sexta-feira, 24 de março de 2017

Leoa

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    Uma leoa enjaulada. Presa há anos dentro de tudo que já sofreu.
    Ela conversava com sua voz num to grave doce, chamando atenção de todos que passavam o olhar. Linda, maravilhosa, uma beleza sem igual. Seu corpo sensual valsava em cada passo que dava sempre que levantava. Seus cabelos loiros balançavam num tornado de atração. Seus lábios pouco finos falavam com graça aos homens que desesperadamente a desejavam tentando sutilmente sair de cada pedido de sexo casual e sem amor. Bela, doce.
    Como uma ferida aberta, ainda vermelha e sensível pelo sangue que sente cada leve brisa, ela sentia e ouvia as lamurias de seus ouvintes com todo empatia e compaixão. Sentia, sabia, vivia. Suas dores a levaram por um caminho tenebroso e triste da qual ela entendia bem como cada ser angustiado ao seu redor se sentia. Chorou escondida, travesseiro em lagrimas, chuveiro em prantos, tudo cravou seu coração de um jeito sem igual. Não era apenas bela, era pura, era inocente. Tanto sofrimento a fez apenas estar acostumada com o que a de pior que já não entendia bem mensagens de afeto e afago. Uma leoa selvagem, um ser dominante preso em grades de algodão.
    Eu a observava pasmo com tanta delicadeza. Como pode um ser selvagem não reconhecer sua essência? Lamentava com lagrimas nos olhos seus passos repetidos dentro daquela jaula.
    Uma leoa enjaulada. Presa há anos dentro de tudo que já sofreu.
    Brilhante, ofuscante, uma empatia sem igual. De toda sua beleza a maior era a que saltitava do fogo de seus olhos. Quem dera alguém por breve momento sentir o que aquele coração tem a dizer e a ensinar. Seria um pandemônio de emoções, um mistura de solidão, amor e paixão.
    As grades se abriram pequena leoa, o campo esta aberto. O mundo é completamente seu. Seus lábios macios devem beijar a felicidade que a vida lhe entrega. Tema apenas a prisão.

    Maravilhosa, gostosa, linda, bela, doce e transcendente, não digo isso de teu físico, mas de tua alma. Não oculte seu poder, a cada bela palavra e atenção que tu entregas, paz e felicidade tu derrama em meio a trevas.

terça-feira, 21 de março de 2017

Quando fui no puteiro

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Triste. A única palavra que me vem para descrever. Um globo de luzes vermelho, azul e verde brilhava sobre minha cabeça. Um salão enorme com um palco central e um ferro de pole dance caracterizavam o local. Um pouco mais de setenta homens meio bêbados abraçados com algumas prostitutas. Um som com batidas de funk intercalavam com um sertanejo apaixonado, tudo recoberto por uma luz fraca que trazia ao local um ambiente obscuro para se poder liberar as extravagância da ilusão. Garotas de programa esbanjavam sorrisos livres enquanto abraçavam seus clientes satisfeitos, prevendo suas possíveis gorjetas após uma ou duas horas de sexo. Psicólogas da carne dispostas a receber um determinado valor para ouvirem o que aqueles corpos tinham a dizer. Depois da terceira ou quarta garota que me abordou meu desinteresse em continuar ali já era exacerbado. Não havia nada de bom. Minha incapacidade de conseguir incorporar o personagem ilusório e participar daquela maluquice sexual não me deixava em paz. Não eram as garotas com seus serviços que me incomodavam, afinal eram trabalhadoras e faziam o que entendiam de certo para ganhar seu dinheiro. Meu achaque vinha da aceitação de falsa realidade percebida por aqueles homens.
Por um breve momento as luzes ficaram mais fracas e um strip-tease iniciou. Confesso que foi belo. A dança, a musica, a liberdade. O erotismo era em si apreciável e belo. Ela se despiu expondo as suas partes intimas e naquele momento senti uma leve tranquilidade de receber um pouco de sanidade naquele hospício. Evidente que o sexo era minha pretensão maior, mas minha mente se recusava a aceitar esse devaneio absurdo de fingimentos e máscaras simpáticas. Cada gole da bebida fazia efeito oposto me levando para mais perto da realidade das coisas. Foi ai então que ela se sentou do meu lado. Era linda, ate abrir o sorriso apresentando aquele leve dente torto que a dava um brilho embaçado, porem ainda era linda.
Bia, disse ela. Não era verdadeiro evidentemente. Apresentei-me brevemente, mas o fascínio ridículo e viciante de querer desvendar os indivíduos desfez todas as minhas possibilidades de prazer físico. Em cinco minutos sua vida já era revelada para mim; mãe de dois filhos, endividada, trabalhando a pouco tempo naquele ramo apenas para pagar dividas após o marido morrer baleado a um pouco mais de um ano. Morando em um barraco de fundos na casa de sua mãe em Brasília, ela viajou para longe com a intenção de juntar algumas moedas e depois finalizar sua faculdade de enfermagem que havia parado no terceiro semestre. Um ser completamente desesperado, satisfazendo ilusões apenas para não padecer no universo. O som de November Rain tocava ao fundo e tudo que meu coração queria era ir embora, fugir e descansar.
Desejei boa noite e me levantei agradecendo sua simpatia e pedindo desculpa pelo tempo que a fiz perder. Um sorriso de canto meio forçado, sem muito relevância, mas com um pouco de pesar se expressou em sua face. Não soube ao certo se era pelo negócio perdido, ou pelo único momento que alguém provavelmente a ouviu para saber de seus reais motivos e decisões.

Era um puteiro na beira da estrada. Uma casa de prazer. Mas a mim, só interrompeu o coito.

É ruim, mas é amor

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     Era manhã de sábado quando ela entrou revoltada batendo a porta logo atrás.
     - Eu quero dar meu cu se eu amar alguém de novo na vida. Odeio aquele canalha!
     Jogou-se no sofá e permaneci confusa levantando a sobrancelha e olhando pelo canto do olho com meu pacote de bolachas na mão. Dividíamos o apartamento fazia algum tempo e essas retóricas já eram comuns na vida da minha colega.
     - Conheço uma marca boa de vaselina.
     - Eu to falando sério – explicava gesticulando exageradamente como de costume – homem não presta ninguém presta. Que saco! Amar alguém é muito difícil. – fiquei calada mastigando meus biscoitos – você vai ficar ai, sem me ajudar?
     - Quer saber de verdade? – falei ainda de boca cheia
     - Claro que sim.
     - Sabe o que eu acho; as pessoas acham que o amor é um sentimento individual, que é somente ele em si mesmo. Do contrário de todos os outros, dentro do amor estão contidos todos os outros sentimentos. Você pode odiar uma pessoa e não ama-la, mas nunca conseguirá amar uma pessoa sem sentir ódio de vez em quando. Você consegue sofrer sem amor, mas nunca amar sem sofrer. O amor é uma caixinha onde estão todos os outros sentimentos. Por isso tantos conflitos e brigas quando estamos amando, é um pandemônio dos infernos porque nosso coração chacoalha o tempo todo fazendo essa zona de reações se misturarem. Amamos sim e junto nos alegramos, sorrimos e festejamos. Somos leais e cegos pelo amante, mas também sofremos, lamentamos, choramos e odiamos vez ou outra. As pessoas confundem, acham que só porque sentem uma determinada coisa oposta ao amor pensam que isso não é mais amor. Esta tudo dentro dessa caixa bagunçada. Vou te dar outro exemplo; Imagine um feixe de luz branca – comia meus biscoitos tranquila – não há duvidas de que a luz é daquela cor e pronto, agora aponte pra um prisma de cristal, o que teremos? Vermelho, azul, amarelo, roxo e várias outras cores. Amor é luz, ilumina nossa alma, e vez ou outra ele se confunde em outras cores.
     - Você ainda ta fumando maconha? – me olhou com olhar critico e duvidoso.

     - Porque você acha que to comendo bolacha? Já me faz um favor, me trás um copo de água, deu sede.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Sim, vai dar tudo errado!

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       Não vai dar certo. Você provavelmente vai se frustrar e nada do que planejou vai acontecer. Talvez seu casamento seja horrível, seu trabalho completamente frustrante e sua vida vai só andar pra trás. Você não vai conseguir perder peso ou engordar. Vai levar um fora de quem ama. As dividas talvez aumentem e seus amigos te abandonem. Você vai chorar, espernear e se lamentar pelos cantos da casa reclamando de como tudo não funciona quando é com você e para os outros parece ser tão fácil. Não vai ter frase de auto ajuda ou conselho amigo que te tire a angustia de ver tudo indo contra você. Não vai ser um recado escondido atrás de um quarto de hotel que deixará você mais feliz. Sua vida vai ser horrível. Depois de tudo isso você vai se fechar pro mundo, pras pessoas, ficar com cicatrizes e carregar alguns aprendizados que vai achar que são verdades absolutas. Talvez não se isole de todos, mas sua mente e coração estarão sempre na defensiva esperando o pior, afinal sempre foi assim.
       Acredite, não vai ser, mas tudo depende de você. Não é o mais forte ou o mais inteligente que sobrevive, é quem melhor se adapta. Não lute contra a vida, você sempre vai perder. Não pense que tudo acabou e que infelizmente as coisas vão ser sempre assim. O universo esta em completa mutação e você faz parte dessa dança. Se adapte e evolua ou irá encontrar o abismo da morte muito mais rápido do que o esperado.

      Não, o texto não é pra te ajudar. Você vai continuar fudido. Mas o que importa não é o quanto consegue bater e sim o quanto voce consegue apanhar. No final das contas voce vai ver que a maré nunca esteve contra, só um bocado turbulenta.


domingo, 19 de março de 2017

Atração dos Opostos...


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- Professor – levantou a mão na sala lotada – isso que o senhor falou, sobre os opostos se atraírem, serve para os relacionamentos? – a turma riu e voltaram os olhos ao quadro negro.
- Boa pergunta – largou o giz e tirou os óculos colocando-os sobre a mesa – Existem dois universos conhecidos que são espetacularmente fascinantes. O universo que nos cerca e o que nós carregamos mente adentro. Do primeiro digo que só evoluiu graças aos conflitos e opostos. Uma combustão, uma explosão e buum, temos as estrelas, galáxias, planetas e tudo mais. Todas as coisas sempre se deparando com seu oposto para uma nova transformação, seja pelo acaso ou pelo ato divino. A natureza desde sempre entendeu que jamais poderia ir mais longe continuando imutável, sempre buscou o conflito, o oposto do que se era tendo plena convicção que isso seria o melhor. Aos crentes, podemos dizer que Gaia sempre esteve trabalhando para garantir a sobrevivência fazendo com que toda matéria conflitasse em harmonia. Agora, sobre o universo que em nós habita, as coisas são mais complexas. Imagine que você se depare com alguém equilibradamente diferente de você. O ser humano é um ser pensante e racional que esta sempre em processo de evolução. Essa pessoa lhe traz alguns conflitos e incômodos pessoais, isso é o oposto do seu universo, te incomoda e te leva a um pandemônio existencial que pode dar apenas em duas coisas; destruição ou evolução. Somos deuses de nossos próprios planetas e universos internos. A questão não é se os opostos se atraem nos relacionamentos, a questão é o quanto você esta disposto a evoluir com essa briga galáctica.
- Vai cair na prova?

- Cai todos os dias – tocou o sino e fim da aula.


sábado, 18 de março de 2017

Uma conta cara...

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- Vocês são idiotas? - Todos na mesa pararam e olharam para ela. Os cinco amigos largaram as cervejas devagar e ficaram um pouco confusos a encarando – Faz meia hora que ouço essa conversa fiada de vocês sobre reciprocidade e desapego. Porra gente é isso que é amor pra vocês? Deixa eu dizer uma coisa; o amor nunca se baseou na reciprocidade, amar é querer o bem ao outro, não a si mesmo. É desejar que mesmo que não seja com você a pessoa esteja plenamente feliz. Se vocês querem alguém devolvendo todo afeto que dão é melhor criarem um cão que vai estar lá sempre disposto a te dar atenção. Amor também é abandono e se vocês não entenderam isso, nunca entenderão o amor. Entendam que uma mãe ama o filho independente do retorno afetivo dele, e digo esse exemplo pois é o exemplo mais puro de amor. Vocês querem se desapegar daqueles que não responderam suas expectativas e esquecem que quem escolheu amar foram vocês e o que se tem de retorno pode não ser na mesma intensidade, mas a culpa não é do outro, é somente sua. Amar é aguentar o desdém, o abandono, aceitar a partida, querer ao lado mesmo que o amante não queira. Amar é aceitar a dor que traz conforto. Amar meus amigos é o pior sentimento que se pode ter, pois ele gruda pior que chiclete no cabelo e te deixa diariamente conflitado. Não se escolhe amar como também não se escolhe morrer, apenas acontece. Posso dar mil exemplos dos amores que continuaram firmes mesmo quando o outro virou as costas, apenas para mostrar que amor de verdade aceita até o adeus e a perca de esperança. Se não estiverem dispostos a deixar o outro partir, não o ame. Se não estiverem dispostos a esperar, não ame. Se não estiverem dispostos a serem esquecidos jamais ame. Ate quem ama fere sem querer.  Mas se escolherem amar, não voltem atrás, aceitem o mal que ele tráz e se, talvez, digo apenas se talvez ele voltar, fiquem felizes por não ter largado um sentimento tão complexo e divino – o garçom chega com a conta e a entrega – Que caralho de conta alta! Não vou pagar o couver, não pedi  pra ninguém cantar. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Sua calcinha rasgada...

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Seminua. La estava ela deitada me olhando com uma de suas pernas dobradas, e suas mãos passeando em seu corpo me chamavam. Seus olhos de nebulosa me consumiam como dois buracos negros mortais. Seu corpo constelação. Ela toda universo e eu astronauta. Minha boca já salivava um pouco ao olhar ela apenas com aquela calcinha de rendas.  Mergulhei na imensidão do seu conjunto, meu corpo sobre o dela a forçou baixar a perna. Já podia sentir seu perfume enquanto escorregava meu olfato dos seus seios ao pescoço. A vida é bela com aquele cheiro e me perdia no aconchego da sua nuca. Ela entregava cada parte de si enquanto eu avançava. Um cão faminto por sobre a sua presa, descobrindo qual parte iria devorar primeiro, queria toda em uma só mordida. Cheirava cada lado de seu rosto enquanto pressionava meu membro sobre seu quadril. Suas mãos tentaram em vão cravar seu desejo em minhas costas e logo as tomei com força e segurei sobre sua cabeça. Seus olhos me fixaram e meu peito se encheu de uma euforia, uma mixórdia viciante de um drogado. Entregue aquele universo particular, me perdi nas constelações de sua silhueta. Minha boca em seus seios chupavam e cheiravam seu corpo aumentando  cada vez mais mina vontade. Desci devagar definindo cada canto de suas curvas, como um viciado em varias carreiras de cocaína, a animação descontrolava minha mente e podia sentir a delicia de cada cosmos dentro dela. Sua barriga era minha perdição total e meu carrasco final, um perfume individual se guardava ali, uma vontade canibal emanava do seu centro. Seu corpo dançava como o oceano em paz que balança suave com o marejar do vento. Minhas mãos já me acompanhavam na peregrinação e desciam ate as rendas de sua ultima veste. O ultimo controle acabava ali. Minha boca beijava por cima de sua calcinha e ia descendo entre suas pernas, meus dedos se organizavam para abrir caminho para minha língua que já podia sentir o úmido do seu prazer. Um beijo, um gemido tímido e gostoso. A chupava num ritmo valsado deliciando seu desejo como sorvete escorrendo pelos dedos. Empurrava aquela maldita roupa e a ira já tomava conta de mim. Seu corpo oceano já fazia ondas. Desgraça de calcinha. Uma mão puxava meu cabelo enquanto a outra tapava sua própria boca e a perturbação ia crescendo. Sem paciência mais para aquela veste, meus dedos confabularam entre si e enterraram toda sua ignorância nas rendas rasgando num susto aquela maldita calcinha. Era uma caça a partir de agora, e a vitima era a plenitude do prazer. Ela me puxou pelos cabelos, entendi o recado e coloquei suas pernas em meus ombros. As nebulosas estavam em chamas. Senti o cheiro de seus lindos pés e coloquei todo meu prazer dentro dela. Um encaixe perfeito. Eu a olhava, admirando cada movimento seu. Ela Jogava sua cabeça para trás e segurava os lençóis enquanto o movimento intensificava sua vontade. A dança ia aumentando conforme seu corpo pedia, eu apertava suas coxas travadas em meus braços degustando aquele momento sugando todo desejo como um vampiro no sangue. Seu corpo já descompassado se contorcia num ritmo frenético apertando os travesseiros ao redor. Um universo em expansão, um big bang de amor, uma super nova de excitação, seu gozo explodiu num grito de prazer ecoando por toda a galáxia de nós dois.

Paz. Silencio. Serenidade. Seus olhos abriram devagar, já travessos e inocentes me julgaram – essa calcinha era nova – e esboçou um sorriso malicioso. Deitei ao seu lado namorando seu rosto, esbocei algumas palavras e adormecemos. Manhã logo vem, abro os olhos sentindo os raios do sol e me encontro sozinho, abraçado ao travesseiro e a casa vazia. A solidão me devora e reflito – Seria tudo um sonho, ou apenas lembranças?


domingo, 5 de março de 2017

Estrela Perfumada...

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         Era fim de carnaval. O açaí manchava sua boca de um roxo escuro enquanto ela falava. Contava suas aventuras do final de semana e segredos de sua cidade pequena, ele imaginava pelo menos. Não a ouvia bem, o vento soprava contra ele trazendo aquele perfume que a tempos atrás ainda estava na sua camiseta que ela usava para dormir. Um tipo de droga viciante que lhe havia feito andar tantos quilômetros apenas para vê-la. Despercebida ele a observava  tranquilo, sem medo. Foram dias turbulentos, uma guerra jamais travada. Naquele momento havia paz, uma paz estranha e que a muito ele não sentia. Ela ria, conversava, falava e discutia com seus outros amigos. Ele só ouvia e esperava a próxima soprada do vento já que não podia mais cheirar seu pescoço como sempre fazia quando a abraçava por trás. O açaí tinha acabado, mas sua boca ainda salivava. O vento soprou novamente, cada brisa trazia consigo uma memória dos dois. O perfume entrava pelas suas narinas ate seu coração como gasolina em motor. Sangue pra tubarão.
        Saíram dali para uma volta, dois estranhos e um perfume que se materializava no carro. Já estava ficando tarde. O tempo sempre foi um carrasco, agora mais que nunca. Ela falava da vida com tamanha liberdade de espírito e ele não queria nada, apenas ouvir cada historia aproveitando aquele momento.  Sabia que não ia durar. Subitamente ele vê caindo uma dádiva dos céus, uma estrela cadente. Ele a interrompe apontando desesperado e pedindo para que ela fizesse um pedido rápido. Na inocência de uma criança ela põe a mão no rosto, fecha os olhos e começa a pensar no que pedir para aquele corpo celeste. Ele, olhando aquela cena admirava cada curva de seu rosto, ficou em silencio dando tempo para não atrapalhar aquela estrela sentada ao seu lado. Ela confabulava algo em sua mente e ele já havia feito seu pedido em silencio repetidas vezes para que os céus não se fizessem de surdos.

        Na porta de casa, um ultimo abraço. Uma respirada forte para poder puxar o máximo do seu perfume e um adeus. Ela se foi, talvez agora pra sempre. A porta do carro se fecha, ela some nas sombras e ele ao olhar pro céu, reza para estrela que mais cedo caiu; Ouça novamente meu lamento, dei-me ela!