domingo, 5 de março de 2017

Estrela Perfumada...

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         Era fim de carnaval. O açaí manchava sua boca de um roxo escuro enquanto ela falava. Contava suas aventuras do final de semana e segredos de sua cidade pequena, ele imaginava pelo menos. Não a ouvia bem, o vento soprava contra ele trazendo aquele perfume que a tempos atrás ainda estava na sua camiseta que ela usava para dormir. Um tipo de droga viciante que lhe havia feito andar tantos quilômetros apenas para vê-la. Despercebida ele a observava  tranquilo, sem medo. Foram dias turbulentos, uma guerra jamais travada. Naquele momento havia paz, uma paz estranha e que a muito ele não sentia. Ela ria, conversava, falava e discutia com seus outros amigos. Ele só ouvia e esperava a próxima soprada do vento já que não podia mais cheirar seu pescoço como sempre fazia quando a abraçava por trás. O açaí tinha acabado, mas sua boca ainda salivava. O vento soprou novamente, cada brisa trazia consigo uma memória dos dois. O perfume entrava pelas suas narinas ate seu coração como gasolina em motor. Sangue pra tubarão.
        Saíram dali para uma volta, dois estranhos e um perfume que se materializava no carro. Já estava ficando tarde. O tempo sempre foi um carrasco, agora mais que nunca. Ela falava da vida com tamanha liberdade de espírito e ele não queria nada, apenas ouvir cada historia aproveitando aquele momento.  Sabia que não ia durar. Subitamente ele vê caindo uma dádiva dos céus, uma estrela cadente. Ele a interrompe apontando desesperado e pedindo para que ela fizesse um pedido rápido. Na inocência de uma criança ela põe a mão no rosto, fecha os olhos e começa a pensar no que pedir para aquele corpo celeste. Ele, olhando aquela cena admirava cada curva de seu rosto, ficou em silencio dando tempo para não atrapalhar aquela estrela sentada ao seu lado. Ela confabulava algo em sua mente e ele já havia feito seu pedido em silencio repetidas vezes para que os céus não se fizessem de surdos.

        Na porta de casa, um ultimo abraço. Uma respirada forte para poder puxar o máximo do seu perfume e um adeus. Ela se foi, talvez agora pra sempre. A porta do carro se fecha, ela some nas sombras e ele ao olhar pro céu, reza para estrela que mais cedo caiu; Ouça novamente meu lamento, dei-me ela!


Um comentário:

John Rayner Rayner disse...

sobre pandas e desilusoes...