quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Ânimo, do latim, Alma

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A gente só cansa as vezes.

O sol acordou e a cama não nos larga. A noite foi mal dormida e a insônia é sempre a melhor companhia. Sair não é mais tão interessante e as discursões perderam seu brilho.

Desista-se dos sonhos, desejos, vontades e a única coisa que queremos é um lugar de silêncio pra tomar um chá.

A gente só cansa as vezes.

Cansamos do trabalho, das pessoas, da família, cansa-se da vida. Perde-se a tara pra sacanagem, pro álcool e outros prazeres. Cansamos de dar justificativas, de falar do amor, de rir das piadas e de tudo que antes era pulsão na nossa alma.

A gente só cansa.

E nem é mais tão sofrido, porque cansamos também do choro notívago, da auto crítica, de buscar soluções e das tristezas comuns. Cansamos de ficar cansados. Cansamos até de tentar morrer depois de tantos ensaios elucubrados.

A gente só cansa as vezes.

Cansamos de nós e da dura impossibilidade de poder descansar.

Cansamos de não poder ficar cansados. De estar sempre dispostos. Simplesmente cansamos.

A gente só cansa.

Cansamos do descanso e do cansaço. Nada demais. A gente só cansa as vezes.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cinema, cafuné e um sexo selvagem. Porque o Amor me da ranço

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Um cigarro de maconha, uma mancha de vinho no braço do sofá e a televisão ligada na netflix. Ozark, série da vez. Assim eram suas noites já faziam algum tempo.
Vez ou outra sempre tinha seus contatinhos prontos pra afagar seus desejos e bater um papo nos botecos das esquinas da Asa Sul em Brasília. Tinha até um em especial que era o que ela mais gostava. Mas ele se perdeu, “porque você veio com esse papo torto?” relembrou.
     Haviam se conhecido num aplicativo e se encontrado no Pátio Brasil perto do que antes era a velha fonte, “não sei porque tiraram ela daqui”. Foi uma noite “xuxu beleza”, como ele mesmo havia dito enquanto comia o resto da comida do Panelinhas na sua frente. Ela riu, ele tinha sido muito simpático e engraçado.
    Cinema, lanches, shows, bares, sexo e mais sexo foi dali em diante. Nasceram um para o outro. Dick e Jane, a dupla perfeita. Ela adorava seus papos. Astrologia, politica, filosofia, trabalho, teletumbies e até aquele desenho estranho com um menino e um cachorro amarelo. Ele era fã de Caetano mas dormia ao som de Slipknot. Vez ou outra entrava na Saraiva só para passar os dedos nos livros pra ter aquela sensação deles os pertencer. Ela adorava suas estranhezas.
    “Eu to gostando de você”, assim que ele fudeu com tudo. 
    “Qual o problema das pessoas?”, pensou. Porque tudo tem que acabar em namoro, casamento, filhos, noivado? Depois de algum tempo tudo que ela queria era alguém legal pra poder curtir os dias estranhos. Nada de possíveis namoros ou coisas sérias, só uma pessoa com seu mesmo animo. Achava que ele era assim, mas não foi.
     Celular vibrou. Era ele.
     “PORQUE SUMIU? TE FIZ ALGO? GOSTO DE VOCE”
Ela respondeu;
     “Você é legal, mas estamos em vibes diferentes”. Pauzinhos azuis sem resposta.
     Deu uma tragada no cigarro. Prendeu. Soltou. “Deus me livre do amor. Amor me da ranço.”

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

18/08/2017

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas sorrindo, bebê

Hoje faz 24 meses.
A vida é estranhamente estranha.
Eu escrevi e apaguei várias ideias aqui pensando num texto legal pra dizer como esse muleke com cara de velho é especial. Desisti de todas.
Se você já encontrou esse ser, com certeza recebeu um sorriso seguido de um "Oi" simpático e amigo. Talvez ele tenha estendido os braços pra te abraçar sem te conhecer e um provável polegar levantado sinalizou um joinha expressivo.
Ele não é o mais adiantado da sua idade, não fala muito bem e tá longe de ser um prodígio. Mas eu já vi um corredor inteiro de um hospital pedir seus "tchaus" enquanto ele ia de um a um com seu sorriso faceiro alegrar algumas almas doentes. Já fez um elevador lotado de gente rir com suas gracinhas enquanto alguns de nós nem "bom dia" conseguimos dar.
Ele não é especial. Nem pior nem melhor.
Mas tem algo que sempre vejo nesse olhar remelento. Vejo a Felicidade. A pura e simples Felicidade. A real Felicidade. A crença que todos são bons e tudo vai ficar bem. Que tudo se resolve com um "Oi" e um abraço. Que é possível ter paz em um mundo de trevas.

E eu, mergulhado em minha completa infelicidade, encontrei luz onde jamais imaginei. Em umas fraldas sujas e num par de olhos sorridentes.