segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Conto 2 - Desejo...


Eu, filho de um estupro de uma noite madrugada, perdi minha mãe no parto. Sendo mãe um aborto de seu filho, nunca fui bem aceito por minha meia família.
Doado para orfanato e renegado novamente pelas crianças que ali ficavam, por ter uma certa deficiência no rosto, talvez herdada de meu querido pai insano do qual não conheci, não me tornei lá muito sociável. O tempo passou, só para min, as vezes lento e as vezes rápido. Na falta do que fazer, sentava na escada do pátio e observava as crianças brincarem, sorridentes, alegres, com seus belos rostos órfãos porem felizes. Ali ficava imaginando, se todos fossem como eu?
Com o tempo, sem ser muito vigiado pelos tutores da casa, tornei-me um grande admirador do esdrúxulo. Observava algumas deficiências minúsculas e as exacerbava em minha mente ate que ficassem maravilhosas e inovadoras. Certa feita sonhei ter criado uma doença para humanos. Sentiriam fome, mas fome de sua própria carne. Renegariam tudo e um desejo animalesco o fariam devorar seus próprios dedos e partes. E enquanto mastigavam sua carne, em dores e desespero, sentiriam dor na alma. Uma tristeza por terem plena consciência da depravação e auto destruição que estariam fazendo. E chorariam, chorariam, chorariam, mas nunca parariam de comer, ate que caíssem no chão, desfalecidos.
Aos dezoito, este sonho era dominador.
Preparei-me o observei meu primeiro objeto de experiência. Uma mocinha também órfã. Era bela, ruiva de olhos castanhos e de baixa estatura. Seu corpo era perfeito, porem em seus lábios existia uma pequena, não, minúscula cicatriz quase invisível que despertara um amor desconhecido dentro de min.
A vigiei durantes noites a fio. Não podia despertá-la em seu quarto, pois com ela tinham mais três. Esperava que saísse na madrugada para ir ao banheiro. Era uma reza. Ficava na sombra do corredor, não tinham falta de min em meu quarto então todo o trabalho já estava quase feito. Só me faltava a vitima.
Não inventara minha doença, mas poderia eu, ser a doença devoradora.
A noite chegara. Não havia lua no céu e não chovia. A moça, como era previsto, saiu a ir ao banheiro com sua camisola branca uniformizada. Esgueirei-me pelas sombras do comprido corredor sincronizando cada passo com a euforia de meu coração e os passos da bela deficiente. Palpitava meus poros vendo aquela sombra noturna a desfilar tranqüilamente ate a porta do toillet. Entrara. De fora, ouvindo como ladrão de jóias a minha doce donzela, ficava colado na porta esperando a hora exata de sua saída. Em minha mente passava as imagens do futuro de nós dois. Depois de adormecê-la, iria destacar sua pequena cicatriz, depois faria algumas poucas em seu rosto, puxando meu pequeno estilete, de seus olhos ate seu afilado nariz. Meus olhos reviram-se como num orgasmo súbito, delirando ali com o desejo de mastigar suavemente seus pequenos dedos, dilacerando delicadamente sua pele com meus dentes. Parado ali, frente à porta do banheiro, viajando em minhas situações futuras, inconscientemente, comecei a lamber-me como um felino. Transferira o ilusão para o real. Não podia mais esperar sua saída. Demorava de mais. Arrombarei? Não! Poderiam escutar-me. Porem não podia esperar outro dia. Lambia-me cada vez mais. Delirando como amante da dor. Saia. Saia. Saia. Que diabos de demora. Sentia a gostosura de meus braços em minha língua. Passava a mão em meu rosto deformado e lambia os dedos para tirar o máximo de minha própria deformidade. A min. A min. A min. A min. Escorregava pela parede ate o chão sentido como cão faminto seu bife. Não! Não posso! Cravo-me descontroladamente meus caninos no antebraço. Ah que dor horripilante. Mordia-me cada vez mais, ali no escuro do corredor. Em poucos segundo de prazer uma poça de sangue me cercava com seu escarlate. Com um pouco de trabalho arranco-me o mindinho. Ah que dor. Prazer sexual de canibalismo pessoal. Mordo-me mais e mais. As dentadas enfraquecem a cada instante. Não. Não. Não. Não. Não terminei. Deitado no chão envolto a sombra da noite, esforço-me para morder mais, mas não consigo. Desesperado começo a chorar por não conseguir mais meu próprio ser. Insisto. Insisto. Insisto. Lagrimas de desesperado misturam-se no chão com sangue coagulado. Dilatando minha pupila fica, cada vez mais como animal faminto.
Entrego-me.
Vou vendo a escuridão escurecer. Com os olhos baixos e boca ensangüentada, fico observando meu grande amor, meu desejo maior, minha esperança de vida, terminar sua reza noturna e ir andando pelo corredor para seu leito. Sem sentir minha presença, sem notar que existi, vai ela, indo sonhar novamente.

Guarda-Sol...

Pra que guarda-chuva?
Você usa um e só não molha o penteado.
Talvez sirva pra proteger a mente
Assim terá mais coragem.
Molha os pés, braços
Cintura e tudo mais
Porem a idéia permanece seca,
Sã.

Dia...

Termina ou começa o dia ao fim do dia?
Quando o sol se põem e a lua esta a queimar-nos
Com seus raios
É o fim ou o começo de um amanhecer?
Talvez nenhuma das duas opções
Nós que somos frescos que só nós
Queremos dar ate fim pro dia,
Quando na verdade ele nunca começou,
Nunca terminou. É sempre o mesmo dia
Apenas nos iludimos achando que conseguimos
Dominar o eterno hoje, recortando-o em Ontem e Amanha.
Esse medo de dizer que não é capaz de viver o Dia,
Mostra porque morremos;
Porque não agüentamos o eterno,que vivemos
Inconscientemente, querendo não querendo.
O amanha é sempre o mesmo hoje e o mesmo ontem.
Eu e você que somos um dia da semana.

Pouco caso...

O que tenho que fazer para ter-te em meus braços
Em meus amores, minhas esperanças
Em meus laços?
Queres flores de manhãzinha cedo
Queres que recite todas poesias belas já vistas
O que faço para ter-te sem medo?
Quero teu perfume, tua presença
Quero todo teu nascer de sol e desabrochar da flor
Ver-te despertar aos olhos amanhecidos de uma noite calma
Dizer-te ali, num tranqüilo dia de inverno,
Que quero a cada dia mais
O teu presente amor eterno.

Controvérssias...

Conheci uma menina, tão adulta e tão novinha
Tinha um rosto emburrado, toda meiga e fresquinha
De primeira não gostei da tua fala, ladainha
Mas sem querer me apaixonei, agora ela é toda minha.

Cumprimento...

Quero amar
O que é amar?
Amar?!
É.
Ah, amar é querer sofrer
Enquanto o outro te quer bem.

Solução

Não ha maneiras de inovar, tanto na poesia
Como em qualquer lugar.
Não há maneiras de se declarar, assim como rosas
Ou Jose de Alencar.
Tudo já foi inventado, do beijo inovado
Ao louco apaixonado.
Quer ser original, como o sol orbital?
Esqueça o amor. Será tão conhecido
Que todos irão ver teu triste caixão,
Sem cor, sem flores e rosas,
Morreu um novo amor.

Absurdo...

Loucos desvairados. Acredite o senhor
Que ontem, ao entardecer do dia,
Disseram-me que existe vento!
Absurdo!

Versos de Despedida...

Adeus aos amigos chegados
Vou me embora pra outro lugar
Não os levarei comigo, nem em carne,
Nem no coração espiritual.
Não seria bom pra min
Carregar-vos comigo, vivam sós,
Como querem.
Direito divino é viver singularmente
Sem ser levado pelo outros
Nem na lembrança, nem na mente.
Ser esquecido ao relento, a companhia
Da escuridão, do lamento.
Entregue a única e verdadeira verdade
A solidão, o desespero e a angustia
Dos homens oprimidos que negam
Seus fieis instintos.
Porem se volto, certeza não sei,
Um dia verei em vossos estrelados olhares
O universo vácuo da realidade.
Não me digam Adeus, mas sim A Deus.

Veleja...

Estranha-me ver-te ao norte.
Rumas-te sem rumo à sorte
Deixando delírios da noite
Entregues aos luxos da morte
Regresse ao porto do mar
Onde por puro azar
Jogo pedras no rio
Na esperança de ti retornar.
No meu coração, o desejo de te amar
E no meu imenso oceano,
Um barquinho que não sabe nadar.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Testamento...

Deus abençoe o homem que inventou o testamento
A mente que conseguiu comprimir tudo em folhas e letras.
O homem que conseguiu resumir toda a sapequice de criança,
Tagarelas, amarelinhas, garrafão e bete, em resumo de
Saudade.
E ainda deixar para alguns não ‘infancianisados’ para que possam
Ter a oportunidade de degustar o prazer das moedas do bolso do pai.

A imensurável capacidade de colocar em linhas ou rabiscos de tinta
Todas as paixões eternas de adolescência quando um roçar de mãos
Na fila da merenda era sinal de uma amor sem fim, em um simples
Saudade.
Para que assim seus herdeiros redescubram o amor passageiro dos homens
Na terra e renovem suas malicias tão inocentes.

Desejo sorte de alegria a esse ser espetacular.
Que gravou as frustrações da maturidade como se todas as brigas familiares
Valessem a pena, e com leves movimentos de mão marcou,
Saudade.
Porem se ate hoje não conheces-te esse herói, ou se pois
Não existir, deixo meu pequeno testamento;
Saudade.

O que seria de um Homem sem seus amigo...


O que seria de um homem sem seus amigos?
Seria ruim como comemorar Natal fora de época
Comprar e dar presente, festejando o Menino Jesus
Em dia de Páscoa.

Nadar pelado no mar em praia não nudista
Sentir as ondas no “nordeste” e não poder levantar
Ficar com medo do tubarão e correr desesperado
Pra beira da praia.

É como pegar ônibus vazio de manhãzinha
Sentar ao lado da garota mais bela de todas as viagens
Peidar meio sem controle no vácuo
E não ter ninguém para culpar.

Não ter amigos, é não ter graça
Graça do troco do pão
Graça do rebolado inocente
Graça da fralda suja.
Amigos, o que seriam de um homem sem vocês?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Refletir...


O que é o Refletir?
Refletir e ver-se ao cristal
Notar-se novamente
Descobrir o que já existia
De uma maneira também já vista
Porem inovadora
Refletir não é trabalho fácil
É necessário luz e brilho
Para um reflexo limpo e fluente
É preciso querer ver-se
E não só em espelhos ou vidros
Também nas colheres, nas águas
Nas sombras, té nos olhos
Gozado.
Estamos cercados de tantas sombras,
Águas, brilhos, vidros e espelhos
Porem os tantos olhos
Não conseguem Refletir.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Minha Raiz...


Tenho sangue grosso, antigo, sangue de legitimo Brasileiro. Ate onde sei, tenho sangue de meu bisavô, Seu Franquilino. Homem tão comedia na sua terra, casado com dona Maria do Carmo da qual não sei como morreu, que mesmo no grito de morte com ataque fulminante, tirou risadas dos que o cercavam achando que era mais uma graça. Pena, não era. Tenho sangue de minha tia Maria de Fátima, tia que nunca vi. Talvez por justiça ou injustiça da vida, morreu aos nove com vermes ate a boca. No sertão, sem muita opção de banquetes ou cousas mais simples, a pequena doce menina comia terra, barro. Descascava a parede para poder descobrir se ainda tinha paladar e enfiava os tijolos secos do sol do Brasil para suprir fome sua e de seus hospedes. Morreu paradoxalmente, garotinha tão doce que morreu com vermes pulando da boca. Tenho sangue do sertão, da Bahia, tenho sangue de cangaço. Cangaceiro foragido, Seu Antonio. Atravessou meio mundo de braquiarao seco, fugindo dos Macaco. Seu Antonio corre grosso nas veias. Cangaceiro bruto, “aposentado”, morreu tuberculoso, na cama, ao lado da maior memória de meu plasma avermelhado, Dona Lio, Inacia Lio. Do sertão pra Bahia, da Bahia pro Cruzeiro, de Cruzeiro pra Planaltina. Em cada passo, vivia pra trabalhar, não trabalhava para viver. Desse sangue tenho alguns contos. Alem de roubar chuchu pra ninhada e colocar na panela cheia de água com pouco feijão em cima da lenha, Dona Inacia era marcada pela vida. Talvez o mesmo calejo que tinha nas mãos de tanto lavar roupa para os nobresinhos da época e de tanto quebrar pedra pra vender por lata mesmo com o pulso rasgado, era o mesmo de seu espírito ou ate mais forte. Saía pra trabalhar e deixava o mais velho, de cinco anos, responsável pelos mais novos. Se voltasse para casa e não visse almoço o pobre coitado mais velho, cinco anos, apanhava pela irresponsabilidade de não ter cozinhado no fogão a lenha. O mesmo pobre, cinco anos, já levou tijolada da mãe enquanto corria para não apanhar, já foi amarrado num pé de arvore de cabeça para baixo em cima de uma vasilha, “se tu comer terra de novo eu te sangro”, nunca mais. Fica a lembrança, Dona Inacia morreu de câncer, porem creio que com a incrível força de vida, o câncer morreu de Dona Inacia.
Tenho sangue sofrido, sangue de lagrimas. Sangue do interior do sertão, do sol quente das fazendas dos coronéis. Sangue que sangrou pra viver, sangue que riu pra morrer. Tenho sangue doce de vermes. Tenho sangue preto de tanto andar no escuro da noite. Tenho sangue de padeiro risonho, de cangaceiro vivido. No meu DNA pulsa a força de viver pra Viver. Corre violentamente a fome do chuchu, do pão realmente DURO, do tijolo rebocado. Vive em min a humildade e o poder de chegar onde quiser, vive a esperança. Tenho sangue Marrom, marrom da cor da terra, mas não de qualquer terra, terra do Brasil. Meu coração bombeia a nostalgia de uma época difícil, de uma infância mais que sofrida. Meu coração bombeia a Honra e Capacidade de carregar dentro de min a força de gente pobre com jeitinho burguês. Em cada veia estufada posso sentir o peso do Sangue Marrom, o peso da força, da ousadia, das palavras, da felicidade infeliz, do calejo das mãos. Posso sentir correr em min a responsabilidade de carregar a historia de um povo que de tudo sofreu, que de tudo viveu. Humildade, força e vontade é herança genética, privilégio de alguns. Tenho Sangue de Inacia Lio.


Á meu tio Severino dos Ramos, tia Doracides e minha mãe Solange Gomes, resultados da semente da luta de minha família.

“O que é o fruto se não o resultado duma semente. O que é a conquista se não a união de uma família”.

Beleza de mulher, frase...

A mais miserável mulher
Torna-se a mais potente
Ao conhecer a beleza.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vida após TV...


Interessante. Um dia desses estava assistindo televisão e passava um daqueles programas de platéia onde metade das pessoas são garotas bonitas, queria saber da onde tiram tanta mulher bonita, daí então entrou um quadro que era sobre o que os artistas de tv fazem no dia a dia. Artista na praia, no barco, na festa, no bar, na boate, na rua, no shooping, em casa e em todo canto. Fiquei ate com medo, talvez tenha esbarrado com um na padaria e não notei. Pois é, achei interessante como falavam dos artistas; “fulano de namorado novo” dizia um locutor com uma voz misteriosa como se aquilo fosse mudar o mundo. “Olha quem ta na praia” e novamente a voz da sabedoria.
Parei, pensei e pensei de novo; “QUE MERDA É ESSA QUE EU TO VENDO?”. Estava eu ali, sentado na cama, assistindo um programa de televisão onde as vidas de pessoas que não fazem a mínima idéia da minha existência estavam sendo expostas como os grandes heróis da pátria! Que diferença ia fazer se Di Caprio tomou ou não seu banho de sol? E daí se a Hebe saiu no quintal de casa de havaiana? O que me importa se a Sandy tomou o café em três e não quatro goladas? Meu Deus, pra quê que serve isso? Isso é entretenimento?!
O interessante disso tudo é que se o programa ta no ar, é porque tem gente que sustenta e gosta dele. Agora pensa comigo, imagina o tipo de pessoa que passa mais de uma hora sentada, olhando para uma televisão assistindo a programas que falam sobre fofocas e curiosidades de famosos, onde ate protrai a janta para não ficar por fora do BBB e o pior, ainda faz comentários sobre o tal famoso, melhor do que o próprio narrador.
Ta certo que pouca gente agüenta TV Cultura ou o Canal Nacional, mas ser um “nerd oposto” também é estranho! O que é um nerd oposto? Sabe aquele amiguinho “legal” que nunca sabe da novela, do seriado, do desenho, do reality show e tudo mais? Entao, agora pega um que só sabe de novela, seriado, reality show, desenho, vida de artista e se voce parar para falar sobre um livro ou ate, vamos ser favoráveis, sobre o Jornal ou Discovery Channel vai dizer um belo de um “Hãã?!”. Pois é, isso é um Nerd Oposto. Eu não agüento esse ser “genial”.
Não estou falando da Televisão em si, mas da programação dela. Ai de min se tirarem a minha da minha casa. Como vou assistir os Simpsons e Dr. House? Mas querendo ou não a dita cuja é a melhor formadora de alienados, burros, não pensantes e sedentários já visto ate hoje.
Era só isso mesmo. Já tinha ouvido varias teorias sobre a televisão, só que ela vista de uma perspectiva pessoal é muito mais séria do que eu imaginava.
Assistir a bela invenção da humanidade não é crime nem pecado, porem, ler um livro ou dar uma caminhada na sua quadra, também não vai levar ninguém pro xilindró, e muito menos, pra churrasqueira do capeta.

Um poema triste...


Grande graça de vida
Alegria todo dia
Vejo em tudo esperança
Quando tudo já perdia.

Tocam as violas dos passarinhos
Belas flores de espinhos
É dia feliz, pra todos do mundo
Primavera de neves e floquinhos.

Alegria e graça a vida
Prazeres protrair nunca mais
Bendigam os mistérios e tudo
A vida é eterna jamais.

Madrugada...


Como assim, a quina de um precipício, não era aqui que pensava estar. Ao longe, no horizonte, via um brilho, não o sol, um brilho. Pastagens verdes de Palmeiras e abrolhos com alguns coloridos da primavera. Abstrato e embaçado, seria um sonho? Cresce brilho pra cima de min, não, eu cresço para o brilho. As rochas estremecem, desligam de suas raízes brutas e antigas, marcadas pelas eras, só para me levar ao brilho, o brilho que cresce. Viajem perdida a cima das nuvens, do alto vejo todos, porem nem todos me vêem. Como não me vêem se a todos vejo eu? Ainda não escolheram, disse o brilho, ver o que não vêem. É um sonho, sim. Não há brilho, não há ver, não há rochas. Susto. Caio. Caio. Caio. Caio. Caio. É um sonho, o brilho, a rocha, as visões, as pessoas... a queda. Tudo é sonho, abstrato e embaçado. Teto. Preciso varrer o teto, há teias de aranhas por todo lado. Não posso acordar, ainda falta algumas horas pra hora certa, ninguém levanta. Feche então os olhos ora. Fecho. Pra sonhar e dormir? Não! Pra cair, cair, cair, cair, cair...

Ela me largou...


Eu conheci uma garota. Ela me largou.
Me largou por que, segundo ela,
Eu não entendia nada.
Não entendia que quando ela dizia que não queria falar
Era na verdade um pedido pra continuar insistindo.
Não conhecia o seu olhar de carência
Quando ela me dava um belo de um sermão
Por ter feito alguma coisa errada.
Não entendia que quando ela pedia minha opinião
Para alguma roupa, ela queria mesmo era uma critica
E depois uma sugestão horrível para que ela
Procurasse uma roupa não tão ruim e se sentisse bem.
Não entendia que o “saia da minha vista”
Era um “nunca me largue”.
Não entendia que o beijo negado era um pedido
De caricia no rosto ou um beijo na testa.
Não entendia que as birras eram uma maneira
De chamar minha atenção para ter-me mais perto.
Não entendia que o beijo atrás de minha orelha que ela dava
Eram na verdade palavras; “Te Amo”.
Não entendia que ela não queria sempre um elogio
Pela sua boa aparência ou seus feitos, mas na maioria das vezes
Uma critica pesada e verdadeira.
Ela me largou, eu a perdi.
Ela me largou porque não me queria,
Ou será que não entendi?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pensamento sobre pensar...


O segredo para se ter um péssimo e infantil pensamento é querer pensar.
O mais gostoso e mais profundo pensar sai sem querer, é construído na mente sem interferência de informações ou formulas.
É igual quando se peida sem querer ao abrir as pernas de mais, igual um espirro, igual um ponto no papel que da numa bela poesia.
Quer pensar bem? Não tente pensar. Deixe acontecer, e quando ele vier e começar com suas traquinagens, sente e observe ate aonde vai. Impressionante!
A liberdade real só acontece no pensamento. Não há limites, obrigações ou leis sobre o que se deve fazer. Se existe um momento em que somos livres, é quando nos deleitamos nas palavras soltas do pensamento. Pense o que quiser, invente, minta, conte verdades, exponha-se o maximo que puder.
Só não se acomode com o que vem, esteja sempre construindo no seu mundo.
Se você parar para pensar, verá que o pensamento é algo no que se deve pensar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


Pior do que amar e não ser correspondido
É ter amor de mais e não retribuir o pedido.
É como tomar chuva gripado,
Comer com a boca dormente,
É como roubar sem ser roubado
Ou pedir saúde pra doente.

Se me amas esqueça-me logo.
Pior do que dois solitários
Só um eterno apaixonado.

Caipira Urbano...


O sol nasceu pra todos
Mas só alguns pegam chuva
O sem teto na esquina
E o telhado esburacado.

Prefiro meu franguinho
Que cantou três anos na minha janela
Do que o de dois dias
Que mal sabe falar português.

“Eu não como arroz dormido”
Pois eu prefiro o descansado
Porque já ta bem tratado
E combina com meu franguinho xadrez.

O ponto perfeito profundo...

O ponto perfeito profundo
É feito farofa fincada,
No mato moribundo
Da ponte feia e marvada.

Frase, mentiras...

As pessoas se apegam às mentiras,
Não porque gostam ou porque são burras,
Mas sim porque estão desesperadas
Atrás de verdades.

O Pinto do meu Vô...

Eu queria ter o Pinto do meu Vô
Ele era conhecido na sua terra por causa disso.
Quando crescer quero ter o Pinto,
No lugar do “da Silva”, sem graça e liso.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Do Blog do B. Figueiredo, pego de Caio Fabio

A pessoa “politicamente correta” é aquela que aprendeu e pratica a moral da civilização pós-moderna.

Ser “politicamente correto” é ser diplomático sempre. É não enfrentar nada, sempre em nome da boa educação — mas que pára o fluxo da sinceridade em amor.

Ser “politicamente correto” é seguir o fluxo civilizatório como dogma religioso. É ser contra falar qualquer coisa sobre qualquer tema controvertido. Têm suas opiniões, mas em público nada dizem sobre nada. Quando o tema é política, votam, mas jamais dizem o que pensam. E quando o tema é a fé, rebelam-se apenas contra os fanáticos estereotipados, mas não são capazes de dizer ao Dalai Lama o que pensam sobre Jesus, pois, para eles, seria deselegante.

A pessoa “politicamente correta” é mestre em comer galinha enquanto desmaia se vir cortarem-lhe a cabeça para preparar a panelada. Comem carne de animal, desde que não vejam a “maldade” da morte dele.

Assim, são grandes estetas. Vivem de aparências e de elegâncias. Controlam tudo o que dizem a fim de não serem interpretados como sendo “politicamente incorretos”. São os reis da imagem e do som.

Eu abomino o “politicamente correto”.

Sim, porque Jesus não foi “politicamente correto”. Ele dizia tudo o que era importante, e só não o dizia quando não era importante. E disse: “Vós sois aqueles que recebeis glória uns dos outros”. E acrescentou: “Aquilo, porém que é elevado entre os homens, é abominação diante de Deus”.

Em Jesus vemos a liberdade de ser e crer em plena ação. Ele manda amar o inimigo e tratar a todos como gostaríamos de ser tratados. Porém, Nele não há média, nem política relacional, nem agrados a serem feitos conforme o que as pessoas queriam ouvir. Também Nele não vemos nem esbanjamento de palavras e nem a sonegação ou omissão em relação a elas quando os tempos e circunstancias pediam que Ele se manifestasse.

Eu abomino o “politicamente correto” porque quem o pratica enfraquece, se torna bobão, perde o tutano da alma, e vira em ser belamente mimético.

Eu abomino o “politicamente correto” porque se Jesus o praticasse, não haveria Evangelho, ou Cruz, ou a coragem para ser.

Jesus ensina a verdade, não a média. Assim, Seu grande prazer era fazer o bem, mas não tinha nenhum problema em dizer “não”. Não há em Jesus qualquer gestão que seja “politicamente correta”. Sim, porque as ações Dele que parecem ser “politicamente corretas”, de fato não são; sendo apenas a verdade; daí terem tido a anuência de Jesus. Entretanto, não são “politicamente corretas” apenas porque em outra ocasião (seja ela qual tenha sido) Jesus tenha feito algo que se assemelhasse a tal. Não! Muitas vezes o que se vê é Jesus fazendo a coisa oposta em relação àquela outra que Ele antes havia feito; pois, para Ele, havia o justo (justiça); e, o que é justo é sempre o que é justo. De tal modo que às vezes o que Jesus diz atende aos preceitos morais dos “politicamente corretos” — para, então, logo a seguir, Jesus desmontar outra alegria de anuência em relação a algo em relação a que se esperava Dele uma outra ação. Mas quando, em alguma outra circunstancia, Ele toma um partido em relação à vida, contra as etiquetas relacionais e contra as expectativas “politicamente corretas”, os seres “politicamente corretos” chamam a isto de gesto suicida.

Todo ser “politicamente correto” é frouxo. Não se pode contar com tais pessoas para nada. Elas só estão ao seu lado se der prestígio, pois, se algo acontecer de ruim a você, logo o espírito de auto-preservação deles haverá de se manifestar. Além de que eles mesmos haverão de demonstrar seu moralismo “politicamente correto”, o qual, é contra o moralismo dos antiquados, mas é moralismo assim mesmo. Sim, trata-se de um moralismo educado, porém igualmente judicioso; só que manifesto com carinhas sorridentes e simpáticas.

Além disso, o “politicamente correto” é uma ideologia poderosa. Por exemplo, a mídia mundial gosta de tentar ser “politicamente correta”. Ora, tomemos como exemplo o que acontece a Israel hoje. O mundo todo está contra Israel e nem sabe a razão.

Ouço na tevê: “O Hesbollah atacou Israel e 23 pessoas morrem. Israel, porém, retaliou, e apenas matou três militares, mas matou 13 civis”. Ora, quando se trata dos palestinos, diz-se que três militares foram mortos, e 13 civis inocentes. Entretanto, em Israel, parece não existir criança e nem civis, pois, tudo o que de lá se reporta tem a ver com números gerais, como se todo o país fosse militar...

Sim! Até as mães e as crianças brincando no parque!

Já entre os palestinos, a mídia trata a questão com uma simpatia “politicamente correta”, ainda que alienada e injusta no report.

Ora, isto é fruto de uma atitude da “mídia politicamente correta” do mundo todo, a qual, não olha fatos e nem enxerga a história, vendo apenas questões tópicas e recentes. Além disso, eles olham a situação já com a predefinição de que Israel é o agressor. Sim! Mesmo quando Israel não agride, e quando nada faz, eles assim julgam. E mais: digo isto até para o ser mais fanático, estúpido e anti-Israel que exista — mas sempre em resposta... pois sei o que digo; e estou aceitando sair no “pau dialogal” com todo aquele que pense diferente.

Assim, a mídia está sempre vendo os árabes e palestinos como as vítimas que são oprimidas por Israel. Todos os que assim dizem, são jornalistas contaminados pela moda da própria mídia. Sim, eles cultuam no alienante altar do “politicamente correto”, e que têm na mídia seus mais importantes sacerdotes e profetas.

Vejo o “politicamente correto” fazer uma perversão total do sentido de verdade. A verdade agora é a diplomacia. E toda verdade que não seja diplomática, é feia; e, portanto, deixada de lado.

Eu gostaria muito que os paises detentores de mídia formadora de opinião mundial fossem expostos, em seus paises, às mesmas coisas que acontecem em Israel, e, logo que tal se desse, veríamos essa horda de “politicamente corretos” tomarem posições muito mais radicais do que Israel pratica.

O ser “politicamente correto” vive como aquele que nada sente, posto que pimenta nos olhos dos outros é refresco!

O 11 de setembro, que foi mais espetacular do que calamitoso (calamidades acontecem todos os dias no mundo todo, mas sem show de pirotecnia, não impressionam), ainda não deu aos americanos e à sua mídia nem de longe a noção do que é viver a vida dos cidadãos de Israel. Porém, bastou o show de 11 de setembro para os americanos “politicamente corretos” dizerem: “é um absurdo” — pois, tais pessoas, são “politicamente corretas” apenas no quintal dos outros.

No Brasil há pastores “politicamente corretos”. Ora, quem são eles?

São os que são camaradas de todos, que ouvem todas as barbaridades em silencio, que não batem de frente com nada, e que vivem para evitar qualquer enfretamento. Em público são generosos até com o diabo. Sim! Apenas alisam e fazem cafuné. Mas, no particular, expõe o que sentem. Então, eu me pergunto: Como conseguem viver assim?

Pastores “politicamente corretos”, literalmente dizem: “Não precisando de mim, disponha”.

São bons amigos enquanto você é um sucesso. Mas se algum mal lhe acontecer, eles, os “politicamente corretos”, desaparecem como névoa. Temem ser identificados com o que é incorreto no momento. Se a tal pessoa se levantar, então, eles voltam. Mas só são amigos do sucesso e da aparência dele.

O espírito “politicamente correto” não teria trazido o Evangelho até nós.

O “politicamente correto” é a doutrina dos fariseus aplicada ao comportamento irreligioso dos pós-modernos.

Assim, não jejuam, mas comem com elegância. Não oram, embora digam: “Estou torcendo por você”. E mais: se dizem crer no Evangelho, só fazem tal revelação quando o interlocutor já disse que crê também. Do contrário, ficam sempre sorridentes e calados, não importando a loucura que lhes faça companhia mediante a presença de alguém.

O “politicamente correto” é um sentir escatológico. Sim, porque quem lê Mateus 25 logo vê que aqueles que não viram Jesus na História — são os “politicamente corretos”. Eles é que vêem, mas só fazem algo se for seguro. Eles é que sabem, mas se o que sabem não lhes toca a porta da casa, então não lhes concerne.

Ser “politicamente correto” é chamar para si o status que permite não se envolver com nada que doa, ou que seja potencialmente controverso.

O “politicamente correto” é a ética dos que romperam com a moral careta e assumiram uma outra moral, com fachada sofisticada, com atitude de natureza psicologicamente evoluída, com mil etiquetas relacionais, com modos brandos e finos, e com total busca de isenção em relação a tudo o que lhes roube o chão.

Ser “politicamente correto” é decidir não correr riscos jamais!

Os seres “politicamente corretos” em geral são gentilmente arrogantes, e são mestres em fazer discretas caretas de desprezo para aqueles que eles consideram “caretas”.

Quem se torna “politicamente correto” por convicção, acaba se tornando discípulo do diabo, e fazendo algo que o diabo ama: a evasão da vida comum, exceto da própria vida (egoísmo), enquanto a pessoa se assenta soberana, julgando que está num nível superior ao dos demais.

Desse modo, a Síndrome de Lúcifer se torna algo que é essencialmente ligado à presunção dessa superioridade dos “politicamente corretos”.

Portanto, quanto mais ideologia do “politicamente correto” existe em alguém, mas fria, descomprometida e alheia da existência a pessoa se torna.

O diabo, quando não cria monstros, cria bonecos de etiqueta. E tal etiqueta produz evasão da vida, das convicções, e da coragem para aceitar e lidar com a contradição.

Por isto o diabo ama o “politicamente correto”, pois, por tal ideologia o mundo acaba cheio de etiquetas, mas morto de vida.

O Evangelho é completamente politicamente incorreto. Pois, como disse, se tal ideologia estivesse presente em Jesus, o que se teria seria apenas uma sabedoria de sobrevivência, mas nunca a coragem de dar a vida pelo que é Vida, não importando as conseqüências.

Afinal, no “politicamente correto” não há paixão, mas apenas avaliação da vantagem ou da auto-preservação pessoal.

Se Jesus fosse “politicamente correto”, todos ainda estaríamos em nossos próprios pecados.

A história, todavia, nunca foi feita pelos discípulos dessa ideologia de mimetismo e diplomacia. Os profetas poderiam ser qualquer coisa — menos “politicamente correto”.

Ora, é por tudo isto que abomino o “politicamente correto”, pois é a ideologia da elegância do diabo.

Sim, o “politicamente correto” é o desfile das elegâncias do inferno!

No “politicamente correto” o Sim não é necessariamente sim, e o Não também não é necessariamente não. Pois, em tal ideologia de religiosidade secular, o que é, pode ser, dependendo das circunstancias; posto que se as circunstancias não forem favoráveis, qualquer que seja a verdade, mesmo sendo, na prática não será assim tratada. Afinal, o ser “politicamente correto” só diz que o que é, é, se isto lhe for conveniente e bom para o culto à elegância.

Nele, que me dá de Seu Espírito e não me permite fazer médias, pois, para Ele o que é, é, e não é objeto de nenhum tipo de barganha ou de escolha de conveniência,


Caio Fabio

Eu to com sono...

Eu to com sono, não to afim de escrever hoje
Não quero falar de amor, de tragédia, de vermes.
Não quero escrever sobre meu pensar, sobre os outros,
Sobre a vida e algo mais.
Eu to com sono e o sono é a morte do pensamento.
Quem pensa com sono? Eu! Penso na minha cama.
Não me importa as rimas, as belezas, as profundidades,
As mulheres, as amantes e decepções.
Porque eu to com sono!
Vai dizer que nunca sentiu sono?!
Se você já conseguiu escrever ou pensar enquanto
Estava com sono, parabéns, você é um completo idiota!
Porque não foi dormir ora pois?!

Temo dizer que ja amei...


Temo dizer que já amei. Porque?
Não sei dizer!
Não sei se já senti as borboletas, se consegui
Ver a musica pairando no ar, se já abracei o vento.
Não sei dizer!
Não sei se já fui torturado pelo dito amor,
Ou se o traquina já me pregou uma peça.
Temo dizer!
Não quero ser como tantos outros surrealistas amantes
Aprisionados a beleza da quimera do amor.
Ide, caminhai e dizei;
O amor, eu nunca amei.

Me faça um favor...


Por favor,
Se você conhecer uma garota que;
Assista Os Simpson chorando de rir
E logo após mude para o National Geographic,
De meu telefone para ela.
Se ela, em vez de ficar fissurada por Atrevida ou
Obcecada pelas revistas de horóscopo,
Tiver uma certa queda por Oscar Wide,
Alexandre Dumas, Odeth, literatura Russa
E as piadas da Reads Digesth,
De meu endereço a ela.
Se ela sempre sair arrumadinha, com um estilo
Pessoal e belo, e que ao bater na porta,
Em um dia qualquer, ela esteja despenteada,
Bagunçada e gritando ouvindo musica,
De meu nome a ela.
Se ela tem um dom enorme para oratória,
Se conta piada em velório e tem uma voz
Singular, amarre-a e arraste ela ate min.
A safada correu dos meus sonhos e fiquei a procurar.
Espero atenciosamente.
Por favor, me ajude a ela encontrar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Coisa nenhuma...


Lento sentimento retardado
Único e confuso. Contraposto
De tudo que se conhece,
Mais apaixonado que o cupido.

Inteiramente meio termo
Ligado ao inteiro sem tudo,
Longe de ser bem conhecido,
Adormece agora, amor perdido.

É cedo e tarde! Fique então comigo.

O que mais odeio nessa vida...


O que mais odeio nessa vida
Não é o terror, a guerra, a fome,
Não é o desamor dado por iguais.
Muito menos as chuvas em dias de festa.

O que mais odeio nessa vida
Ultrapassa as chatices das aulas de aritmética
Do vento que bagunça o cabelo
E ate dos curtos fins de semana.

O que mais odeio nessa vida
Não se limita a pisar em merda
Ou pegar ônibus lotado na parada.

O que mais odeio nessa vida
É viver caminhando só,Enquanto te amo tanto.

Arvore de Outono...


Minh’alma esta triste, assim como as arvores que
Continuam a chorar após o temporal,
Chora também meu coração neste instante.
Chora de ataque cardíaco, dor profunda e com
Fim.
Fim
Trágico. Morte, no mínimo morte, coma eterno e fora
Do tempo. Sinto um perfume doce no ar, póstumo
Cheiro das flores ao meu redor. Pútrido.
Nas ruas, quando saio, acompanha-me uma pessoa,
Nunca a vi. Sinto sua presença juntinha de min, presença
Cadavérica. Assombra-me com terror, meu caro amigo e companheiro.
Minh’alma triste e cansada lamenta pelos cotovelos.
Roubaram o sol da minha janela. Mitigaram a bonança e
Arrebentaram as correntes da tragédia. Esta livre.
Um pombo cagou na minha sorte!
Chove em meu corpo e pinga em minha alma
Alma que chora com pingos de tristeza e que
Chorara após a tragédia. Triste alma.
Minh’alma esta triste, assim como as arvoresApós o temporal.

Intervalo rapido....

O motivo de muitos não terminarem namoros é
A carência. O ter o que não quer ter,
Não podendo ficar sem ter
O que se tem sem querer.


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São tantas mulheres, parece sem fim.
Saem da minha cabeça e se materializam em meu olhar
São tantas mulheres ao redor de min,Juntando todas elas, teria eu, a Mulher perfeita para se amar.

Todos querem o Bruno...


O seu corpo saradão, bombado e gostosão
É motivo de inveja de todos ao redor.
Não é bom andar sozinho, tem que ter guarda-beleza.
Se não for sair comigo, não vai nem fazer a reza.

O mundo é perigoso, eu só guardo porque amo,
Não sufoco ele não, só não confio nas mulheres.
Elas vêm assim quietinhas, inocentes e belinhas,
Mete a mão no que é nosso e quando vê já to sozinha.

Não sai mais não, só se for bem do meu lado.
Não quero te ver na pizzaria, festa, academia,
Reunião, escola, serviço, trabalho, boteco, cerveja,
Velório, carnaval, natal e muito menos na igreja.

Ciumento é o universo que guarda todo seu mistério
E não revela a mais ninguém.

Eu te amo alem do serio,
Pois se tenho medo de algo esse algo é não te ter.
Compreenda-me um pouco, se não for bem to teu lado,
Asseguro-te amor, é melhor eu não viver!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Amor 3D...


-Queria prever seus passos
-Não, não queria
-Porque não?
-Seria chato, maçante. Qual a graça, a empolgação de se aproveitar a surpresa da vida se ela não é mais surpresa?
-Ora, muita graça. Saber seus desejos e poder supri-los. Saber seus perigos e poder protegê-la. Conhecer suas decisões e poder ajudar.
-Não.
-Não o que?
-Não seria bom!
-Como não!?
-Tu iria me amar?
-Muito mais!
-E porque me amas?
-Por que tu me surpreende!
-Então não iria mais me amar!
-Iria sim. Pois estaria te amando em dobro. Tanto pelo futuro visto, como pelo presente vivido!
-Não!
-Não o que?
-O amor é bom, vivido uma vez, para que depois haja aquele arrependimento de não ter amado tanto o quanto devia. Duas vezes fica chato.
-Claro que não! Chato é não ter a oportunidade de dar muito amor. Nunca vi reclamarem de amor em excesso, só da falta dele.
-E a oportunidade?
-Que oportunidade?
-A oportunidade de aproveitar o único momento, único lugar, o único beijo, as únicas juras. A oportunidade é o bem mais precioso do amor. Com ela quase vemos o futuro.
-Concordo. Porem gostaria de sempre ter duas oportunidades de te amar, de aproveitar suas falas e seus beijos.
-E não tem?
-Não!
-Como não!? Esta louco...
-Com você não há duas oportunidades. Um momento é um momento. Um beijo é um beijo e nunca mais vai voltar. Com você não existem duas coisas. Sempre me surpreende. Mesmo vendo o futuro, o presente seria diferente, e mesmo vendo o presente o futuro seria distinto. O seu amor é um, um a cada dois momentos.
-Não.
-Não o que desta vez?
-Não me deixe sem te ter. Agora entendi.
-Serio?!
-Sim! Hoje é o nosso futuro de ontem, nosso passado de amanha e nosso presente de agora. Desta maneira posso ver, viver e prever, não só o futuro, mas o passado também.
-O passado?
-Sim. Olhe...
-...Porque me beijou?
-Para te mostrar o passado!
-Não entendi.
-Vi o passado. No passado te dei um beijo e te amei. No futuro de darei outro e te amarei. E no agora...
-No agora, no eterno agora, viveremos três oportunidades!
- Entende agora?
- Não!
- Como não?!!- Preciso de outro beijo Atemporal!

Deus, a simples comprexidade...


Aprendamos então há ver Deus nas coisas simples da vida, mas não achá-lO simples ao ponto de considerá-lO como tantas outras coisas passageiras e limitadas que observamos nos nossos dias. Ele é simples sim, porem na sua maneira de se mostrar a todos nós, em sua maneira de cativar cada pensamento nosso, que nos faz dar um prazer e um sentido maior a vida. Essa simplicidade divina nos dar força todos os dias, ensinando-nos a perseverar e a ver que por mais complicado que seja, há um Deus que simplifica. Veja Deus em uma flor a desabrochar, seu esplendor, sua simples complexidade que se mostra com uma beleza maravilhosa, mas não ache que Deus é a bela flor. Infelizmente a linda flor muxa, seca, é limitada e mostra uma vida e uma auto suficiência passageira. Deus não. Deus é belo, alcançável e singelo como uma flor, porem não é tão pouco como um desabrochar de primavera, Ele ultrapassa esses limites. Ver Deus nas coisas simples, não é necessariamente, dizer que Ele é simples, mas que Ele quer se mostrar há min e a você de uma maneira compreensível, aberta e possível, mesmo sendo Ele tão complexo. Ter a capacidade de apreciar as coisas simples é um dom dado a poucos. Deve ser por isso que o Todo Poderoso se revela a cada detalhe cotidiano, ate os mais minuciosos. De um nascer do sol, ou de um vento a soprar, uma bela paisagem e ate de uma formiga a carregar sua folha. Tudo Deus fez para pararmos e apreciá-lo pelos seus feitos. Há também os que vêem Deus na complexidade da existência. Esses não são tão diferentes dos primeiros apresentados. Admirar a complexidade do DNA ou se debruçar a idéia de milhões de espécies diferentes de seres vivos ou ate observar a causa e efeito que move todo o universo, tanto individualmente em nossos corpos como no imensurável desconhecido, também é um prazer de poucos. Conseguir ver Deus em bactérias, ninchos, plasmas, átomos, músculos e ate ondas cerebrais faz-nos notar sua infinita capacidade de ser complexo, mais do que qualquer ser já estudado. Isso também é ver Deus. Conhecer a complexidade da vida é conhecer a complexidade do Criador da vida. Um Perfeccionista Pintor ou escultor que fez cada detalhe da fotossíntese ou do sistema óptico com uma precisão e um cuidado individual exacerbado.
Talvez ai esteja Deus, nesta simples complexidade. Nestas coisas tão distintas é possível ver Seu amor inexplicável por nós. Mais que religião ou doutrinas Ele se mostra a cada um na medida da capacidade individual de todos. Juntar o pouco que se vê na simplicidade e o pouco que se vê na complexidade, com certeza nos daria o muito de Deus. Infelizmente, ou felizmente, ver Deus em todas essas coisas não nos diz que todas essas coisas são Ele. Creio que se fosse Deus, estaríamos felizes realmente, não alguns, mas todos. Acho então que todas as coisas em que podemos ver Ele é apenas uma maneira Dele de falar e de se mostrar as suas criações e que não quer ser tido como tão simples ao ponto de ser só bom, belo e medíocre mas que também não quer ser visto como complexo, enorme e inalcançável. Esses dois extremos nos revelam uma coisa; Existe sim um Deus, quem não O vê, não consegue notar as coisas simples da vida e logo, esta muito mais longe das complexas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ate o infinito...

Até o infinito depois e mais um pouco. Não vou me tornar escravo pelas próprias mãos, enquanto puder serei o que me faz bem amarei as artes, estrelas, bichos e o mar. Não sou retrato da moral e dos bons costumes, nem muito menos imagem semelhança da nata social brasiliense que, geralmente, tem como meta em suas vidas uma “ascensão” envolta ao capitalismo, pois querem servir de exemplo a qualquer custo, mostrar que conseguiram subir ao topo, mas topo de que me pergunto?(pessoas ilusionistas). De onde vem tantos ideais egoístas? Isto me lembra um ditado: “ações pequenas para pessoas pequenas”. Pequenas sim, porque almejam uma grandeza que os tornam minúsculas, esquecidas e submissas.Eu agradeço muito por ter amigos exemplares, aqueles que, de noite, invadiam prédios inacabados em busca de uma visão estelar que fosse capaz de tocar na alma, nos lançando para longe da sociedade “pequena”. Agradeço por ter rolado nos gramados sujos junto a eles enquanto nós lembrávamos que éramos os verdadeiros animais, e que na vida poucos teriam essa oportunidade de se alegrar, pois estavam preocupados de mais com o seu futuro promissor. As fogueiras invisíveis que nos aqueciam, as canções inacabadas com que enaltecíamos e os gritos que acordavam a cidadela e que atrapalhavam os estudiosos da madrugada. Tudo isto esta gravado aqui e eu sou assim, em maior parte, graças a eles. Nós somos GRANDES pessoas, capazes de dar um passo de cada vez sem esmagar os insetos que existem pelo caminho. Até o infinito...





B. Nascimento

Dedicatoria...


Dedico minha poética aos vermes,
Os mesmos de Augustos e de Brás,
Grandes valorizadores da razão e verdade.
Dedico ao amor dos apaixonados, enamorados
Dos alucinados retardados que caem de peito
Na cicatriz aberta dos amantes.
Dedico a guerra, ao sangue azul
Das botina engravatadas e disfarçadas
De cadeiras frescas com o ar condicionado
Aos filósofos falsos e suas falácias
Dedico a Hemorróidas, a Solitária, as tênias e tudo mais
Ao velho e jovem da rodoviária, que ontem
Comeram seus bocados de vomito de milho e pastel.
Dedico minha poética aos porcos, insanos.
Dedico ao soldado cruel de guerra, ao pai pederasta,
Ao diabo enxofrado de óleo de mirra.
Dedico meu poema ao ódio, o mesmo latente
No peito meu, no Seu.
Ao corpo esquartejado, as borboletas coloridas,
Aos passarinhos e ao sol vermelho, vermelho de poluição,
De sangue.
Dedico a lua dos amantes, dos estrupadores.
Dedico minha poética lúdica e com cheiro de esterco,
O mesmo de Augusto e de Brás,
A você! Somente a você dedico todaA verdade.

O tempo nao existe...


O tempo não existe, invento ele a cada minuto
Conto os segundo para terminar a hora
Mas o tempo pouco, do nada, vira muito.
Passo o dia no sol quente, trabalhando sem parar
O tempo que é sempre latente
Nesses dias não quer andar.
Agora me pare numa praia boa, com sol forte e brisa leve
Aposto que o dia passa rápido
Que é perigoso de verão ir para neve.
Joguei meu relógio fora, não agüento ficar preso.
Num instante estou agora, e no outro já padeço.
Essa hora egoísta, que só anda se quiser
Não quero viver contando o tempoQue só passa quando quer.

Espero a morte todos os dias...

Espero a morte todos os dias
Ela bate em minha janela para entrar
Os galhos balançam com o vento lá fora
Minha vida toda já foi, há de passar.
Um perfume fúnebre enche todo o quarto
Não há mais nada que possa fazer
Meus sonhos hipócritas e egoístas
Para próxima geração ira pertencer
Só queria me despedir de Amanda
Aquela que deu meu endereço a escuridão
Foi por causa dela que estou morrendoÉ por causa dela que morro de ilusão.

Anah Lorenza...

Flor de outono
Estrela da noite.
Pedaço de gente
Pequena e luzente.

Na viela ouço o grito
Da mãe alvoroçada,
Que na noite madrugada
Cospe a filha aliviada.

Coisinha pouca-sombra
Já nasceu com o ôi aberto.
E se tu ver bem de bem perto
Vai concordar com o que eu falo,

Que esse toquinho um dia cresce,
Não precisa se apressar.
Hoje agora ta mei mole
Mas amanha já vai bailar.

Quem diria que um dia
De um Goiás e uma Brasília,
Ia sair uma estrelinha
Que já veio pra ficar.

Deus do céu um dia disse:
Ana Lorenza venha cá,
Desce logo naquela terra,E faz aquele povo delirar.


A minha priminha sem vergonha

Pois...

Se não me amas é porque não queres
Pois o meu amor,
Sempre por ti se fere.


Me deixe te amar por um segundo,
Pois neste pequeno tempo
Eu crio todo meu mundo.

Há cinco coisas das quais não vivo;
De nenhumas delas eu me lembro.
Pois viver sem estar contigo,
É aos poucos viver morrendo.

Simples;
Eu te amo,
Pois há muito tempoQue te amo.

Sonhei que sempre te encontrava...

Sonhei que sempre te encontrava
Na terra na lua ou no mar
Sonhei que contigo sempre estava
Na tristeza ou num belo olhar
Sonhei que nunca ia acordar
Pensei que sempre ia me amar
Mas tudo só passou de sonhoSonhei que amei, foi só sonhar.

Todo mundo é assim...

Todo padre é pedófilo
Todo pastor é ladrão
Todo preto é bandido
Todo branco é preconceituoso
Todo gordo é preguiçoso
Todo político é corrupto
Todo rock é do diabo
Toda mulher bonita é burra
Toda mulher feia é inteligente
Todo moleque é esperto
Toda feminista é lésbica
Todo o mundo é ruim
Todo religioso é alienado
Todo “largado” não toma banho
Todo rico é triste
Todo dinheiro é inútil
Toda leitura é boa
Toda água é incolor
Todo céu é azul
Todo conto é de fadas
Tudo é no geral.
Todo mundo é juiz
Todo mundo é certinho.
Todo mundo tem medoDo próprio mundinho.

Quando Entendi...


Quando pai entendi porque meus pais brigavam tanto comigo
Quando motorista entendi porque as buzinas sempre soavam com coisas
Que julgava, eu, tão bobas.
Quando rico entendi a miséria do pobre
Quando desesperado entendi a necessidade do religioso em buscar a Deus,
O mesmo que outrora eu desprezava
Quando triste entendi a necessidade do amigo que sempre forçava
Amizade quando eu menos queria, com piadas e prosas
Quando Sol, entendi o prazer de pisar em poças d’água indo pro serviço
Quando magoado por palavras duras, entendi porque ninguém me entendia
Nos meus dias maus em que não queria conversar
Quando adulto entendi a graça de ser menino
Quando apaixonado entendi as baboseiras que outros falavam pra min
Em situações de amor e paixão, contos maçantes de amor que pareciam não ter fim
Quando filosofo entendi minha ignorância que tanto defendia
Quando desprezado entendi o valor de dar ouvidos
A todos meus colegas e amigos
Quando pobre entendi porque o valor da beleza e vaidade não são tão
Importantes quando não se tem um feijão na panela
Quando feio entendi como é ruim ser vaiado pelos olhos rodeadores
Quando namorando entendi porque tinham tantos ciúmes de min
Em conversas simples e inocentes
Quando cego entendi a visão
Quando desempregado entendi o serviço chato que antes efetuava
Quando tolo entendi a tolice dos sábios
Quando com o rosto machucado entendi que não era tao feio como dizia
Ao olhar pro espelho em dias de solidão ou ate em dias normais
Quando filho único entendi o valor das brigas pelo canal do desenho ou da novela
Com minha irmã
Quando órfão entendi os exageros de meus pais ao me adularem
Quando sozinho, entendi que tudo na vida tinha um motivo, uma razão,
Da dura a mais leve, tudo vem e nos ensina que a persistência não anula os pontos fracos,
Mas os fortalece. Que nem tudo é bom, e que, na maioria das vezes é melhor viver na sombra, no escuro.
E é lá que compreendemos boa parte da vida, pois a maioria dela, por mais que ignoremos, é tristeza, dor,
Porem é nessa agonia nesta escuridão, que tirarei meus melhores momentos, aqueles dos quais darei como resposta
Para o próximo desajeitado e desafortunado que me pedir uma luz.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Inspiração...


Fui compor uma canção
Só que o dia não deixou
Estava chovendo sem o sol
E meu coração não se inspirou.

Peguei meu violão para guardar,
No teto tinha uma gotera.
E foi desse jeito que escrevi
A melhor canção da vida inteira.

Olhar pra fora é inútil
Aprendo com tudo aqui dentro.
Se não consegues aprender
Tu não vives, eu lamento.

Grandes homens...


Pobre dos homens,
No calor, clamam desesperados por chuva
E quando a tal vem, eles são os primeiros a fechar
As janelas.
Louca sabedoria.
Reclamam da dor no mundo e as vezes
Sentem ate pena dos que morrem em catástrofes
Mas se batem em suas portas pedindo um bocado
Trancam a sete chaves seus corações.
E o pior de tudo é que julgam todos errados
Mas se interrogados, contradizem-se
Mais do que uma pista de mão dupla
Em via de cinco faixas.
Pobres.
Sábia loucura me deixa confuso.
Se estão em um ponto preferem um outro
E se não se acham, falam que é o mundo
Que é um perturbado e um tanto confuso.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Felicidade é...



Trancar a porta da casa com janelas e tudo
Depois de um aviso de guerra nuclear.
Levar tudo que mais ama pra dentro
E dizer que a paz é estar dentro do lar.

Chutar o pau da barraca de verdura
Abrir um quiosque de doce de mamão
Dizer que fez um bom negocio
E comer o resto não vendido com a mão.

Felicidade é isso ai, fingir ter o que não tem.
Abraçar a esperança com amor,
Buscar sobreviver apesar de tudo
E não mostrar o segredo pra ninguém.

Intervalo Johniano, opa...

Feliz é quem não tem a mínima idéia do que é ser feliz.


Não quero ser velho. Os velhos usam barbas e falam sobre quando novos.

A pessoa que inventou a matemática ouviu a seguinte frase antes: Pronto! Não tem mais nada pra fazer.

Amigos são muitos. Poucos são aqueles que pertencem a você.


Quando tudo estiver ruim, pense: Podia estar melhor!

Uma pessoa criativa é quem vê o mundo por trás de seus próprios olhos e inventa outro, já que não pode sair para viver.

Há dois momentos; o agora e o agora. Os outros foram inventados para substituir as coisas que perdemos.

Deus existe. O que não existe é você.

A melhor pessoa para se amar é aquela que você pensou que nunca iria amar.

O poeta sofre com duas leis: a da gravidade que insiste em querer manter seus pés no chão sem êxito e a da ação e reação que o faz sofrer sem causa alguma.

Queria escrever um livro. Só que não tenho dinheiro para os atores e não agüento trabalhar com pessoas.

Todos dão ouvidos aos grandes gênios da nossa historia, mas ninguém ouve a mãe quando ela diz que fulano não presta.

Tua dor é Dor.
A Dor do vizinho é situação
A Dor do mundo é resultado
E todo mundo pensa que sofre junto.

Peço a Deus perdão.
Porque pequei?!
Não!
Porque vivi sem muita emoção.

Há três verdades; Pai, Filho e Espírito Santo. O resto é verdade.

Quando eu ver a Verdade vou dar-lhe uma bela de uma surra. Passou pelo mundo todo deixando pedaços de suas tralhas largadas por ai.


Só existe uma realidade, o resto é historia daquele velho da esquina.

Todo mundo tem um amigo
Que nunca pensou em ser amigo
E quando menos imaginou
Tinha um S no final.

O velho e o fumo...

Mascava o fumo bem tranqüilo
Olhando a rua lá no fim
Sem camisa e já velho
Ele já não era tanto assim

Deu uma cuspida de fumo no chão.
Tantas coisas já veio saber.
O que será que olha o velho?
Acho que tudo que não podemos ver.

Telefonema...

Meu telefone tocou
Será que é ela?
Acho que não devo atender
O que vou dizer?
Não! espere.
E se ela quiser namorar?
Aposto que quer
Ou não quer?
Não. Não quer, sou estranho.
Disse umas coisas românticas
Mas não eram tanto assim.
Deve estar ligando
Para dizer que não vai dar
Pena.
Amava tanto ela.
Não.
Não vou atender.
Não vou agüentar esse fim solitário
Da próxima vez serei menos eu
Assim estará mais garantido
Sim. É o fim da minha busca.
Deixe tocar!
Ela não me quer
Sou muito pouco. Adeus.
A porta fecha.
Secretaria eletrônica:
Alo, esta ai?
Aloo! Tem alguém ai?
Liguei só para dizer que
Tudo que me disse antes
Foi ridículo.
Me senti oprimida
Com tanto amor que me mostrou.
Por isso acho que não.
Não vai dar para viver
Sem esse seu enorme amor
Dentro do meu coração.
Desculpe.
Tu. Tu. Tu. Tu. Tu. Tu...

Como conquistar...



Talvez se eu for meio alegre
E triste com esse amor, ela me note
E me deu um beijo no fim.
Ou posso tentar ignorá-la
Assim serei seu jogo de superação.
E quando ela achar que esta me amando
Na verdade estará satisfazendo seu proprio coração.
Na verdade não a quero.
Só quero ter o prazer do teu olhar
Que assim me sentirei amado
E satisfarei o meu amor com um suposto amar.

Epifania...



Me desculpem mas não consigo ser feliz como vocês.
Prefiro viver infeliz vendo toda a dor minha e dos outros
Do que me iludir com alegrias egoístas
Que me acomodam a continuar pensando em flores e amores.
Talvez assim também sou feliz
Sendo infeliz inteiramente ciente disso.
Pena. Busquei a felicidade, cai na infelicidade
E descobri que só olho pro meu próprio nariz.
O triste é que me torno louco e achavascado com esse meu ser
Mas enquanto sou besta e idiota aos seus olhos
Seus olhos são pérfidos, retardados e ridículos
Aos meus que tentam de outro modo viver.
A vida é extremista, é boa e ruim. Nela contem os dois lados
A única diferença minha pra você
É que enquanto tu vives a rir de olhos fechados em cima de tua alegria
Eu choro e gargalho em cima de minha bela e triste epifania.

Seu José...

Seu José era cabra bom,
Pena que aconteceu aquele incidente.

Seu José tinha uma mulher,
Se chamava dona Maria.
Dona Maria morreu de velha
E seu José ficou só
Só com seu amigo de antiga.
Seu José tinha duas filhas.
Uma moça bela outra gente fina.
A moça bela num belo dia
Conheceu a ponta da faca de seu marido,
Na verdade vinte nove pontas de faca.
Seu José vendo o corpo da moça bela
Perguntou “quem?”.
“O marido dela seu José”.
“Obrigado”.

Três dias depois é encontrado o corpo,
O corpo peneirado do marido da filha de seu José.

Seu Jose era cabra bom.
Pena que seu amigo não.
O marido da filha bela de seu José era primo
Distante, quase sobrinho do antigo amigo
Que ficou quando dona Maria foi.
O antigo amigo de seu José, fez um filho
Na moça gente fina, partiu-lhe o coração
E sumiu no braquiarão.
Seu José perguntou;
“Quem minha filha?”
“Seu antigo amigo meu pai!”
“Obrigado. Vou sair”
Depois disso passou meses
E seu Jose nunca voltou.

Seu Jose era cabra bom.
Pena que o marido de sua filha
A vida dela tirou. Se não fosse isso
Seu José não mataria o enteado que
Conhecia o amigo que todo dia
Se juntava a ele e sua agonia.
E talvez assim nunca iria
Varar o mato seco atrás dum cabra safado
Que pra se fazer de vingado
Um filho na moça fina colocou.

Seu José era cabra bom.
Exemplo de vida e amor.
Criou sozinho a mulher as filhas
E a própria vida com temor.
A mulher partiu alegre, a Deus foi conhecer.
A filha bela deve ter chorado
E a seu Jose fez mui sofrer.

Reza a lenda que seu José
Ainda vive a viver.
Mata cabra bandido,
É só na frente aparecer.

Conheço uma bastarda
Que anda por ai.
“Vou atrás do meu avo,
Que encontro qualquer dia.
Tenho sangue de Jose,
Meu nome é Jose Maria.”

Seu Jose é cabra bom...
O seu sangue que é ruim.

Intervalo...


Como é bom ser criança
Infantil e inocente
Passa a vida sem saber
Que quando cresce é diferente.

.............................................


Eu tinha um hamster,
Se chamava Jericó.
Jericó não era eu
E nem eu era Jericó.

............................................

Sistema de pensamentos;
Vou lavar a louça,
Louça,
Louca,
Louca, pouca,
Touca, tocava.
Touca, loja compra,
Louça, agente lava.

...........................................

-Toc toc!
-Quem é?
-Se quisesse falar gritava “sou eu!”.

..............................................

-Alo, fulano esta?
-Sim, é ele!
-Desculpa, foi engano!

.............................................

Pobre dos homens que não tem fé.
Na vida tão fortes, se julgam ateus,
Mas no leito de dor só lembram de Deus.

Algo no Nada...


Eu não tenho nada.
O nada que me faz algo
Se não tenho nada tenho logo
Algo.
Pena que tenho algo
Queria ter nada para não ter algo
Pois o algo pode ser nada
E ter nada é ter algo.
Então eu tenho algo
Esse algo que é nada
Que ilude meu vazio
Fingindo ser algo
E preenche todo espaço
Do nada com algo, enquanto
Poderia ter algo no nada
Que seria tudo e não pranto
Do meu algo iludido
Que insiste em fingir ser
Algo no nada
No meu tudo perdido.

Triade do meu amor...




Ouvi uma canção,
Tinha apenas umas três notas.
Era no compasso do meu coração,
Era a Tríade que só tu tocas.

Um dia ouvi um metal
Era trash casual.
Parecia com seu amor,
Bem pesado e anormal

Pode vir samba, pagode,
Ieieie, bolero e mpb,
Ninguém quebra o dedilhado
Do que você sabe fazer.

Seu beijo tem som de clássica
Seu olhar é meio pop
Seu gingado é erudito
Em batida de hip hop.

Sua graça é de forró,
Quase rasta-pé emaranhado.
Os dois assim bem juntinhos
Dão um tango bem dançado.

Em toda tua nona sinfonia
Há duas coisas que gosto mais;
Do teu blues bem carinhoso
E do teu jazz que me atrai.

Garotinho sonhador...


O garotinho recortava o papel
O papel era o garotinho
Nele era recortado todo o céu
Nele iam os sonhos de menino.

Meio torta a tesoura ia
Mais rasgava que partia
Não sabia o garotinho
Que falta a folha faria

Depois de tudo bem picado
Uma olhada ele deu
Viu que seu sonho bem rasgado
Ainda não desapareceu.

Fez uma fogueirinha
E torrou o picadinho.
Na fumaça o garotinho,
No fogo o sonho morria.

Eu sou Ninguem...


Eu sou Ninguém
Nasci numa cidade chamada Ninguém
Pais de descendência Ningueniana.
Brincava de esconde esconde,
Nunca me acharam,
Pois sou ninguém.

Chorei por ser ninguém
Ri por ser ninguém
Estou aqui só em minha casa.
Fui abandonado por minha mãe
Ela não queria ninguém.
Fui largado pela vida,
A vida quer os Zés,
Não os Ninguens.

Ninguém.

A muito tempo me apaixonei
Por Alguém. Disse que me amava
E disse que “pra ti escreverei”.

Estou esperando noticias de alguém.
Estou esperando em lugar nenhum
Que me entreguem
Minhas cartas,
As cartas a Ninguém.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Hoje ta pior...


Antigamente era ruim
Hoje esta bem pior.

Antigamente abafavam pensadores
Hoje não existe mais o ‘pensa’
E todos se contentam com as ‘dores’.
Antigamente era Luta, ideal.
Hoje Ideal é detergente
E luta é egoísta, pessoal.
Antigamente tinha inovação.
Hoje é tarde de domingo
É Domingão do Faustão.
Antigamente havia honra
Hoje é “questão de mulher”
De homem, a meta virou zona.
Antigamente é como Hoje.
Sonha-se tanto com antes
Que esquecem de viver os agoras,
As vidas, os presentes.

Mito de Tofí...

Filosofia. Um dia desses estava num papo, esses assim que saem de outro papo que veio de outro e por assim vai. E cheguei à conclusão, junto com meu companheiro de devaneio, que filosofia não existe mais. Sim, isso mesmo que você leu. Calma, ainda não questione, primeiro me ouça. Lembra-se de Aristóteles, sim, aquele barbudo abusado que vivia há pouco tempo atrás? Calma, esqueça-o. Não quero falar dele. Vou te dar um exemplo melhor. Digamos que existe um monstro, e esse monstro tem o nome de ToFí , que aqui quer dizer ‘toda filosofia’, o nome é de criação minha, sem muita etimologia complicada. Tofí é um monstro confuso que em um belo dia se perguntou porque não podia voar. Daí Tofí, começou a pular e pular, dava saltos longos, mas não voava. Tofí sentou-se numa pedra, razão, e começou a questionar suas próprias pernas, dizendo que elas eram muito fracas para pegar impulso para começar a voar, só que após a bunda de Tofí começar a doer um pouco, ele se ajeitou na pedra e viu que o problema não estava em suas pernas e culpou o chão, sim, o chão. Dizia que o chão tinha uma paixão enorme por ele, e que o chão o amava tanto que o prendeu bem pertinho dele o privando de voar. Tofí se mecheu mais um pouquinho na pedra e começou a pensar em uma maneira de passar a perna no chão. Começou então à riscar, ali mesmo, na areia, idéias e teses de como deixar o chão. O que Tofí não sabia era que tudo que ele escrevia, o chão aprendia também e algumas coisas o chão já sabia e ate o corrigia. Tofí começou a fazer formulas, de tantas formulas viu que o chão tinha uma ligação com o céu, e começando a estudar o céu, viu que ele se ligava ao vento, e o vento por sua vez se ligava às belas formas das rochas, e as rochas às pedras, e as pedras à areia, e a areia as plantas, e as plantas aos seres vivos, e os seres vivos ao mar, e no mar viu que os seres voavam. Tofí levantou depois de ter deixado a pedra já lisa, praticamente escorregadia e gasta, saltou e gritou para o chão, “já sei como voar, não dependerei mais de você”. Começou então a formular idéias de como chegar ao mar, só que não sentou na pedra para escrever no chão, ele temia que o chão descobrisse suas idéias e o detivesse, ficou em pé mesmo, sem escrever nem falar, só com os pensamentos em sua cabeça, pena, antes tivesse gasto todo o resto da pedra, talvez assim não correria desesperado para o rumo do mar achando que poderia voar e deixando um resto de escrita mau terminada que um dia seria vista por seus sucessores e que ao invés de sentar na pedra para analisar, sentaram ali mesmo no chão, ao lado de idéias mau acabadas, aceitando tudo como se fosse realmente tudo. Novamente a palavra pena, antes tivessem eles sentado na pedra, assim não achariam que tudo se resumisse naquilo. Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com filosofia? Bem, não sei. Provavelmente rele-lo com mais atenção vai te fazer pensar em uma explicação racional para cada acontecimento acima citado, te tornando um filosofo. Se você não fizer isso, eu estava certo. E também, para completar o blá blá blá, toda a verdade de hoje pode ter sido uma mentira não entendida, depois analisada, e tida como verdade, e talvez a mentira que hoje conhecemos pode ter sido uma verdade mal compreendida. Assim, é melhor constatar que os sucessores de Tofí apenas sentaram no lugar errado. Merda, temo que um desses sucessores seja meu cunhado, não pela filosofia, mas por ter sentando no lugar errado.

Róuvos...


Onde era? – perguntou-me o garotinho em uma conversa no banco da rua – aposto que nunca foi lá. É um lugar impressionante, sem igual. Os rios, que ficam um pouco distante de nossa visão, porem alcançáveis. Parecem mais com Rubis verdes, sim Rubis. Milhares e milhares deles boiando e correndo sem direção. Não se sabe de onde vem nem pra onde vão os rios que correm lá. E também, é impossível acompanhá-los, você só pode vê-lo sumir no horizonte, tentando imaginar pra onde vão, mas não me importa, o próprio lugar por onde esse rio passa já é impressionante. O céu, não é azul, isso, de onde eu estava, não havia céu, somente as estrelas e outras galáxias, ou melhor dizendo, não há barreiras como nuvens ou o azulado de um dia ensolarado atrapalhando a visão da imensidão sem fim, mas o dia é claro como qualquer outro aqui, ou ate melhor. Lindo! Ouvi dizer que após o rio, é possível alcançar outros mundos, mas sabe como é, muita especulação. O que mais me fascina é o solo, não ri, falo serio. O solo é diferente de qualquer coisa que já vi, é difícil ate de falar. Ele se alimenta das arvores. Todo o seu sustento vem das folhas, troncos, caules, ervas, gramas, e que grama, dourada e brilhante, um sistema que parece loucura aqui, praticamente impossível de se imaginar. Pensei em pegar um pouco para mostrar aos outros, mas não deixaram. Perguntou quem – Isso é uma boa pergunta. Nunca os vi direito mas me pareciam que estavam transitando pra lá e pra cá, causando ate um certo achaque no começo, mas logo me acostumei. Acho ate que falei com um. Ou não falei? Á, deixe voar. Continuando, eles são magníficos. Sabem como cuidar da grama dourada, dos rubis, das espécies de vegetação e todos os outros tipos de coisas que há naquele lugar cujo te falarei depois. Impressionante... não, espere, Magnífico... sim, magnífico! Ótimo lugar para conviver a não ser pelas Róuvos. Não precisa perguntar, sei que não faz idéia do que são. Eu também não sabia, mas um deles, daqueles que caminham o tempo todo mas não da pra vê, me ajudou. Acho que foi ai que falei com eles, sabia que tinha falado! Acho que aqui Róuvos poderiam ser chamadas de tempestades, mas não uma qualquer. Imagine furacões fortes junto com chuvas de pedra e um assovio do vento ensurdecedor, imaginou? Róuvos são piores. Quando chegam, conseguem esconder a imensidão alem das estrelas. As arvores balançam com uma fúria humana, procurando ao seu redor alguém para agredir, suas folhas não voam como aqui, se pregam mais forte ainda aos galhos, parecendo ate gostar do gosto do ódio. Pena, perguntei de onde viam as Róuvos, eles me responderam que eles saem do começo do rio e vão para alem dele. O que muito me impressionou naquele tempo que estive lá, pois como sabem que os Róuvos vão para alem do rio se nunca o acompanharam? O intrigante do momento, enquanto os Róuvos demonstravam sua força ali com seus ventos, assovios, trovoes e águas fortes que não faço idéia da onde saiam, é que enquanto observava seu furor, olhava o bailar das arvores ou o chacoalhar daquele rio de Rubis, foi crescendo em min um desejo, perdoe-me ate, mas era um desejo assassino, eu queria ajudar os Róuvos. Me pareciam fazer mais que o certo, me pareciam extremamente no direito de acabar com todo aquele amor que aspirava naquele lugar. Olhava fascinado para os trovoes. Os clarões ofuscavam os meus olhos. O vento sacudia meu cabelo quase arrancando-o fora. Era estupendo ver toda aquela devastação. Perdido nesse espetáculo, os Róuvos conseguiram tirar do meu interior um egoísmo, uma fúria, uma dor insaciável pela miséria que não consegui segurar um brado estridente. Gritava sem ser ouvido. Sentia agora os Róuvos dentro de min. Meus braços se esticavam e pude quase tocar os Róuvos na ponta dos meus dedos, meu coração estava sendo arrebatado enquanto fechava meus olhos em meio à devastação. A liberdade era evidente. De repente, tudo pára, o rio continua a correr pro alem, as estrelas já podiam ser vistas novamente, as árvores, gramas e ate os que caminhavam já podiam ser sentidos ao meu redor. Senti-me humilhado. Uma humilhação curiosa, pois não fui repreendido, não me viam, penso eu, não me calaram mas mesmo assim me senti humilhado. Não sei ainda o porquê mas me parece que era coisa que Róuvos faziam com todos os forasteiros daquela terra, forasteiros esses que nunca vi mas que me pareciam ter passado por lá. Liberdade... humilhação. Nada de filosófico, simples apenas, liberdade... humilhação.
O que aconteceu depois? – Calma meu garoto, você vai saber. Depois do acontecido, dei uma volta por aquele paraíso e sentei a beira do rio, olhando a maravilhosa cor e o esplendoroso perfume da água, sim, um perfume mais atraente que mirra. Pensei, acho que horas, sobre tudo ali, mas então, fui interrompido por uma imagem ruiva e brilhante que ponteava no horizonte do rio. Haa... se há algo que me lembro bem, é daquele momento. Não podia á ver direito, mas sua beleza era tamanha que se fazia sentir de longe. Lembro-me dos ruivos cabelos que me pareciam lisos e cacheados, e se não me engano, o que duvido muito, quando aquele fragmento de estrela virou-se para correr junto com o rio pro alem, deu pra ver um brilho mel em seus olhos, mel claro e estrelado. Você é novo, mas quando crescer saberá, quando a paixão bate, as pontas dos dedos gelam. E o intrigante é que gelam enquanto o corpo todo se esquenta e o mais estranho ainda é que onde eu estava, lá na beira do rio, meus dedos gelaram tanto que quando dei-me por min tive que chacoalhá-los pois nevava da palma da minha mão. Antes que pergunte, sim, acabara de me apaixonar. Levantei num pulo já com a idéia fixa de que correria ate ela. De súbito não senti mais eles andando ao meu redor, pareciam agora me observar, talvez não acreditando que me atreveria a tanto. Era estranho, pois mesmo não os vendo, podia sentir suas feições, seus gestos, sentimentos e parecia que não queriam me deixar ir. Observei por um tempo o nada ao meu redor, despedi-me dos nadas ao meu redor. Agradeci e fui ao horizonte, junto com os rubis.
Não sei o que aconteceu. Quando vi já estava aqui, neste mundo. Não encontrei a bela moça ruiva, não vi o fim do rio nem pra onde os Róuvos iam, nem ao menos sei de onde vim e pra onde vou. Sei que estou aqui, ao lado de um garoto, contando uma historia que provavelmente ira morrer comigo como uma lenda ou mito. Nem adianta tentar consolar-me meu pequeno. Neste mundo onde nos encontramos o que conta é a realidade, um conto como esse seria só mais um em milhares de outros. Sinceramente, as vezes penso que os Róuvos estão aqui também, só que mais camuflados do que naquele lugar. Talvez quando andei, cheguei aonde os Róuvos chegam. Penso eu que esse nosso mundo tão “real” é composto por criaturinhas levadas e manipuladas por Róuvos, que a despertaram daquele paraíso, e as trouxeram para cá, para o mundo dos Róuvos. Mundo das calamidades, do ódio, da dor e da falsa liberdade.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Morava um Coelhinho no buraco do chao...


Morava um Coelhinho no buraco do chão. O coelhinho morava no buraco. O pequeno coelhinho não gostava de sair pois tinha medo dos tamanduás que riam e riam de seus dentes que não eram de tamanduás. O coelhinho não saia porque tinha medo dos leões que riam e riam de sua pele branquinha tão diferente da deles marronzinha. O coelhinho tinha medo de sair pois o vento que voava, assobiava sem ser visto e o coelhinho achava que o vento também dele caçoava. O coelhinho morava no buraco do chão. Depois de muito tempo no seu buraco, o coelhinho armou um plano; rolou na lama e assim como os leões ficou marronzinho, marronzinho. Aprendeu a assobiar e a mexer com o mundo sem ser visto, assim como o vento que chacoalhava, chacoalhava as folhas, arvores e tudo. De tudo ele deu um jeito, porem os tamanduás ainda riam dele, então pensou; “focinho de tamanduá eu quero ter”. Amarrou um galho grande em sua boca e de seus dentes os tamanduás não riam mais. Todos respeitavam o coelhinho pois ele tinha a pele de leões, o focinho de tamanduá e a força e ousadia do vento. O coelhinho era feliz. Tinha tudo que os outros queriam, mas o que queria o coelhinho? Os predadores não tentavam mais pegar o coelhinho por causa de sua pele marronzinha que não era de coelhinho, então o coelhinho viu que podia se proteger dos animais se continuasse com sua pele marronzinha. Sempre que o coelhinho achava que alguém iria tocar em sua pele, ele rosnava como o vento e balançava seu focinho de tamanduá para ninguém a pele marronzinha poder tirar. Todos gostavam do coelhinho do buraco. Ele era forte como um leão, poderoso como o vento e sabia lutar com seu focinho de tamanduá. Todos gostavam do coelhinho, porque de todos ele tinha um pouco. Mas quem era o coelhinho? Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais a sua toca, aquela que a protegia dos predadores. Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais seus dentes, aqueles que roíam os alimentos para não o deixá-lo morrer. Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais a sua pele, aquela que sempre o protegeu do frio e que era veluda e aconchegante. Um belo dia o coelhinho que morava na toca, achou outros coelhinhos que moravam no tronco de uma arvore. Os coelhinhos que moravam no tronco de uma arvore eram peludos com uma pele branquinha, sabiam correr e assustar os predadores como todos os coelhinhos do tronco fazem. O coelhinho que morava no buraco do chão ficou maravilhado; “que pelo lindo esses coelhinhos tem, que agilidade magnífica esses coelhinhos tem, parecem ate o vento. Que dentes fortes e potentes esses coelhinhos tem. Como são lindos esses coelhinhos. Quantos talentos esses coelhinhos tem. Que pena, queria ser um coelhinho”. O coelhinho da toca ficou alguns dias com os coelhinhos do tronco e aprendeu varias coisas, porem, sempre que os coelhinhos do tronco tentavam ajudá-lo com seu focinho forte, e com seu pelo marronzinho de leão, o coelhinho se fechava e dizia; “vocês não sabem o que é ser coelhinho. Um coelhinho sofre com seus dentes, sofre com seu pelo frágil, sofre com sua falta de força”. O coelhinho do buraco foi embora. Durante sua vida, o coelhinho sempre se defendia com seu focinho de tamanduá, com sua pele de leão e sua força de vento. Em meio à caminhada para seu buraco no chão, achou um coelhinho branquinho, dentuço e fraquinho. O coelhinho ficou com medo mas o coelhinho do buraco disse que não precisava ter medo. O coelhinho do buraco ensinou o coelhinho a ser coelhinho. Ensinou para que funcionava sua pele branquinha e frágil, seus dentes grandes e poderosos e porque ele era tão pequeno e impotente. O coelhinho ficou mais forte e agradeceu ao coelhinho do buraco e perguntou; “quem é você, para sempre poder te agradecer?”. O coelhinho pensou, pensou, pensou, pensou e nada respondeu. Virou-se e voltou para seu buraco. “Que bicho sou eu?”. O coelhinho que morava no buraco ficou triste. Não sabia se era leão, vento, tamanduá, coelhinho ou sei lá. O coelhinho do buraco voltou para seu buraco.
Morava um bicho no buraco do chão. O bicho morava no buraco. Um dia tentaram amar o bicho que morava no buraco do chão, mas o bicho não deixou ser amado, pois só os coelhinhos podiam ser amados, e ele não sabia se era coelhinho. O bicho não sabia que bicho era e tinha medo de machucar os coelhinhos, leões, tamanduás e ate o vento. Não sabia ele que todos amavam o bicho que morava no buraco do chão.
Morava um bicho no buraco do chão. Havia um coelhinho no bicho que morava no buraco do chão.
Havia um coelhinho em algum lugar. No tronco da arvore, na caminhada da vida ou ate em um buraco no chão. Há um coelhinho.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vida...


Finalmente voltei ao fim do começo de tudo.
Aprendi que passeei por todo o mundo
Chamado Vida
Para descobrir que o tudo não tinha fundo

Eu vejo.

Flores de inverno deviam durar mais
O frio preserva, congela. Podiam ficar brancas também
Assim queimaria uma arvore pra pintar a paisagem
Com o carvão e ver se poderia eu, reinventar os animais.

A vontade.

O céu é azul por causa do mar que reflete a sua cor
Ontem olhei para o alto e vi um pedaço do céu verde como alguns pontos do oceano
Ficou escuro e fui dormir. Os peixes continuaram a voar mesmo sem mim.
Solipsista que sou, fiquei só enfim.

Da loucura.

O vento enamora as folhas. Quando brigam o vento não sopra e as folhas não balançam
O meu quintal se escurece quando o mar é poluído. Posso ver os
Vultos meio embaçados que vem regar o desespero. Pensam
Que não os vejo, mas eu vejo. Nunca ninguém viu, só eu e meu Eu.

Tomar.

Porque a mosca ainda voa? Que tola, não sabe ela que um dia é curto?!
Deve voar por causa disso; para enrolar tempo já que um dia é tudo.
Inevitável. Moro com moscas. Moscas. Moscas. Moscas.
Moscas. Moscas. Parem de voar! O tudo é pouco e o fim diz tudo!

Conta.

Eu tenho um segredo; ontem vi o fim de tudo!
Porque os sapos berram? Era já conhecido.
Ela anda ate min, quem é você? Moscas. Moscas. Moscas...
No começo je peux ir ao lac. Eu tenho duas asas!

De mim!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cego Voluntariamente


Ó angustia, fique comigo!
Ao teu lado reconheço
O valor das coisas
E tudo fica mais bonito.
Ó tristeza do meu peito
Como poderei te agradecer
Por mostrar o valor da dor do amor
Que insisto em querer ter?

Ó vida miserável!

Como posso ser tão vago assim?
Como pode sentimentos tão estúpidos,
Mostrar que sempre me iludo
E vivo a correr de
Mim!?

Conversa Fiada


Quem vai ouvir o homem da lanterna
Que grita em vão no escuro
Tentando acordar os que dormem?
Quem dará trela para o louco da caverna?
Acha que conheceu o mundo todo
Mas acabou morto por sua idéia.

Ninguém.

Ninguém crê na odisséia.
Não há ninguém capaz de ver a verdade
Todos movidos por vontades
Vontades insaciáveis de Mais Mais...

Crepúsculos desvairados.
Acreditam que podem reinar
Na noite também.

Alegra-te então
Na tua rosa muxa!
Brinca na ilusão
De secar o mar com uma bucha!
Não há super-homens nessa ladainha.
O fim que um a cem anos teve
Tu terás também.
Aproveite entao,
Aproveite tua ilusão!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Amor é Masoquista

O amor é masoquista
Insiste em querer sofrer
Busca sempre seu oposto
E de mais nada quer saber.

Se contenta com a dor
Como se fosse natural.
Na verdade é bem normal
Em quem já tem tão grande amor.

Se tu já passa os sintomas
Procure logo se curar,
Pois no coração de quem ama
É tudo dor, é tudo amar.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

deus


Pobre dos homens
Tendem a buscar deus,
Assim mesmo, bem pequenininho,
Com ‘d’ de deusinho.
Quem dera conhecessem Deus
Com ‘D’ imponente
Um ‘D’ bem valente
Que mitiga o necessitado.

Mas não.
Só vêem o ‘d’
‘d’ de dor, desamor.
‘d’ de “desgraçados dos homens”
‘d’ de desordem total,
De desilusão, ‘d’ de destruição.

Quando será que vão
Aprender,
E entender, que Deus,
Assim bem grande,
Não é ilusão.
Que só é bem pouquinho
Porque insistimos e confundi-lo
Com ‘d’,
De deusinho.

Religiao...

Se o assunto é vida depois da morte, é um assunto muito importante. Porque? Simples. Se você acredita que a vida não acaba aqui, vai cuidar para ter uma vida melhor do outro lado, depois da morte. Logo é preciso achar um caminho, um meio, uma direção que te mostre o lugar e como chegar lá. Provavelmente as religiões servem para isso. Para dar instrução aos perdidos de como chegar à plenitude, a Deus, ao paraíso, ao nirvana. Se você esta em uma, é porque tem uma certa preocupação de como vai ficar sua vida depois da vida, nem que seja uma preocupação bem pequena. Isso é natural de qualquer pessoa que se aboleta em uma determinada religião, garantir seu futuro depois da morte. Mas há um pequeno problema, é onde a coisa fica confusa. Existem varias religiões, varias instruções de como chegar a vários lugares diferentes depois da morte. Sinceramente não acredito e vários fins, se houve um único começo, haverá também um único fim, tipo aquelas maratonas que acabam no ponto de partida. Seguindo o pensamento, se nós conhecemos vários fins quando na verdade só existe um, quem estará com o mapa certo?
Se isso não te preocupa, é porque, ou não acredita em vida depois da vida ou tem uma religião, mas não se preocupa com a veracidade do fim que ela te mostra, logo você se encaixa nas teorias de que a religião só veio pra suprir uma carência, um medo da morte e você só esta nela para sustentar seus sentimentos fracos, naturais de qualquer ser humano, e não esta tão preocupado assim com a morte.
Outra, como saber qual é a certa então? Boa pergunta. Depois de milhares de anos de uma disputa egoísta, que se apoiou na religião para sustentar seus ideais, é difícil achar a pureza e verdade em cada uma delas. Da mais humanista a mais capitalista, todas tem um dedo humano no meio. Todas se aproveitaram do nome de Deus, abusaram do seu nome limpo na praça e sujaram-no. Evangélicos, católicos, budistas, espíritas, mulçumanos, etc, varias e varias “verdades”.
O que fazer? Sou a ultima pessoa do mundo capaz de responder a essa pergunta. Mas o primeiro passo é Pensar, criticar. Não ter medo da verdade.
Agora, se você acha isso uma inutilidade, não desperdice o seu tempo, porem “eu queria ver a cara dessas velhas corocas quando descobrirem que o inferno existe mesmo”, como já dizia Mario Quintana.
Infelizmente, acho que essas questões só serão respondidas, se forem, quando eu ou você chegarmos ao começo, ou ao fim. Enquanto isso não acontece, vou buscar o Criador, tentar entender pelo menos uma parte da historia toda, e talvez quem sabe, depois eu me junte a Ele e fique admirando os seres e suas “sabedorias”.

“Mais que amor, que paixão, que alegria, mais que felicidade... me dêem a verdade”.