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Mostrando postagens de Julho, 2017

Bilhete - #2UmCisco

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Tudo tinha voltado ao normal e ele agradeceu ao universo por isso.      Era seu primeiro encontro após aquilo que ele chamava de “A grande Decepção”. Sentado na mesa com sua nova companhia que havia conhecido tinha alguns dias, até que enfim a paz reinava e a vida estava andando.      Foi difícil, mas após meses de sofrimento ele conseguiu apagar ela de sua casa. O amor tinha ido embora, mas tinha deixado rastros por todos os lados. O travesseiro e fronha que ela havia trago foi o primeiro a pegar fogo.  Cada cômodo da casa guardava uma lembrança dela e ele não podia conviver com aquilo. Jogou tudo fora.  A garrafa de vidro para por água que ela havia improvisado, o narguilé, os cigarros e um maldito pano que ela usava frequentemente na cozinha. Livrou-se do shampoo ainda cheio que ela tinha comprado e até uma toalha azul que nem era dela, mas usava. Jogou fora as fotos, uma calcinha, as cartas e se pudesse jogar fora as blusas que ela usava de camisola, jogaria, mas elas eram b…

Uma Musicista de Merda - #1UmCisco

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“- A essência da música se baseia basicamente em Pausa e Som - um amigo havia lhe dito uma vez a muito tempo – assim como na vida. O problema é que a gente sempre faz barulho na Pausa ou cala a boca na hora do Som. Isso fode com tudo.”  Era festa na cidade, onde era certeza que ia encontrar ele. Virou seu copo de cerveja, escondida atrás de uma árvore, pois já tinha visto ele de longe e aquela maldita falta de ar e coração acelerado atacaram novamente. “Agora vai”, pensou. Desde seus onze anos o frio na barriga, o coração batendo forte e as mãos suando eram pandemônios dentro dela quando ele chegava. E nada havia mudado. Aos treze a desgraça do frio na barriga, o coração palpitando doido e as mãos encharcadas acompanharam o primeiro beijo, sem língua é claro, quem sabia beijar aos treze? Começaram a namorar, era eterno. Ai acabou. O Tempo confabulava contra eles desde então. A distância era grande e os encontros muito ocasionais. Ela solteira, ele namorando. Ela namorando, ele solte…

Eu saí com uma Ex

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Depois de quase dez anos a encontrei em uma rede social. Conversamos um pouco e decidimos nos encontrar. Uma sorveteria foi o local escolhido, eu sugeri um almoço, mas “conversar mastigando é ruim demais” segundo ela. Nosso relacionamento durou quase dois anos e deixo ao seu critério descobrir os motivos do término. O tempo que ficamos juntos foi ótimo. Morena dos lábios finos e uma voz suave, na época era uma princesa pedindo cuidados. Já havia visto todas as suas fotos na internet e ela ainda estava linda, o tempo até ajudou um pouco. No caminho para o encontro, me subiu um nervosismo infantil. A ideia de reencontrar alguém que já fez parte da sua vida faz pensamentos ridículos passarem pela nossa mente. Talvez fosse como nos filmes; anos sem se ver e no primeiro olhar o coração queima com uma paixão adormecida e uma nova história se inicia. Confesse, você também pensaria isso. Cheguei primeiro e fiquei sentado mexendo no celular. - Oi?! Levantei a cabeça e disfarcei a surpresa. E…

Um Hippie Covarde

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- Queria ter essa coragem – já estava a algum tempo conversando com um desses hippies que ficam vendendo pulseiras na rodoviária e a conversa se desenvolveu para além do produto de venda – largar tudo e viver de boa. - Largar tudo? – ele me perguntou simpático ainda trançando um cordão. - É. Minha vida uai. Ele havia acabado de me falar sobre sua vida até ali. Morava em uma casa de fundos numa cidade próxima e tirava todo seu sustento do seu artesanato. “Eterno amante”, como ele mesmo definiu, de outra moça que também compartilhava de seus gostos, os dois viviam bem. Viajou boa parte do país para vender suas pulseiras e não precisava se preocupar com a rotina frenética do mundo capitalista. Pretendia até o fim do ano ter um filho e completar uma família. - “Tudo” – ele deu um sorriso maroto – mano, você estudou a vida toda até conseguir um emprego que lhe fornecesse um dinheiro relativamente bom para comprar coisas relativamente boas para te dar uma vida relativamente tranquila. Pega…

Casou, e se fudeu

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O comportamento humano sempre foi muito previsível em várias partes. As fases de um relacionamento são praticamente iguais em todos os casos, tirando alguns detalhes. Nos apaixonamos, não vivemos sem, enjoamos, largamos, queremos de volta e agora mais maduros tentamos desfazer os males do passado. Às vezes a pessoa tem tudo que sempre pedimos e em outras tudo que sempre odiamos. Transamos no quintal ou enquanto se faz o almoço. Um sempre já foi romântico, atencioso, agora nem isso mais. As coisas mudam. Já me disseram; “Casamento é uma vida”. Isso faz um certo sentido. Afinal, quem de nós não quer dar cabo da vida vez ou outra, e em vários casos até conseguimos? Todos passamos por dias áridos, tristes, mas também por dias apaixonantes como se o céu estivesse mais brilhante. Às vezes estamos dispostos bendizendo as plantas do quintal e em outros, abrir o olho ao acordar é um sacrifício. Casamento é vida mesmo. Esquecemos aquele defeito do nosso parceiro como quem se acostuma com uma m…

Últimos Segundos

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A morte me parece muito mais doce neste momento. Lhe explico. Estou com o cano de uma pistola dentro da minha boca e o com meu polegar no gatilho. Tomei alguns remédios, mas tudo que me deram foi uma tremenda dor de estômago. Malditos suicidas que não deixam essas partes claras pra gente que vai logo depois deles. Enfim, consegui essa arma com um colega e até então só a tinha para futuros assaltos em minha residência, que digo de passagem não tem nada de valor, então não sei bem porque peguei esta maldita ferramenta de matar, talvez já premeditasse inconscientemente meu fim.   Nunca pensei que fosse ser um suicida, muito menos que aceitaria a ideia tão tranquilamente. Passei pelas fases comuns de todos eles e cheguei ao estagio final, a falta de vontade de viver. Como todos eles, também  tenho um motivo consideravelmente idiota para por cabo da minha vida e isso me dificulta nesse momento, pois não quero ser lembrado como um idiota. Não deixei recado nem liguei para ninguém, talvez d…

Apenas uma Aventura

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Ele falava empolgado com a boca ainda cheia de comida, o restaurante estava cheio e o barulho era alto, mas não era incômodo. Já estavam saindo há algum tempo e ela já estava começando a gostar dele. Era simpático, engraçado, os amigos o adoravam e tinha uma maturidade infantil que ela sempre gostou de ver nas pessoas. Ele falava algo sobre o trabalho, ela não estava dando atenção, apenas acenava com a cabeça fingindo que o ouvia e vez ou outra um sorriso esboçava pra participar do devaneio. Na sua mente um único pensamento a assolava; quando ele vai embora e me deixar aqui? Seus relacionamentos anteriores haviam deixado algumas lembranças ruins em sua mente e ela sentia que este também seria igual. Não dava pra saber. Enquanto ele cortava um pedaço de filé ela se lembrava de seu ultimo algoz. “Será que o problema sou eu?” pensava. O primeiro foi ainda quando ela era jovem, namorados e inocentes ate que ele chegou um dia dizendo que havia ficado com um ex e que gostava dele. Passou, …

Charles Sophie, esse era seu nome...

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O observava encostado na porta meio duvidoso sobre nossa conversa até ali.     - Eu lhe disse várias vezes e por dias incansáveis expus a realidade de nossas vidas. Não foi por falta de aviso nem de companhia que seu fim chegou – falava como se estivesse só – não te culpo. Eu não me ouviria. Confesso que sua visita me causou assombro.     - Não entendi.     - Por anos tenho tentado me acomodar na vida que levamos, e com relutância tu negas meus conselhos. Então como se nada tivesse acontecido, vem me pedir auxilio e abrigo. Me questiono  como vão as coisas lá fora – entrou deixando a porta aberta e foi em direção ao seu velho bule de chá – e se verdadeiramente é isso de que precisa - sua paciência e tranquilidade já estavam me incomodando, não era de seu costume – lembro-me de nosso último encontro. Você me deixou aos berros como um louco. Chegou abatido e saiu como um vitorioso com um olhar de que existia alguém em pior estado que tu. Por anos confabulei uma situação – puxou uma…