quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pior Amor do Mundo... - Charles Sophie

  Eu, bela e formosa como sou, encontrei um mago que prometia com suas magias trazer-me todo amor que preciso. Perguntei ao pequeno homem com bigode fino e ralos cabelos na cabeça quem seria o melhor Amor pra mim. "Pra ti minha pequena dama, tenho O Pior Amor do Mundo". Ora, não de se espantar relutei contra sua resposta tao absurda. Quem no universo gostaria do pior amor do mundo?
  "Dificilmente lhe dará flores - disse ele -, mas quando o fizer sera tao puro quanto as flores a ti entregues. Ira esquecer algumas datas nada perdoáveis, porem quando o lembrar seu coração saltara em festa e gozo de saber que já se foram vários invernos ao seu lado sempre o protegendo do velho mundo frio. Não será tao forte quanto tantos outros nem tao másculo e viril mas muito mais protetor do que mil fortes homens do rei para que nada vos aconteça. Quase não vera seu novo corte de cabelo muito menos seu novo perfume e mesmo assim te fara um cafuné todas as noites dizendo como é maravilhoso ter seu cheiro sempre por perto. Raramente ira ter cafe na cama mas nunca te faltara alimento. E como um bastardo mouco, algumas vezes ira passear em pensamentos e não ira te ouvir, mas tenha paciência, pois n'outras horas tu seras unica nas suas ideias. Cabe a ti minha donzela, quereres ou nao tal Amor."
  Mas o pedi todo amor que preciso!
  "E é este que, horas boas horas ruins, tu sempre ira procurar".

domingo, 29 de abril de 2012

Cair da tarde...

Todos os dias caminho pelas mesmas ruas
Caminho pelas mesmas pessoas
Ando pelas mesmas ideias

Todos os dias vejo os mesmos predios
Comprimento as mesmas mentes
Saudando aa mesmas palavras.

Todos os dias um tostão négo a um garoto na rua
Renego e ignoro o mesmo pedido
E volto a mesma passada

Porque me pedes alma carente
Se todos dias te nego pratas?
Nao aprendes ou é surdo?!

"Todos os dias nao te peço ouro
Nem roupa comida ou ajuda.
Te peço que refassa tua vida
Que mais que eu, é pra la de moribunda"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Róuvos...

De volta ao mundo dos Róuvos não sinto nada de incomum, somente o céu, agora avermelhado. O rio cristalino corre, não com águas mas com pequenos cacos de vidros pontiagudos e bem moídos. Sinto uma ventania forte, meus olhos mal se abrem, meus cabelos se esvoaçam sem direção. Nao consigo me mover para lugar algum pois a ventania me segura com ignorância. De estreito olhar vejo tudo parado. As folhas das arvores não balançam, as nuvens não andam. Nada parece sentir a tempestade. Grito loucamente em meio ao campo para buscar respostas. "Donde vem maldito vento!". Um breve silencio e a resposta: "O mundo não ventas, tu que esta tempestuoso. Bebas do rio da Verdade, engasgue-se com suas águas e engula rasgado tudo que não queres ouvir!".
A ruiva ainda permanece, no monte, ao horizonte. E eu, em meio aos Róuvos.