sábado, 18 de março de 2017

Uma conta cara...

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- Vocês são idiotas? - Todos na mesa pararam e olharam para ela. Os cinco amigos largaram as cervejas devagar e ficaram um pouco confusos a encarando – Faz meia hora que ouço essa conversa fiada de vocês sobre reciprocidade e desapego. Porra gente é isso que é amor pra vocês? Deixa eu dizer uma coisa; o amor nunca se baseou na reciprocidade, amar é querer o bem ao outro, não a si mesmo. É desejar que mesmo que não seja com você a pessoa esteja plenamente feliz. Se vocês querem alguém devolvendo todo afeto que dão é melhor criarem um cão que vai estar lá sempre disposto a te dar atenção. Amor também é abandono e se vocês não entenderam isso, nunca entenderão o amor. Entendam que uma mãe ama o filho independente do retorno afetivo dele, e digo esse exemplo pois é o exemplo mais puro de amor. Vocês querem se desapegar daqueles que não responderam suas expectativas e esquecem que quem escolheu amar foram vocês e o que se tem de retorno pode não ser na mesma intensidade, mas a culpa não é do outro, é somente sua. Amar é aguentar o desdém, o abandono, aceitar a partida, querer ao lado mesmo que o amante não queira. Amar é aceitar a dor que traz conforto. Amar meus amigos é o pior sentimento que se pode ter, pois ele gruda pior que chiclete no cabelo e te deixa diariamente conflitado. Não se escolhe amar como também não se escolhe morrer, apenas acontece. Posso dar mil exemplos dos amores que continuaram firmes mesmo quando o outro virou as costas, apenas para mostrar que amor de verdade aceita até o adeus e a perca de esperança. Se não estiverem dispostos a deixar o outro partir, não o ame. Se não estiverem dispostos a esperar, não ame. Se não estiverem dispostos a serem esquecidos jamais ame. Ate quem ama fere sem querer.  Mas se escolherem amar, não voltem atrás, aceitem o mal que ele tráz e se, talvez, digo apenas se talvez ele voltar, fiquem felizes por não ter largado um sentimento tão complexo e divino – o garçom chega com a conta e a entrega – Que caralho de conta alta! Não vou pagar o couver, não pedi  pra ninguém cantar. 

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