpem mas não consigo ser feliz como vocês.
Prefiro viver infeliz vendo toda a dor minha e dos outros
Do que me iludir com alegrias egoístas
Que me acomodam a continuar pensando em flores e amores.
Talvez assim também sou feliz
Sendo infeliz inteiramente ciente disso.
Pena. Busquei a felicidade, cai na infelicidade
E descobri que só olho pro meu próprio nariz.
O triste é que me torno louco e achavascado com esse meu ser
Mas enquanto sou besta e idiota aos seus olhos
Seus olhos são pérfidos, retardados e ridículos
Aos meus que tentam de outro modo viver.
A vida é extremista, é boa e ruim. Nela contem os dois lados
A única diferença minha pra você
É que enquanto tu vives a rir de olhos fechados em cima de tua alegria
Eu choro e gargalho em cima de minha bela e triste epifania.

Seu José...

Seu José era cabra bom,
Pena que aconteceu aquele incidente.

Seu José tinha uma mulher,
Se chamava dona Maria.
Dona Maria morreu de velha
E seu José ficou só
Só com seu amigo de antiga.
Seu José tinha duas filhas.
Uma moça bela outra gente fina.
A moça bela num belo dia
Conheceu a ponta da faca de seu marido,
Na verdade vinte nove pontas de faca.
Seu José vendo o corpo da moça bela
Perguntou “quem?”.
“O marido dela seu José”.
“Obrigado”.

Três dias depois é encontrado o corpo,
O corpo peneirado do marido da filha de seu José.

Seu Jose era cabra bom.
Pena que seu amigo não.
O marido da filha bela de seu José era primo
Distante, quase sobrinho do antigo amigo
Que ficou quando dona Maria foi.
O antigo amigo de seu José, fez um filho
Na moça gente fina, partiu-lhe o coração
E sumiu no braquiarão.
Seu José perguntou;
“Quem minha filha?”
“Seu antigo amigo meu pai!”
“Obrigado. Vou sair”
Depois disso passou meses
E seu Jose nunca voltou.

Seu Jose era cabra bom.
Pena que o marido de sua filha
A vida dela tirou. Se não fosse isso
Seu José não mataria o enteado que
Conhecia o amigo que todo dia
Se juntava a ele e sua agonia.
E talvez assim nunca iria
Varar o mato seco atrás dum cabra safado
Que pra se fazer de vingado
Um filho na moça fina colocou.

Seu José era cabra bom.
Exemplo de vida e amor.
Criou sozinho a mulher as filhas
E a própria vida com temor.
A mulher partiu alegre, a Deus foi conhecer.
A filha bela deve ter chorado
E a seu Jose fez mui sofrer.

Reza a lenda que seu José
Ainda vive a viver.
Mata cabra bandido,
É só na frente aparecer.

Conheço uma bastarda
Que anda por ai.
“Vou atrás do meu avo,
Que encontro qualquer dia.
Tenho sangue de Jose,
Meu nome é Jose Maria.”

Seu Jose é cabra bom...
O seu sangue que é ruim.

Intervalo...


Como é bom ser criança
Infantil e inocente
Passa a vida sem saber
Que quando cresce é diferente.

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Eu tinha um hamster,
Se chamava Jericó.
Jericó não era eu
E nem eu era Jericó.

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Sistema de pensamentos;
Vou lavar a louça,
Louça,
Louca,
Louca, pouca,
Touca, tocava.
Touca, loja compra,
Louça, agente lava.

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-Toc toc!
-Quem é?
-Se quisesse falar gritava “sou eu!”.

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-Alo, fulano esta?
-Sim, é ele!
-Desculpa, foi engano!

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Pobre dos homens que não tem fé.
Na vida tão fortes, se julgam ateus,
Mas no leito de dor só lembram de Deus.

Algo no Nada...


Eu não tenho nada.
O nada que me faz algo
Se não tenho nada tenho logo
Algo.
Pena que tenho algo
Queria ter nada para não ter algo
Pois o algo pode ser nada
E ter nada é ter algo.
Então eu tenho algo
Esse algo que é nada
Que ilude meu vazio
Fingindo ser algo
E preenche todo espaço
Do nada com algo, enquanto
Poderia ter algo no nada
Que seria tudo e não pranto
Do meu algo iludido
Que insiste em fingir ser
Algo no nada
No meu tudo perdido.

Triade do meu amor...




Ouvi uma canção,
Tinha apenas umas três notas.
Era no compasso do meu coração,
Era a Tríade que só tu tocas.

Um dia ouvi um metal
Era trash casual.
Parecia com seu amor,
Bem pesado e anormal

Pode vir samba, pagode,
Ieieie, bolero e mpb,
Ninguém quebra o dedilhado
Do que você sabe fazer.

Seu beijo tem som de clássica
Seu olhar é meio pop
Seu gingado é erudito
Em batida de hip hop.

Sua graça é de forró,
Quase rasta-pé emaranhado.
Os dois assim bem juntinhos
Dão um tango bem dançado.

Em toda tua nona sinfonia
Há duas coisas que gosto mais;
Do teu blues bem carinhoso
E do teu jazz que me atrai.

Garotinho sonhador...


O garotinho recortava o papel
O papel era o garotinho
Nele era recortado todo o céu
Nele iam os sonhos de menino.

Meio torta a tesoura ia
Mais rasgava que partia
Não sabia o garotinho
Que falta a folha faria

Depois de tudo bem picado
Uma olhada ele deu
Viu que seu sonho bem rasgado
Ainda não desapareceu.

Fez uma fogueirinha
E torrou o picadinho.
Na fumaça o garotinho,
No fogo o sonho morria.

Eu sou Ninguem...


Eu sou Ninguém
Nasci numa cidade chamada Ninguém
Pais de descendência Ningueniana.
Brincava de esconde esconde,
Nunca me acharam,
Pois sou ninguém.

Chorei por ser ninguém
Ri por ser ninguém
Estou aqui só em minha casa.
Fui abandonado por minha mãe
Ela não queria ninguém.
Fui largado pela vida,
A vida quer os Zés,
Não os Ninguens.

Ninguém.

A muito tempo me apaixonei
Por Alguém. Disse que me amava
E disse que “pra ti escreverei”.

Estou esperando noticias de alguém.
Estou esperando em lugar nenhum
Que me entreguem
Minhas cartas,
As cartas a Ninguém.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Hoje ta pior...


Antigamente era ruim
Hoje esta bem pior.

Antigamente abafavam pensadores
Hoje não existe mais o ‘pensa’
E todos se contentam com as ‘dores’.
Antigamente era Luta, ideal.
Hoje Ideal é detergente
E luta é egoísta, pessoal.
Antigamente tinha inovação.
Hoje é tarde de domingo
É Domingão do Faustão.
Antigamente havia honra
Hoje é “questão de mulher”
De homem, a meta virou zona.
Antigamente é como Hoje.
Sonha-se tanto com antes
Que esquecem de viver os agoras,
As vidas, os presentes.

Mito de Tofí...

Filosofia. Um dia desses estava num papo, esses assim que saem de outro papo que veio de outro e por assim vai. E cheguei à conclusão, junto com meu companheiro de devaneio, que filosofia não existe mais. Sim, isso mesmo que você leu. Calma, ainda não questione, primeiro me ouça. Lembra-se de Aristóteles, sim, aquele barbudo abusado que vivia há pouco tempo atrás? Calma, esqueça-o. Não quero falar dele. Vou te dar um exemplo melhor. Digamos que existe um monstro, e esse monstro tem o nome de ToFí , que aqui quer dizer ‘toda filosofia’, o nome é de criação minha, sem muita etimologia complicada. Tofí é um monstro confuso que em um belo dia se perguntou porque não podia voar. Daí Tofí, começou a pular e pular, dava saltos longos, mas não voava. Tofí sentou-se numa pedra, razão, e começou a questionar suas próprias pernas, dizendo que elas eram muito fracas para pegar impulso para começar a voar, só que após a bunda de Tofí começar a doer um pouco, ele se ajeitou na pedra e viu que o problema não estava em suas pernas e culpou o chão, sim, o chão. Dizia que o chão tinha uma paixão enorme por ele, e que o chão o amava tanto que o prendeu bem pertinho dele o privando de voar. Tofí se mecheu mais um pouquinho na pedra e começou a pensar em uma maneira de passar a perna no chão. Começou então à riscar, ali mesmo, na areia, idéias e teses de como deixar o chão. O que Tofí não sabia era que tudo que ele escrevia, o chão aprendia também e algumas coisas o chão já sabia e ate o corrigia. Tofí começou a fazer formulas, de tantas formulas viu que o chão tinha uma ligação com o céu, e começando a estudar o céu, viu que ele se ligava ao vento, e o vento por sua vez se ligava às belas formas das rochas, e as rochas às pedras, e as pedras à areia, e a areia as plantas, e as plantas aos seres vivos, e os seres vivos ao mar, e no mar viu que os seres voavam. Tofí levantou depois de ter deixado a pedra já lisa, praticamente escorregadia e gasta, saltou e gritou para o chão, “já sei como voar, não dependerei mais de você”. Começou então a formular idéias de como chegar ao mar, só que não sentou na pedra para escrever no chão, ele temia que o chão descobrisse suas idéias e o detivesse, ficou em pé mesmo, sem escrever nem falar, só com os pensamentos em sua cabeça, pena, antes tivesse gasto todo o resto da pedra, talvez assim não correria desesperado para o rumo do mar achando que poderia voar e deixando um resto de escrita mau terminada que um dia seria vista por seus sucessores e que ao invés de sentar na pedra para analisar, sentaram ali mesmo no chão, ao lado de idéias mau acabadas, aceitando tudo como se fosse realmente tudo. Novamente a palavra pena, antes tivessem eles sentado na pedra, assim não achariam que tudo se resumisse naquilo. Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com filosofia? Bem, não sei. Provavelmente rele-lo com mais atenção vai te fazer pensar em uma explicação racional para cada acontecimento acima citado, te tornando um filosofo. Se você não fizer isso, eu estava certo. E também, para completar o blá blá blá, toda a verdade de hoje pode ter sido uma mentira não entendida, depois analisada, e tida como verdade, e talvez a mentira que hoje conhecemos pode ter sido uma verdade mal compreendida. Assim, é melhor constatar que os sucessores de Tofí apenas sentaram no lugar errado. Merda, temo que um desses sucessores seja meu cunhado, não pela filosofia, mas por ter sentando no lugar errado.

Róuvos...


Onde era? – perguntou-me o garotinho em uma conversa no banco da rua – aposto que nunca foi lá. É um lugar impressionante, sem igual. Os rios, que ficam um pouco distante de nossa visão, porem alcançáveis. Parecem mais com Rubis verdes, sim Rubis. Milhares e milhares deles boiando e correndo sem direção. Não se sabe de onde vem nem pra onde vão os rios que correm lá. E também, é impossível acompanhá-los, você só pode vê-lo sumir no horizonte, tentando imaginar pra onde vão, mas não me importa, o próprio lugar por onde esse rio passa já é impressionante. O céu, não é azul, isso, de onde eu estava, não havia céu, somente as estrelas e outras galáxias, ou melhor dizendo, não há barreiras como nuvens ou o azulado de um dia ensolarado atrapalhando a visão da imensidão sem fim, mas o dia é claro como qualquer outro aqui, ou ate melhor. Lindo! Ouvi dizer que após o rio, é possível alcançar outros mundos, mas sabe como é, muita especulação. O que mais me fascina é o solo, não ri, falo serio. O solo é diferente de qualquer coisa que já vi, é difícil ate de falar. Ele se alimenta das arvores. Todo o seu sustento vem das folhas, troncos, caules, ervas, gramas, e que grama, dourada e brilhante, um sistema que parece loucura aqui, praticamente impossível de se imaginar. Pensei em pegar um pouco para mostrar aos outros, mas não deixaram. Perguntou quem – Isso é uma boa pergunta. Nunca os vi direito mas me pareciam que estavam transitando pra lá e pra cá, causando ate um certo achaque no começo, mas logo me acostumei. Acho ate que falei com um. Ou não falei? Á, deixe voar. Continuando, eles são magníficos. Sabem como cuidar da grama dourada, dos rubis, das espécies de vegetação e todos os outros tipos de coisas que há naquele lugar cujo te falarei depois. Impressionante... não, espere, Magnífico... sim, magnífico! Ótimo lugar para conviver a não ser pelas Róuvos. Não precisa perguntar, sei que não faz idéia do que são. Eu também não sabia, mas um deles, daqueles que caminham o tempo todo mas não da pra vê, me ajudou. Acho que foi ai que falei com eles, sabia que tinha falado! Acho que aqui Róuvos poderiam ser chamadas de tempestades, mas não uma qualquer. Imagine furacões fortes junto com chuvas de pedra e um assovio do vento ensurdecedor, imaginou? Róuvos são piores. Quando chegam, conseguem esconder a imensidão alem das estrelas. As arvores balançam com uma fúria humana, procurando ao seu redor alguém para agredir, suas folhas não voam como aqui, se pregam mais forte ainda aos galhos, parecendo ate gostar do gosto do ódio. Pena, perguntei de onde viam as Róuvos, eles me responderam que eles saem do começo do rio e vão para alem dele. O que muito me impressionou naquele tempo que estive lá, pois como sabem que os Róuvos vão para alem do rio se nunca o acompanharam? O intrigante do momento, enquanto os Róuvos demonstravam sua força ali com seus ventos, assovios, trovoes e águas fortes que não faço idéia da onde saiam, é que enquanto observava seu furor, olhava o bailar das arvores ou o chacoalhar daquele rio de Rubis, foi crescendo em min um desejo, perdoe-me ate, mas era um desejo assassino, eu queria ajudar os Róuvos. Me pareciam fazer mais que o certo, me pareciam extremamente no direito de acabar com todo aquele amor que aspirava naquele lugar. Olhava fascinado para os trovoes. Os clarões ofuscavam os meus olhos. O vento sacudia meu cabelo quase arrancando-o fora. Era estupendo ver toda aquela devastação. Perdido nesse espetáculo, os Róuvos conseguiram tirar do meu interior um egoísmo, uma fúria, uma dor insaciável pela miséria que não consegui segurar um brado estridente. Gritava sem ser ouvido. Sentia agora os Róuvos dentro de min. Meus braços se esticavam e pude quase tocar os Róuvos na ponta dos meus dedos, meu coração estava sendo arrebatado enquanto fechava meus olhos em meio à devastação. A liberdade era evidente. De repente, tudo pára, o rio continua a correr pro alem, as estrelas já podiam ser vistas novamente, as árvores, gramas e ate os que caminhavam já podiam ser sentidos ao meu redor. Senti-me humilhado. Uma humilhação curiosa, pois não fui repreendido, não me viam, penso eu, não me calaram mas mesmo assim me senti humilhado. Não sei ainda o porquê mas me parece que era coisa que Róuvos faziam com todos os forasteiros daquela terra, forasteiros esses que nunca vi mas que me pareciam ter passado por lá. Liberdade... humilhação. Nada de filosófico, simples apenas, liberdade... humilhação.
O que aconteceu depois? – Calma meu garoto, você vai saber. Depois do acontecido, dei uma volta por aquele paraíso e sentei a beira do rio, olhando a maravilhosa cor e o esplendoroso perfume da água, sim, um perfume mais atraente que mirra. Pensei, acho que horas, sobre tudo ali, mas então, fui interrompido por uma imagem ruiva e brilhante que ponteava no horizonte do rio. Haa... se há algo que me lembro bem, é daquele momento. Não podia á ver direito, mas sua beleza era tamanha que se fazia sentir de longe. Lembro-me dos ruivos cabelos que me pareciam lisos e cacheados, e se não me engano, o que duvido muito, quando aquele fragmento de estrela virou-se para correr junto com o rio pro alem, deu pra ver um brilho mel em seus olhos, mel claro e estrelado. Você é novo, mas quando crescer saberá, quando a paixão bate, as pontas dos dedos gelam. E o intrigante é que gelam enquanto o corpo todo se esquenta e o mais estranho ainda é que onde eu estava, lá na beira do rio, meus dedos gelaram tanto que quando dei-me por min tive que chacoalhá-los pois nevava da palma da minha mão. Antes que pergunte, sim, acabara de me apaixonar. Levantei num pulo já com a idéia fixa de que correria ate ela. De súbito não senti mais eles andando ao meu redor, pareciam agora me observar, talvez não acreditando que me atreveria a tanto. Era estranho, pois mesmo não os vendo, podia sentir suas feições, seus gestos, sentimentos e parecia que não queriam me deixar ir. Observei por um tempo o nada ao meu redor, despedi-me dos nadas ao meu redor. Agradeci e fui ao horizonte, junto com os rubis.
Não sei o que aconteceu. Quando vi já estava aqui, neste mundo. Não encontrei a bela moça ruiva, não vi o fim do rio nem pra onde os Róuvos iam, nem ao menos sei de onde vim e pra onde vou. Sei que estou aqui, ao lado de um garoto, contando uma historia que provavelmente ira morrer comigo como uma lenda ou mito. Nem adianta tentar consolar-me meu pequeno. Neste mundo onde nos encontramos o que conta é a realidade, um conto como esse seria só mais um em milhares de outros. Sinceramente, as vezes penso que os Róuvos estão aqui também, só que mais camuflados do que naquele lugar. Talvez quando andei, cheguei aonde os Róuvos chegam. Penso eu que esse nosso mundo tão “real” é composto por criaturinhas levadas e manipuladas por Róuvos, que a despertaram daquele paraíso, e as trouxeram para cá, para o mundo dos Róuvos. Mundo das calamidades, do ódio, da dor e da falsa liberdade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Morava um Coelhinho no buraco do chao...


Morava um Coelhinho no buraco do chão. O coelhinho morava no buraco. O pequeno coelhinho não gostava de sair pois tinha medo dos tamanduás que riam e riam de seus dentes que não eram de tamanduás. O coelhinho não saia porque tinha medo dos leões que riam e riam de sua pele branquinha tão diferente da deles marronzinha. O coelhinho tinha medo de sair pois o vento que voava, assobiava sem ser visto e o coelhinho achava que o vento também dele caçoava. O coelhinho morava no buraco do chão. Depois de muito tempo no seu buraco, o coelhinho armou um plano; rolou na lama e assim como os leões ficou marronzinho, marronzinho. Aprendeu a assobiar e a mexer com o mundo sem ser visto, assim como o vento que chacoalhava, chacoalhava as folhas, arvores e tudo. De tudo ele deu um jeito, porem os tamanduás ainda riam dele, então pensou; “focinho de tamanduá eu quero ter”. Amarrou um galho grande em sua boca e de seus dentes os tamanduás não riam mais. Todos respeitavam o coelhinho pois ele tinha a pele de leões, o focinho de tamanduá e a força e ousadia do vento. O coelhinho era feliz. Tinha tudo que os outros queriam, mas o que queria o coelhinho? Os predadores não tentavam mais pegar o coelhinho por causa de sua pele marronzinha que não era de coelhinho, então o coelhinho viu que podia se proteger dos animais se continuasse com sua pele marronzinha. Sempre que o coelhinho achava que alguém iria tocar em sua pele, ele rosnava como o vento e balançava seu focinho de tamanduá para ninguém a pele marronzinha poder tirar. Todos gostavam do coelhinho do buraco. Ele era forte como um leão, poderoso como o vento e sabia lutar com seu focinho de tamanduá. Todos gostavam do coelhinho, porque de todos ele tinha um pouco. Mas quem era o coelhinho? Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais a sua toca, aquela que a protegia dos predadores. Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais seus dentes, aqueles que roíam os alimentos para não o deixá-lo morrer. Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais a sua pele, aquela que sempre o protegeu do frio e que era veluda e aconchegante. Um belo dia o coelhinho que morava na toca, achou outros coelhinhos que moravam no tronco de uma arvore. Os coelhinhos que moravam no tronco de uma arvore eram peludos com uma pele branquinha, sabiam correr e assustar os predadores como todos os coelhinhos do tronco fazem. O coelhinho que morava no buraco do chão ficou maravilhado; “que pelo lindo esses coelhinhos tem, que agilidade magnífica esses coelhinhos tem, parecem ate o vento. Que dentes fortes e potentes esses coelhinhos tem. Como são lindos esses coelhinhos. Quantos talentos esses coelhinhos tem. Que pena, queria ser um coelhinho”. O coelhinho da toca ficou alguns dias com os coelhinhos do tronco e aprendeu varias coisas, porem, sempre que os coelhinhos do tronco tentavam ajudá-lo com seu focinho forte, e com seu pelo marronzinho de leão, o coelhinho se fechava e dizia; “vocês não sabem o que é ser coelhinho. Um coelhinho sofre com seus dentes, sofre com seu pelo frágil, sofre com sua falta de força”. O coelhinho do buraco foi embora. Durante sua vida, o coelhinho sempre se defendia com seu focinho de tamanduá, com sua pele de leão e sua força de vento. Em meio à caminhada para seu buraco no chão, achou um coelhinho branquinho, dentuço e fraquinho. O coelhinho ficou com medo mas o coelhinho do buraco disse que não precisava ter medo. O coelhinho do buraco ensinou o coelhinho a ser coelhinho. Ensinou para que funcionava sua pele branquinha e frágil, seus dentes grandes e poderosos e porque ele era tão pequeno e impotente. O coelhinho ficou mais forte e agradeceu ao coelhinho do buraco e perguntou; “quem é você, para sempre poder te agradecer?”. O coelhinho pensou, pensou, pensou, pensou e nada respondeu. Virou-se e voltou para seu buraco. “Que bicho sou eu?”. O coelhinho que morava no buraco ficou triste. Não sabia se era leão, vento, tamanduá, coelhinho ou sei lá. O coelhinho do buraco voltou para seu buraco.
Morava um bicho no buraco do chão. O bicho morava no buraco. Um dia tentaram amar o bicho que morava no buraco do chão, mas o bicho não deixou ser amado, pois só os coelhinhos podiam ser amados, e ele não sabia se era coelhinho. O bicho não sabia que bicho era e tinha medo de machucar os coelhinhos, leões, tamanduás e ate o vento. Não sabia ele que todos amavam o bicho que morava no buraco do chão.
Morava um bicho no buraco do chão. Havia um coelhinho no bicho que morava no buraco do chão.
Havia um coelhinho em algum lugar. No tronco da arvore, na caminhada da vida ou ate em um buraco no chão. Há um coelhinho.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vida...


Finalmente voltei ao fim do começo de tudo.
Aprendi que passeei por todo o mundo
Chamado Vida
Para descobrir que o tudo não tinha fundo

Eu vejo.

Flores de inverno deviam durar mais
O frio preserva, congela. Podiam ficar brancas também
Assim queimaria uma arvore pra pintar a paisagem
Com o carvão e ver se poderia eu, reinventar os animais.

A vontade.

O céu é azul por causa do mar que reflete a sua cor
Ontem olhei para o alto e vi um pedaço do céu verde como alguns pontos do oceano
Ficou escuro e fui dormir. Os peixes continuaram a voar mesmo sem mim.
Solipsista que sou, fiquei só enfim.

Da loucura.

O vento enamora as folhas. Quando brigam o vento não sopra e as folhas não balançam
O meu quintal se escurece quando o mar é poluído. Posso ver os
Vultos meio embaçados que vem regar o desespero. Pensam
Que não os vejo, mas eu vejo. Nunca ninguém viu, só eu e meu Eu.

Tomar.

Porque a mosca ainda voa? Que tola, não sabe ela que um dia é curto?!
Deve voar por causa disso; para enrolar tempo já que um dia é tudo.
Inevitável. Moro com moscas. Moscas. Moscas. Moscas.
Moscas. Moscas. Parem de voar! O tudo é pouco e o fim diz tudo!

Conta.

Eu tenho um segredo; ontem vi o fim de tudo!
Porque os sapos berram? Era já conhecido.
Ela anda ate min, quem é você? Moscas. Moscas. Moscas...
No começo je peux ir ao lac. Eu tenho duas asas!

De mim!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cego Voluntariamente


Ó angustia, fique comigo!
Ao teu lado reconheço
O valor das coisas
E tudo fica mais bonito.
Ó tristeza do meu peito
Como poderei te agradecer
Por mostrar o valor da dor do amor
Que insisto em querer ter?

Ó vida miserável!

Como posso ser tão vago assim?
Como pode sentimentos tão estúpidos,
Mostrar que sempre me iludo
E vivo a correr de
Mim!?

Conversa Fiada


Quem vai ouvir o homem da lanterna
Que grita em vão no escuro
Tentando acordar os que dormem?
Quem dará trela para o louco da caverna?
Acha que conheceu o mundo todo
Mas acabou morto por sua idéia.

Ninguém.

Ninguém crê na odisséia.
Não há ninguém capaz de ver a verdade
Todos movidos por vontades
Vontades insaciáveis de Mais Mais...

Crepúsculos desvairados.
Acreditam que podem reinar
Na noite também.

Alegra-te então
Na tua rosa muxa!
Brinca na ilusão
De secar o mar com uma bucha!
Não há super-homens nessa ladainha.
O fim que um a cem anos teve
Tu terás também.
Aproveite entao,
Aproveite tua ilusão!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Amor é Masoquista

O amor é masoquista
Insiste em querer sofrer
Busca sempre seu oposto
E de mais nada quer saber.

Se contenta com a dor
Como se fosse natural.
Na verdade é bem normal
Em quem já tem tão grande amor.

Se tu já passa os sintomas
Procure logo se curar,
Pois no coração de quem ama
É tudo dor, é tudo amar.