quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Seu José...

Seu José era cabra bom,
Pena que aconteceu aquele incidente.

Seu José tinha uma mulher,
Se chamava dona Maria.
Dona Maria morreu de velha
E seu José ficou só
Só com seu amigo de antiga.
Seu José tinha duas filhas.
Uma moça bela outra gente fina.
A moça bela num belo dia
Conheceu a ponta da faca de seu marido,
Na verdade vinte nove pontas de faca.
Seu José vendo o corpo da moça bela
Perguntou “quem?”.
“O marido dela seu José”.
“Obrigado”.

Três dias depois é encontrado o corpo,
O corpo peneirado do marido da filha de seu José.

Seu Jose era cabra bom.
Pena que seu amigo não.
O marido da filha bela de seu José era primo
Distante, quase sobrinho do antigo amigo
Que ficou quando dona Maria foi.
O antigo amigo de seu José, fez um filho
Na moça gente fina, partiu-lhe o coração
E sumiu no braquiarão.
Seu José perguntou;
“Quem minha filha?”
“Seu antigo amigo meu pai!”
“Obrigado. Vou sair”
Depois disso passou meses
E seu Jose nunca voltou.

Seu Jose era cabra bom.
Pena que o marido de sua filha
A vida dela tirou. Se não fosse isso
Seu José não mataria o enteado que
Conhecia o amigo que todo dia
Se juntava a ele e sua agonia.
E talvez assim nunca iria
Varar o mato seco atrás dum cabra safado
Que pra se fazer de vingado
Um filho na moça fina colocou.

Seu José era cabra bom.
Exemplo de vida e amor.
Criou sozinho a mulher as filhas
E a própria vida com temor.
A mulher partiu alegre, a Deus foi conhecer.
A filha bela deve ter chorado
E a seu Jose fez mui sofrer.

Reza a lenda que seu José
Ainda vive a viver.
Mata cabra bandido,
É só na frente aparecer.

Conheço uma bastarda
Que anda por ai.
“Vou atrás do meu avo,
Que encontro qualquer dia.
Tenho sangue de Jose,
Meu nome é Jose Maria.”

Seu Jose é cabra bom...
O seu sangue que é ruim.

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