sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Quando o Amor nao quer ir...

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Aquele choro sofrido e eterno debaixo do chuveiro, um soluço descompassado e sem fim. Como é triste quando o Amor não quer ir!
Sentimento de casa vazia, a cama agora tem muito mais espaço, os planos mudaram completamente e todo mundo sabe que não tem mais volta. Mas aquele sentimento ainda permanece como um móvel velho que a gente sempre deixa pra tirar e levar pro porão mas nunca cria coragem. O amor é um sentimento teimoso; dizemos pra ele que já era, que acabou, que tudo findou e ele continua lá firme e forte como um vírus letal trabalhando para tirar nosso último suspiro.
Quando o amor pega suas malas, leva consigo um pouco do nosso oxigênio. Respirar se torna um pouco mais difícil. A porta se fecha em nossa frente e a dor nos abraça com força tentando nos ajudar. Aí vem as noites mal dormidas, as refeições não feitas, os choros espontâneos, e a falta de sentido em tudo que se vê. É como olhar para o céu aberto no centro de uma cidade cheia de luz. Sabemos que existe ali acima de nós uma infinidade de estrelas a nos observar, mas lamentamos não poder enxergar. A partida deixa um vazio e uma angustia como se alguém deixasse apenas algumas poucas estrelas para observar, os pontos luminosos foram surrupiados do infinito e o brilho que resta é opaco.

O amor acaba meu caro - Temos acreditado o contrário até hoje, porém a cada dia provamos desse tal feito. É quase uma amputação sanguinária, um sentimento de assalto. Alguém levou o que era seu, e pior, quem levou foi seu próprio objeto de desejo. O dia vai nascer e a lua vai crescer nas noites e não há nada que possamos fazer para voltar atrás. As lagrimas vão molhar os lençóis noites a dentro e aquela vontade de mandar uma mensagem de despedida vai ficar sendo ruminada, redigida e apagada pelos dedos a todo momento na esperança de que isso mude algo, como se o gesto repetitivo pudesse também repetir o que uma vez foi real. Mas o amor se foi colega! Os perfumes, músicas e filmes irão lembrar; mas quando o amor se vai, o sofrimento é o único acompanhante nas tardes dos fins de semana. Não foram os filhos, família, trabalho e muito menos você, simplesmente ele se foi. Acabou, acontece...
            Você vai desmoronar quando lembrar, vai procurar justificativas, culpar inocentes e vez ou outra odiar o ex amante na esperança de que isso amenize ou reverta os verdadeiros sentimentos.

Aceite o dom da despedida, ele traz uma dor presente, latente, intermitente. Entretanto, no findar tudo se torna paz, e para chegar a tal paz, você deve deixar o amor ir. Liberta-lo de seu peito como um pássaro selvagem que desesperadamente belisca seu interior comendo cada parte dos seus órgãos te causando um desespero assolador. É preciso entender que isso só termina quando as grades da posse são abertas abrindo caminho para liberdade, quando o Amor vai embora meu pequeno amigo, aceite a solidão como parceira. Ela consola, evolui, mitiga a dor e é a única capaz de abrir seus olhos e mostrar que algumas coisas realmente não nos pertencem, mas nos ensinam.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Hóspede...

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Eles estão dentro de mim

Demônios me assolam como vespas zunem no ouvido de uma pobre alma fraca e caída no chão. Vejo os olhos sobre meu coração e as sombras tomam conta do meu ser. Possuem-me as almas mortas a décadas atrás. No banho seus gritos me ensurdecem. Oprimem meu coração com tamanha dor que jamais entenderei. Minha carne sente as dentadas de seu ódio e desfaleço no pesar de suas vontades. Devoram-me cada dia mais. Como pode seres tão graciosos e apaixonantes me destruírem assim. Filhos de uma puta meretriz vão para o inferno, demônios de minh’alma. Sinto-lhes atrás de mim como sombras escuras na noite triste. Lhes amo. Sei que são amor e jamais lhes deixarei ir. Vossos ossos balançam na madrugada e meus oxigênio se extingue pelas luzes das estrelas que já não são tão brilhantes. Venham. Estou aqui. Devoram a carcaça do meu ser. O hotel esta sombrio. O vigilante cheira seu pó com prazer com seus amigos. Cadavérico, magro, morto sem saber. Sou o único ser vivo capaz de compreender que todos estão mortos, e eu, pobre que sou, sou o único ser vivente nesta pútrida terra. Paredes brancas e amor. Amor eterno. Não há dor maior. Dei-me seu pó vagabundo. De todos os males que sinto ate hoje.da dor de querer e não ter, prefiro morrer a sofrer de tal AMOR.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Uma Aventura qualquer...

De todos os males que me disse
E os palavrões que me declarou
Uma Aventura
Foi deles o que me matou

Ser descartado com tamanha destreza
Comisera minha alma
Me afunda num abstrato de existência
E mitiga minha calma

Recebo o mal que a vida me entregou
E deito-me aguardando minha sorte
Após tamanha aflição
O maior alivio, somente a morte

Seus beijos em outros lábios não me doem
Meu sofrimento vem do desapego
Do desafeto
Do de me olhar com desprezo

Mas se queres por fim
Não lhe impeço
Apenas deixe-me olhar calado

Pois sua felicidade é somente o que peço.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Abandono...

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- “Vai tomar no olho do seu cu filho da puta.”
- Porque ela disse disso isso? – perguntou meu ouvinte de bar desconhecido.
- Isso foi o que ouvi, o que ela disse mesmo foi muito mais cruel. Tivemos um caso um pouco conturbado.
- Mas o que ela disse de verdade então?
- Algo pior que adjetivos ofensivos – um gole na cerveja que acho que já era a sétima ou oitava – ela falou sobre por que estava me abandonando.
- Foi tão ruim assim?
- Meu caro, algumas coisas são perfeitas. Um dia desses parei em uma via para observar dois prédios lado a lado. Perfeitamente paralelos. Havia uma pequena brecha entre eles. Se alguém conseguisse continuar a construir e a subir, eles ficariam eternamente em linha reta. Assim também são alguns dos melhores amores. São perfeitos, se encaixam lado a lado como um algo sobrenatural. Se alinham, e despertam fascínio. Porem, alguns estão destinados a nunca se encontrarem. Irão perecer eternamente lado a lado. Vendo a vida do outro passar e seus acontecimentos ir. Irão se arrepender de tantas coisas que poderiam ter feito para ser diferente, mas no final, tudo não será o bastante – faço sinal querendo mais um copo – Todos os dias passo ao lado desse prédio desgraçado. Fico pensando quais dos dois sou eu.
- Mas não tem como voltar pra ela?
- Me desculpe o riso malicioso – não pude segurar – mas se houvesse quaisquer chance eu não estaria aqui. Quando o afeto e vontade se acabam, algumas pessoas simplesmente te apagam da vida. Você existe, mas não passa disso. É mais um numero, historia, talvez um conto curto.
- Mas isso passa, daqui uns dias já esta em outra.
- Vejo que ainda é muito novo, de corpo e mente. Em outra vou estar com certeza. Talvez dormir com algumas mulheres, beijar outras bocas, abraçar outros abraços. Mas o dela, nunca vou encontrar novamente. Irei cair no mesmo ciclo de tristeza e desamores de sempre. Aquele ciclo que você passa a vida toda correndo atrás de alguém e nunca acha. No meu caso por que achei e se foi. Não tenho mais essa esperança, a consciência disso é o motivo de estar aqui hoje falando com você, desculpa, mas qual seu nome mesmo?
- Marcio Martins.
- Então amigo, saber disso tudo que me faz estar nesta condição pútrida que me observa hoje.
- Uma pena.
- Enfim, como tudo na vida, alguma hora se finda. Já aceitei a dor de passar os resto dos meus dias padecendo com minha condição. Muito obrigado por me ouvir amigo – Chamo o garçon – Doutor, traga mais uma para mim e para meu colega aqui.
- Que colega? – questiona o barman
Olho para o lado e vejo uma cadeira vazia.
- Acho que o álcool tomou conta de mim – dou uma risada – ele deve ter ido no banheiro e nem vi.

- Senhor – insiste o garcon – o senhor esta bebendo no bar sozinho faz uma hora.

Liberdade...

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Não te exijo amor
Nem felicidade
De tudo que quero
Apenas te ter ao meu lado

E se mesmo de longe estiver
Sem querer de mim se achegar
De longinho vou sempre olhar
Meu amor a andar

Não te exijo amor
Nem a tal da verdade
Sei que se fores minha
Não terás tão maldade

Não te exijo amor meu amor

Nem a tal da saudade

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Já matei uma mulher...

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Tinha uns dezessete ou dezesseis anos quando cometi meu primeiro assassinato.
Era dia. Não lembro se antes ou depois do almoço. Meu objetivo era claro; bater em algumas casas de um bairro pobre de minha cidade e perguntar “Você é feliz?”. Montado em minha bicicleta de cano preto com uma tinta vagabunda, eu rodava para cada vez mais dentro daquilo que na época se assemelhava muito a uma favela. Tinham algumas crianças brincando na rua. Elas corriam desapercebidas e tranquilas. Eu já havia falado com algumas pessoas. Os perfis eram simples, casas mal apresentadas ou pessoas com ar de extrema pobreza, afinal, uma de minhas ideias era que o dinheiro conseguia maquiar bem a realidade da mente humana, fazendo com quem não tinha muitas condições financeiras permanecesse em um estado de infelicidade comum. Não existe tempo para felicidade em meio às contas atrasadas de água, luz e aos berros das crianças com fome.
Pedalando como uma presa faminta querendo provar minha teoria tão perspicaz, passei em frente em uma casa sem muros. Os arames farpados atravessavam troncos fincados no chão meio caídos e quase podres. A casa tinha um telhado velho e mal colocado. As paredes sem reboco e a calçada era barro batido, e pela vista rápida, parecia que a casa também não tinha um piso para cobrir a terra. La vinha uma mulher de cabelos bagunçados e com uma criança no colo. Um vestido rosa permeava seu corpo torto por segurar aquele ser de poucos meses nos braços. Sua pele era corada e evidenciava seu trabalho no sol, talvez lavando roupa ou fazendo qualquer tipo de trabalho braçal. Não arrisco uma idade.  Seu rosto estampava o personagem perfeito para minha pergunta.
Dei a volta com a bicicleta e me aproximei devagar já perguntando de longe;
- Tenho um trabalho de escola e posso fazer uma pergunta pra senhora? É uma entrevista de um questionamento apenas – e esbocei um sorriso brilhante.
Ela me olhou melhor e depois de ver que um saco de osso era inofensivo, encostou no tronco que provavelmente era a entrada da casa e respondeu inocente;
- Tudo bem. – ajeitou o cabelo e deu uma recolocada no bebê, afinal não é todo dia que alguém ia lhe entrevistar.
Peguei meu celular velho do bolso, liguei a câmera, apontei e dei meu tiro cruel.
- VOCÊ É FELIZ?
Recordo-me bem dessa cena. A pergunta a tinha acertado como uma paulada na cabeça. Ela me olhava em silencio e com os olhos meio duvidosos. Havia entendido a pergunta, não estava confusa. A palavra FELIZ ativou um gatilho em sua mente que a deixou pasma no universo. Eu observava aquele ser, com uma casa completamente destruída como cenário e uma criança que evidentemente não se alimentava direito. Meu celular ainda estava filmando, meus olhos focados aguardando sua resposta. Ela abaixou a cabeça meio sem graça, arrumou a criança de novo jogando-a um pouco mais pra cima de sua cintura e olhou para esquina. Seu semblante anunciava a decepção. Um mundo tinha se revelado e a realidade agora era escura e triste naquela face.
Não me recordo de sua resposta, nem do que falei depois. Se agradeci ou se desisti do retorno. Porem sinto uma angustia terrível, pois sei que a realidade que aquela mulher negou a vida toda, veio como um tiro na testa travestido de pergunta. Definhou na minha frente devagar. Eu fui algoz de sua alma. Estraçalhei os miolos daquele humilde ser. Seu coração sangrou arrependido de ter dado espaço para tamanha crueldade que cometi.

Parei de atirar, a possibilidade de vitimas fáceis me circunda. E a mulher, deve estar definhando e apodrecendo até hoje.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Eu...


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Em meio a escuridão invoco os demônios para me perturbarem. Onde estão vocês seus covardes, que se escondem nas sombras a perturbar apenas aqueles que fogem de suas presença? A sombra da cadeira não remexe, não sinto mal, não sinto o inferno. Pertuba-me apenas nos pensamentos. Malditas almas tenebrosas que me assolam e me tiram a paz. Do mais profundo inferno criam seus estratagemas para tirar o sono das pobre carcaças que caminham sem rumo pela terra. Os observam chorar nos cantos das noites, deitados em seus leitos sem sentir nenhuma presença humana, apenas os olhos fixos de seus algozes demoníacos. Eu vos invoco personagens de satanás. Saiam de dentro dos armários, façam seus zunidos arrepiantes, lhes convido a vir tirar minha coragem. Acostumados a sugar o medo e exalar terror, são apenas peças frigidas de um mundo desiludido. De minha cadeira não sinto os malditos, não os vejo fora, não os sinto no ar. Mas estão em um lugar bem pior para se habitar. Habitam em mim, nas ideias, nas tripas sangrentas de minha alma seca pela dor de esperar algo. Eles comem minha carne emotiva se alimentando de toda ilusão de tranquilidade. Os malditos estão por toda parte como um monte de baratas no esgoto. Saiam e corram para os becos pois dentro de mim não há mais o que se absorver seus malditos sangue sugas.
O que fiz pra essas criaturas? Meus olhos lacrimejam todas as noites sem motivo algum, meu corpo padece como uma dança lenta e cruel. Matem-me, me levem, mas terminem logo com isso. Suas garras fincaram profundamente em minha alma. Os desgraçados vermes de suas podridões já se multiplicam dentro de minha boca. Eu vos invoco para fora, para que me deixem em paz. Mil vezes lhes observar com seus olhos caninos nas noites escuras, do que velos em minha mente.

Malditos, covardes e ocultos. Atormentam-me com o silencio, a dor, sofrimento e solidão.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Correspondencia...

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Voce me abandonou.
Me desculpe, mas não consigo começar esta carta de outra maneira. Estou acostumado a receber varias cartas de declarações infinitas e maravilhosas, mas a situação que me encontro me obriga a seguir um rumo diferente do natural. Para refrescar sua memória, irei falar resumidamente de nossa historia.
Como já sabe, eu sou o Amor. Tenho te acompanhado em varias fases da sua vida e obedecido suas ordens com muito rigor. Hoje infelizmente lhe escrevo de um quarto escuro  sob uma luz fraca numa escrivania.  Minhas lagrimas correm do meu rosto ao lembrar quantos momentos bons tive enquanto estava com você. De todos os sentimentos, sou aquele que motiva e acelera o coração. Faço as mãos suarem, o passo andar errado e os olhos não terem foco. Caso não se lembre de nossas façanhas, eu lhe obedecia sempre que pedia. Ia morar em um coração quando a você convinha. Lembro de corações que habitei que me deram um ar de eternidade e onde tive dias maravilhosos de muita abastança, porem lembro de outros que você me deixava no qual eu ficava dias a porta querendo entrar sem o menor sinal de esperança, mas permanecia lá, paciente, por que você me solicitava. A mim foi dado varias tarefas nas quais obedeci com prazer. Quando tu me pedia para ser-me sentido, fazia isso com todo vigor. Fui eu que sempre dei as ideias das flores, dos poemas, do toque sutil no braço para chamar a atenção. Sempre trabalhei horas a fio mesmo quando, por seu comando, outros sentimentos iam me visitar sem total respeito. Cansei de receber o Medo em dias tenebrosos, e depois de vários dias de argumentos, pedir que saísse com total educação. Sinto muito por tudo que aconteceu após a visita de nosso ultimo amigo, a Dor, mas por favor não me culpe.
Sei bem que não foi a seu pedido que ela chegou, mas sinto dizer que Dor contumazmente me faz companhia. Não para lhe afligir mas para me ensinar. Lembro-me com bastante clareza de nosso ultimo coração. Eu habitava ali com tamanha tranquilidade como se nunca nada me expulsaria. Éramos felizes mesmo tendo constantes visitas do indiscreto Medo. Eu sempre dava um jeito. Mas então, em um triste dia, Dor me falou que tu não me queria mais. Como lamento esta data.
Sei que sempre tive paciência demais com alguns sentimentos confusos que iam a me encontrar, mas sempre prezei e desejei que meu trabalho fosse feito com tamanha garantia, para que você sempre fosse feliz. Infelizmente não me foi dado o privilegio de saber o que ocorre fora de um coração, sempre obedeci somente ordens, mas independente do que tenha acontecido, te peço com total sinceridade; Não me deixes aqui só.
Tenho ouvido que a Dor tem grande apreço por Medo e estão a conviver muito bem juntas. Meu dias tem sido tristes e vazios. Estou tão acostumado a receber tantos corações amantes e tudo que me resta hoje é ouvir a Paixão contando vantagens todas as noites quando alguns outros lhe chamam.
Não irei me estender sobre meus argumentos, apesar dos pesares ainda aguardo seu chamado. Gostaria apenas que soubesse que você pode receber todos os meus colegas, mas somente minha presença lhe trará tranquilidade para suportar todos eles. Não sei quanto tempo mais irei suportar esta espelunca, o aquecedor quebrou e tenho passado noites a tremer de frio.
Novamente lhe peço que não me culpe, tudo que realizamos juntos foi com total sinceridade e mesmo que alguns corações que visitei não tenham me recebido muito bem, estou disposto a lhe acompanhar ate que consigamos um tão grande e com vários quartos para que consigamos hospedar todos meus amigos em seus devidos lugares, pois não sei se sabe, mas um coração em paz não é onde somente eu habito, mas sim onde todos  os Sentimentos consigam conflitosamente conviver em paz.

ps: Mande abraços para Saudade.

                                                                                                                                  Ass: Amor

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Panda Assassino...

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La estava ela, seus olhos já vermelhos de tanto chorar agora estavam apenas marejados e olhando para fora do carro. Ele não entendia como tudo chegou naquele ponto, tanta felicidade juntos pra no fim se resumir sentados discutindo o fim em uma rua escura.
Sempre foi linda, ele a observava calado, triste e decepcionado sabendo que uma boa parte da culpa era dele, sempre foi.  Ela não queria olhar para ele, firmava seus olhos em algo la fora como se estivesse ao lado do saqueador de sua aldeia. E no fim talvez era. 
Sua vontade era de pedir perdão loucamente ate que adiantasse alguma coisa e os dois permanecessem aquilo que não se tinha nome ou definição, mas que era bom, pelo menos pra ele, pois pra ela havia sido um tempo de tortura e solidão.
Durante todo tempo ele tinha sido algoz de sua alma. Infelizmente se tocou disso apenas naquela noite. Como um exercito de ocupação invadindo uma cidade sem total respeito ele havia destruído construções e vontades dentro dela. Era triste saber que o amor e o ódio andam na mesma corda bamba, tentando derrubar um ao outro. 
Naquele curto tempo lembrou de tantos momentos maravilhosos juntos e aqueles pensamentos que eram tão prazerosos se tornaram pesadelos dentro dele, “como pude” se questionava olhando ali para aquela silhueta ao seu lado. Tudo que ele sempre quis estava prestes a virar as costas e dizer adeus. Ir embora para outros braços, outros beijos, outro que daria tudo que ele incompetentemente não conseguiu dar. Era triste.
A angustia é um sentimento cruel. A sensação de uma faca estar penetrando seu peito sem encontrar nada la dentro, o vazio silencioso e infernal da alma sem saber o que fazer. Era um sentimento de assalto, como se alguém houvesse levado tudo que havia dentro de si. A sensação de que o oxigênio esteja indo aos poucos. De estar dentro de uma caixa completamente desesperado e claustrofóbico. De todas surras que já levou na vida, talvez aquela era a mais dolorosa.
- Quer falar mais alguma coisa? – disse ela virando e olhando para ele como se ele fosse como todos os outros, normal.
- Me desculpe – respondeu.
Ela o olhou pela ultima vez, não dava pra saber se era raiva ou decepção, abriu a porta e se foi.
A sua imagem ia sumindo, indo embora com total convicção do que queria, e ele, completamente perdido e agora sozinho. Se era amor ou abandono, não sabia, mas decidiu nunca mais ter esse sentimento novamente.
Ali no escuro sozinho olhando pela janela, o silencio da noite era uma companhia ótima. Sua alma já não sabia mais o que sentir. “Como pude?”, se questionou novamente. E se não existisse o medo? Se ele tivesse falado tudo que sempre quis? Se naquela noite de amor o “eu te amo” tivesse saído da ponta de sua língua? Se não fossem tantos processos para obedecer, daria certo? Não importava mais. A dor que havia ficado no lugar dela era como entrar num lago gelado e ficar somente com a cabeça pra fora tentando respirar. Encostou a cabeça no volante e deu um ultimo suspiro choroso.
Uma batida no vidro do carro e ele levantou a cabeça esperançoso. Um homem armado e vestido com uma blusa estampada com o que parecia um panda mandava ele sair. Ele ficou imóvel olhando aquela imagem através da vidro sem se importar com o desespero de seu assaltante.
Desceu devagar e ficou na porta olhando com olhos vagos para seu carrasco. “Me da a chave se não te mato”, disse o assaltante apontando a arma para sua cabeça.
Ele deu um passo a frente devagar, encostou a testa na arma e disse;
- Meu caro, de todos os tiros que levei hoje, esse será meu acalento. De todas as ameaças essa será uma declaração. Não se pode dar fim no que não existe mais. Lhe darei a chave em troca de um simples favor. Seja meu redentor e livre minha alma dessa triste realidade de desafetos e desprazeres. Lhe garanto que o favor que fazes não será contado como pecado no dia do juízo, pois por fim em uma alma dolorida é melhor que deixa-la vagar sem sentido.
De nada adiantou. La estava ele, em pé, olhando o carro sendo levado por um desconhecido.

Não sabia se havia morrido ou não, pois o sentimento de insignificância e não existência era o mesmo e era assim que viveria pelo resto de sua vida, pelo menos ate o próximo assalto.