terça-feira, 18 de julho de 2017

Eu saí com uma Ex

Resultado de imagem para desencontros

Depois de quase dez anos a encontrei em uma rede social. Conversamos um pouco e decidimos nos encontrar. Uma sorveteria foi o local escolhido, eu sugeri um almoço, mas “conversar mastigando é ruim demais” segundo ela.
Nosso relacionamento durou quase dois anos e deixo ao seu critério descobrir os motivos do término. O tempo que ficamos juntos foi ótimo. Morena dos lábios finos e uma voz suave, na época era uma princesa pedindo cuidados. Já havia visto todas as suas fotos na internet e ela ainda estava linda, o tempo até ajudou um pouco. No caminho para o encontro, me subiu um nervosismo infantil. A ideia de reencontrar alguém que já fez parte da sua vida faz pensamentos ridículos passarem pela nossa mente. Talvez fosse como nos filmes; anos sem se ver e no primeiro olhar o coração queima com uma paixão adormecida e uma nova história se inicia. Confesse, você também pensaria isso.
Cheguei primeiro e fiquei sentado mexendo no celular.
- Oi?!
Levantei a cabeça e disfarcei a surpresa. Estava maravilhosa. Um corpo magro muito bem desenhado, cabelos pretos longos, um perfume doce que eu me lembrava bem e um rosto pouco maquiado com um batom vermelho destacando as ondas de sua boca.
Pedi o sorvete e começamos a conversar. De inicio foi meio constrangedor mas as risadas foram dando espaço a liberdade. Falei sobre os rumos que minha vida tinha tomado até ali e perguntei como ela estava. Secretária, estudando pra concurso e formada em direito. Ainda morava na mesma cidade que nos conhecemos, com sua mãe e padrasto. Falamos do nosso tempo juntos como se fossem outras pessoas. Assuntos delicados eram acompanhados por uma mão no rosto e um “ai meu Deus, que vergonha” ou um “como eu era infantil” e uma risada ridícula no final. Foram quase duas horas de “você ainda continua ridiculamente hilário” e “esse mundo gira mesmo”.
Levei-a até o seu carro, abri a porta e dei um abraço de despedida. Ela entrou e se foi. Não houve beijo, nem olhar magnético. Pássaros não cantaram ou um toque de mãos sem querer ocorreu. Ao contrário do que pensei, não fiquei com borboletas na barriga nem com o peito ardente. Os dois já estavam cansados de relacionamentos rasos e não precisávamos mostrar mais nada um pro outro.
Não acredito que nos veremos novamente, mas o reencontro com o passado revela muito sobre o porquê somos quem somos. Éramos perfeitos um pro outro e graças a Deus a vida nos separou, para sermos perfeitos para nós mesmos.
Quando ela virou a esquina balbuciei;
- Terminar, tambem é um final feliz. Triste, mas feliz.


Nenhum comentário: