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Mostrando postagens de 2016

Seu deus é um imbecil...

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La estava ele, jogado no sofá olhando para o teto como sempre fazia quando chegava do trabalho. Sua rotina era sempre a mesma, para um homem solteiro na faixa dos seus trinta e morando sozinho, o aconchego do seu lar era tudo que ele queria o dia todo.  Sua vida era boa na medida do possível. Ficou ali alguns segundos, quieto, repensando tudo que ocorreu desde que o sol apontou no horizonte, nada demais. Lembrou de um detalhe fútil que vira mais cedo de uma criança pedindo esmola. Respirou fundo, esfregou as duas mãos no rosto preparando-se para levantar e pensou, “Deus podia ajudar essas pessoas”. Seu pensamento nem terminara de ser finalizado e ouviu a descarga do banheiro logo ao fim do corredor. Levantou num pulo assustado já pensando nas mil maneiras que um assassino poderia ter entrado na sua casa e ter sido abusado o suficiente ao ponto de antes de levar seus pertences, dar uma pausa para suas necessidades básicas. Fez um calculo rápido de quanto tempo demoraria para pegar a f…

Sapato Cafona...

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“Estação Arniqueiras. Senhores passageiros, cuidado ao descer”. Sempre que a porta do metro abre me sinto num filme americano. As pessoas lendo tranquilamente seus livros, um casal se beijando logo no fim do vagão e um homem meio amargurado olhando pela janela. Descer é uma despedida dolorosa pra quem gostaria que a vida fosse tão interessante quanto um longa metragem. Enquanto dou meu primeiro passo para fora um homem com um pouco mais de pressa me da um empurrão. “Desculpa”.  Tranquilo, sei que a vida exige alguns desesperos. Enquanto caminho me lembro de uma reportagem que dizia que a mente começa a envelhecer aos 27 anos. Seria verdade? Existe data correta para começarmos a nos fadigar com tudo e com todos? Complicado esses estudos. Sapato bonito a da moça na minha frente, não aparenta alto valor, mas sem duvida seu estilo é interessante. Deve ter a muito tempo, ou as vezes foi só um presente mal dado que ela nem deve ter gostado muito mas na correria da manha não encontrou out…

Carta de um fugitivo...

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- Sentencio-o a Felicidade eterna – e bateu o martelo. Assim foi minha condenação, anos de total e plena Felicidade. Apreendido e punido a sofrer pelas mãos da prisão chamada Liberdade. Fui levado ao pior lugar da qual um prisioneiro já ouviu falar, a Vida. Meus dias eram incansáveis, horas e horas de total plenitude em tudo que se fazia. Era obrigado a ter um ótimo emprego, uma latente conquista em todas as áreas. Tinha fartura de alimentos, festas maravilhosas e tudo que se pode pensar de bom. Às vezes trocavam e me levavam para uma vida simples – a Felicidade esta nas pequenas coisas – diziam. Vez em quando, as coisas já me abusavam, e torturavam-me para que pudesse procurar algo que despertasse novamente a tal Felicidade para que meus dias não fossem em vão. Esses sim eram as trevas do cárcere. Por dias já fiquei aprisionado solitário ate que encontrasse algo que me tornasse feliz novamente. Comprava algo melhor, trocava elogios, fazia novos amigos, outro emprego sempre cabia be…

Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

Bilhete...

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Se veres esses versos Sabes que não falo pra você Mas aproveito seu fuxico Pra confessar e aparecer
Nunca largue um Amor Pois esse difícil é de se encontrar Mas não se esqueça que Paixão Essa esta em todo lugar
E não confunda meu amigo Deixe de ser insaliente Uma Paixão é um abrigo Pra um Amor ficar contente
Julgue como quiser fazer Como disse não escrevi para você ler Pois de meu Amor eu cuido bem
E das Paixões que aparecer.

Importante...

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“Se você não existisse, quem sentiria sua falta?”. O velho espantado olhava intrigado para sua neta. “Você com certeza querida, ou não me ama mais?”, brincou. “Não vovô, fora eu, papai, mamãe, e todo mundo lá de casa, o senhor faria falta pra alguém?” As palavras eram suaves saindo da boca da criança, mas aos ouvidos pesavam naquele homem que já tanto tinha vivido. “Se eu não existisse, quem sentiria minha falta?” pensou, como dar falta de alguém que nunca esteve presente? A pergunta ficava cada vez mais indigesta. Sim é possível, sofreu. O tempo havia parado, o mundo parecia não girar mais. Aquela criança olhando para os pés, sentado ao seu lado encostando sua cabeça um pouco abaixo de seu peito havia feito uma pergunta simples porem de complexa resposta. Ele fez um resumo rápido de sua vida, e não conseguia imaginar alguém que daria falta de sua presença. Quem choraria por um sorriso que nunca viu, um conselho que nunca pediu, um abraço que jamais sentiu? Ou aquela ideia genial que…

Branco...

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“Cego?!”. Não acreditei no que via. “O senhor pode acompanhar este homem ate a rodoviária?” perguntou o guarda que me encontrou depois de dar uma curta volta à procura de samaritanos para a boa ação. Evidente que não hesitei em ajudar, afinal, eu o conhecia.


 Infelizmente esse não é um texto que vou me preocupar em ser exato ou poético. Franco ou intimista. Não perca seu valioso tempo lendo as linhas abaixo caso tenha plumas para amaciar. Nos passos que se seguiram ate o ponto final da nossa caminhada, conversamos e revelei o conhecer de nossa cidade. Falei que lembrava dele nas quadras das quais jogávamos e dos pontos conhecidos da cidade. Nunca em quase dez anos havia me direcionado a palavra a ele nas tardes de jogos. Estava lá, sempre presente, sabia seu nome e onde morava. Às vezes no mesmo time, e às vezes rivais. Mas colegas de quadra são colegas de quadra. Uma cegueira progressiva o acompanhava já fazia um pouco mais de um ano, “vejo tudo branco meu amigo”, me disse meio tris…