Postagens

Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

Quando o Amor nao quer ir...

Imagem
Aquele choro sofrido e eterno debaixo do chuveiro, um soluço descompassado e sem fim. Como é triste quando o Amor não quer ir! Sentimento de casa vazia, a cama agora tem muito mais espaço, os planos mudaram completamente e todo mundo sabe que não tem mais volta. Mas aquele sentimento ainda permanece como um móvel velho que a gente sempre deixa pra tirar e levar pro porão mas nunca cria coragem. O amor é um sentimento teimoso; dizemos pra ele que já era, que acabou, que tudo findou e ele continua lá firme e forte como um vírus letal trabalhando para tirar nosso último suspiro. Quando o amor pega suas malas, leva consigo um pouco do nosso oxigênio. Respirar se torna um pouco mais difícil. A porta se fecha em nossa frente e a dor nos abraça com força tentando nos ajudar. Aí vem as noites mal dormidas, as refeições não feitas, os choros espontâneos, e a falta de sentido em tudo que se vê. É como olhar para o céu aberto no centro de uma cidade cheia de luz. Sabemos que existe ali acima de n…

Hóspede...

Imagem
Eles estão dentro de mim
Demônios me assolam como vespas zunem no ouvido de uma pobre alma fraca e caída no chão. Vejo os olhos sobre meu coração e as sombras tomam conta do meu ser. Possuem-me as almas mortas a décadas atrás. No banho seus gritos me ensurdecem. Oprimem meu coração com tamanha dor que jamais entenderei. Minha carne sente as dentadas de seu ódio e desfaleço no pesar de suas vontades. Devoram-me cada dia mais. Como pode seres tão graciosos e apaixonantes me destruírem assim. Filhos de uma puta meretriz vão para o inferno, demônios de minh’alma. Sinto-lhes atrás de mim como sombras escuras na noite triste. Lhes amo. Sei que são amor e jamais lhes deixarei ir. Vossos ossos balançam na madrugada e meus oxigênio se extingue pelas luzes das estrelas que já não são tão brilhantes. Venham. Estou aqui. Devoram a carcaça do meu ser. O hotel esta sombrio. O vigilante cheira seu pó com prazer com seus amigos. Cadavérico, magro, morto sem saber. Sou o único ser vivo capaz de compr…

Uma Aventura qualquer...

De todos os males que me disse E os palavrões que me declarou Uma Aventura Foi deles o que me matou
Ser descartado com tamanha destreza Comisera minha alma Me afunda num abstrato de existência E mitiga minha calma
Recebo o mal que a vida me entregou E deito-me aguardando minha sorte Após tamanha aflição O maior alivio, somente a morte
Seus beijos em outros lábios não me doem Meu sofrimento vem do desapego Do desafeto Do de me olhar com desprezo
Mas se queres por fim Não lhe impeço Apenas deixe-me olhar calado
Pois sua felicidade é somente o que peço.

Abandono...

Imagem
- “Vai tomar no olho do seu cu filho da puta.” - Porque ela disse disso isso? – perguntou meu ouvinte de bar desconhecido. - Isso foi o que ouvi, o que ela disse mesmo foi muito mais cruel. Tivemos um caso um pouco conturbado. - Mas o que ela disse de verdade então? - Algo pior que adjetivos ofensivos – um gole na cerveja que acho que já era a sétima ou oitava – ela falou sobre por que estava me abandonando. - Foi tão ruim assim? - Meu caro, algumas coisas são perfeitas. Um dia desses parei em uma via para observar dois prédios lado a lado. Perfeitamente paralelos. Havia uma pequena brecha entre eles. Se alguém conseguisse continuar a construir e a subir, eles ficariam eternamente em linha reta. Assim também são alguns dos melhores amores. São perfeitos, se encaixam lado a lado como um algo sobrenatural. Se alinham, e despertam fascínio. Porem, alguns estão destinados a nunca se encontrarem. Irão perecer eternamente lado a lado. Vendo a vida do outro passar e seus acontecimentos ir. …

Liberdade...

Imagem
Não te exijo amor Nem felicidade De tudo que quero Apenas te ter ao meu lado
E se mesmo de longe estiver Sem querer de mim se achegar De longinho vou sempre olhar Meu amor a andar
Não te exijo amor Nem a tal da verdade Sei que se fores minha Não terás tão maldade
Não te exijo amor meu amor
Nem a tal da saudade

Já matei uma mulher...

Imagem
Tinha uns dezessete ou dezesseis anos quando cometi meu primeiro assassinato. Era dia. Não lembro se antes ou depois do almoço. Meu objetivo era claro; bater em algumas casas de um bairro pobre de minha cidade e perguntar “Você é feliz?”. Montado em minha bicicleta de cano preto com uma tinta vagabunda, eu rodava para cada vez mais dentro daquilo que na época se assemelhava muito a uma favela. Tinham algumas crianças brincando na rua. Elas corriam desapercebidas e tranquilas. Eu já havia falado com algumas pessoas. Os perfis eram simples, casas mal apresentadas ou pessoas com ar de extrema pobreza, afinal, uma de minhas ideias era que o dinheiro conseguia maquiar bem a realidade da mente humana, fazendo com quem não tinha muitas condições financeiras permanecesse em um estado de infelicidade comum. Não existe tempo para felicidade em meio às contas atrasadas de água, luz e aos berros das crianças com fome. Pedalando como uma presa faminta querendo provar minha teoria tão perspicaz,…

Eu...

Imagem
Em meio a escuridão invoco os demônios para me perturbarem. Onde estão vocês seus covardes, que se escondem nas sombras a perturbar apenas aqueles que fogem de suas presença? A sombra da cadeira não remexe, não sinto mal, não sinto o inferno. Pertuba-me apenas nos pensamentos. Malditas almas tenebrosas que me assolam e me tiram a paz. Do mais profundo inferno criam seus estratagemas para tirar o sono das pobre carcaças que caminham sem rumo pela terra. Os observam chorar nos cantos das noites, deitados em seus leitos sem sentir nenhuma presença humana, apenas os olhos fixos de seus algozes demoníacos. Eu vos invoco personagens de satanás. Saiam de dentro dos armários, façam seus zunidos arrepiantes, lhes convido a vir tirar minha coragem. Acostumados a sugar o medo e exalar terror, são apenas peças frigidas de um mundo desiludido. De minha cadeira não sinto os malditos, não os vejo fora, não os sinto no ar. Mas estão em um lugar bem pior para se habitar. Habitam em mim, nas ideias, n…

Correspondencia...

Imagem
Voce me abandonou. Me desculpe, mas não consigo começar esta carta de outra maneira. Estou acostumado a receber varias cartas de declarações infinitas e maravilhosas, mas a situação que me encontro me obriga a seguir um rumo diferente do natural. Para refrescar sua memória, irei falar resumidamente de nossa historia. Como já sabe, eu sou o Amor. Tenho te acompanhado em varias fases da sua vida e obedecido suas ordens com muito rigor. Hoje infelizmente lhe escrevo de um quarto escuro  sob uma luz fraca numa escrivania.  Minhas lagrimas correm do meu rosto ao lembrar quantos momentos bons tive enquanto estava com você. De todos os sentimentos, sou aquele que motiva e acelera o coração. Faço as mãos suarem, o passo andar errado e os olhos não terem foco. Caso não se lembre de nossas façanhas, eu lhe obedecia sempre que pedia. Ia morar em um coração quando a você convinha. Lembro de corações que habitei que me deram um ar de eternidade e onde tive dias maravilhosos de muita abastança, po…

Panda Assassino...

Imagem
La estava ela, seus olhos já vermelhos de tanto chorar agora estavam apenas marejados e olhando para fora do carro. Ele não entendia como tudo chegou naquele ponto, tanta felicidade juntos pra no fim se resumir sentados discutindo o fim em uma rua escura. Sempre foi linda, ele a observava calado, triste e decepcionado sabendo que uma boa parte da culpa era dele, sempre foi.  Ela não queria olhar para ele, firmava seus olhos em algo la fora como se estivesse ao lado do saqueador de sua aldeia. E no fim talvez era.  Sua vontade era de pedir perdão loucamente ate que adiantasse alguma coisa e os dois permanecessem aquilo que não se tinha nome ou definição, mas que era bom, pelo menos pra ele, pois pra ela havia sido um tempo de tortura e solidão. Durante todo tempo ele tinha sido algoz de sua alma. Infelizmente se tocou disso apenas naquela noite. Como um exercito de ocupação invadindo uma cidade sem total respeito ele havia destruído construções e vontades dentro dela. Era triste sabe…