segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ao Relento...

O silencio... Ah o silencio. Este balbucia em meus ouvidos fuxicos das mentes delirantes de alguem insano. Nao tenho sono, este, ja distante, foge de mim todas as noites como a lua do sol. Na parede, os retratos parecem se mover, seguindo pausadamente como numa valsa, a historia das fotografias foscas de meu passado. O criado mudo ao meu lado sustenta uma vela quase nua de luz. Meus olhos ainda despertos, nao piscam nem choram de tanto orgulho. Resta-me ficar a companhia de minha propria pessoa. Pior dos pares. A cidade ainda da seus ultimos gritos de luxuria e vaidade. De um pulo, observo, meio turvo, algo projetar-se na parede. Sera que ja durmo?! O peito esquenta numa angustia distinta como de um afogado. A ponta dos dedos esfriam e meu respirar é abafado pelo frio. Vieste a morte me buscar? A sombra se propaga pelo teto, em cima de mim, me cobre com um breu de desespero. Meus olhos ja descontroladamente nao se fecham de tamanho espanto. Meu corpo, ja nao meu, nao responde meus comandos. E eu... Sem querer, agora durmo ao relento.