quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Morava um Coelhinho no buraco do chao...


Morava um Coelhinho no buraco do chão. O coelhinho morava no buraco. O pequeno coelhinho não gostava de sair pois tinha medo dos tamanduás que riam e riam de seus dentes que não eram de tamanduás. O coelhinho não saia porque tinha medo dos leões que riam e riam de sua pele branquinha tão diferente da deles marronzinha. O coelhinho tinha medo de sair pois o vento que voava, assobiava sem ser visto e o coelhinho achava que o vento também dele caçoava. O coelhinho morava no buraco do chão. Depois de muito tempo no seu buraco, o coelhinho armou um plano; rolou na lama e assim como os leões ficou marronzinho, marronzinho. Aprendeu a assobiar e a mexer com o mundo sem ser visto, assim como o vento que chacoalhava, chacoalhava as folhas, arvores e tudo. De tudo ele deu um jeito, porem os tamanduás ainda riam dele, então pensou; “focinho de tamanduá eu quero ter”. Amarrou um galho grande em sua boca e de seus dentes os tamanduás não riam mais. Todos respeitavam o coelhinho pois ele tinha a pele de leões, o focinho de tamanduá e a força e ousadia do vento. O coelhinho era feliz. Tinha tudo que os outros queriam, mas o que queria o coelhinho? Os predadores não tentavam mais pegar o coelhinho por causa de sua pele marronzinha que não era de coelhinho, então o coelhinho viu que podia se proteger dos animais se continuasse com sua pele marronzinha. Sempre que o coelhinho achava que alguém iria tocar em sua pele, ele rosnava como o vento e balançava seu focinho de tamanduá para ninguém a pele marronzinha poder tirar. Todos gostavam do coelhinho do buraco. Ele era forte como um leão, poderoso como o vento e sabia lutar com seu focinho de tamanduá. Todos gostavam do coelhinho, porque de todos ele tinha um pouco. Mas quem era o coelhinho? Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais a sua toca, aquela que a protegia dos predadores. Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais seus dentes, aqueles que roíam os alimentos para não o deixá-lo morrer. Depois de muito tempo o coelhinho não queria mais a sua pele, aquela que sempre o protegeu do frio e que era veluda e aconchegante. Um belo dia o coelhinho que morava na toca, achou outros coelhinhos que moravam no tronco de uma arvore. Os coelhinhos que moravam no tronco de uma arvore eram peludos com uma pele branquinha, sabiam correr e assustar os predadores como todos os coelhinhos do tronco fazem. O coelhinho que morava no buraco do chão ficou maravilhado; “que pelo lindo esses coelhinhos tem, que agilidade magnífica esses coelhinhos tem, parecem ate o vento. Que dentes fortes e potentes esses coelhinhos tem. Como são lindos esses coelhinhos. Quantos talentos esses coelhinhos tem. Que pena, queria ser um coelhinho”. O coelhinho da toca ficou alguns dias com os coelhinhos do tronco e aprendeu varias coisas, porem, sempre que os coelhinhos do tronco tentavam ajudá-lo com seu focinho forte, e com seu pelo marronzinho de leão, o coelhinho se fechava e dizia; “vocês não sabem o que é ser coelhinho. Um coelhinho sofre com seus dentes, sofre com seu pelo frágil, sofre com sua falta de força”. O coelhinho do buraco foi embora. Durante sua vida, o coelhinho sempre se defendia com seu focinho de tamanduá, com sua pele de leão e sua força de vento. Em meio à caminhada para seu buraco no chão, achou um coelhinho branquinho, dentuço e fraquinho. O coelhinho ficou com medo mas o coelhinho do buraco disse que não precisava ter medo. O coelhinho do buraco ensinou o coelhinho a ser coelhinho. Ensinou para que funcionava sua pele branquinha e frágil, seus dentes grandes e poderosos e porque ele era tão pequeno e impotente. O coelhinho ficou mais forte e agradeceu ao coelhinho do buraco e perguntou; “quem é você, para sempre poder te agradecer?”. O coelhinho pensou, pensou, pensou, pensou e nada respondeu. Virou-se e voltou para seu buraco. “Que bicho sou eu?”. O coelhinho que morava no buraco ficou triste. Não sabia se era leão, vento, tamanduá, coelhinho ou sei lá. O coelhinho do buraco voltou para seu buraco.
Morava um bicho no buraco do chão. O bicho morava no buraco. Um dia tentaram amar o bicho que morava no buraco do chão, mas o bicho não deixou ser amado, pois só os coelhinhos podiam ser amados, e ele não sabia se era coelhinho. O bicho não sabia que bicho era e tinha medo de machucar os coelhinhos, leões, tamanduás e ate o vento. Não sabia ele que todos amavam o bicho que morava no buraco do chão.
Morava um bicho no buraco do chão. Havia um coelhinho no bicho que morava no buraco do chão.
Havia um coelhinho em algum lugar. No tronco da arvore, na caminhada da vida ou ate em um buraco no chão. Há um coelhinho.

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