domingo, 19 de fevereiro de 2017

Abandono...

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- “Vai tomar no olho do seu cu filho da puta.”
- Porque ela disse disso isso? – perguntou meu ouvinte de bar desconhecido.
- Isso foi o que ouvi, o que ela disse mesmo foi muito mais cruel. Tivemos um caso um pouco conturbado.
- Mas o que ela disse de verdade então?
- Algo pior que adjetivos ofensivos – um gole na cerveja que acho que já era a sétima ou oitava – ela falou sobre por que estava me abandonando.
- Foi tão ruim assim?
- Meu caro, algumas coisas são perfeitas. Um dia desses parei em uma via para observar dois prédios lado a lado. Perfeitamente paralelos. Havia uma pequena brecha entre eles. Se alguém conseguisse continuar a construir e a subir, eles ficariam eternamente em linha reta. Assim também são alguns dos melhores amores. São perfeitos, se encaixam lado a lado como um algo sobrenatural. Se alinham, e despertam fascínio. Porem, alguns estão destinados a nunca se encontrarem. Irão perecer eternamente lado a lado. Vendo a vida do outro passar e seus acontecimentos ir. Irão se arrepender de tantas coisas que poderiam ter feito para ser diferente, mas no final, tudo não será o bastante – faço sinal querendo mais um copo – Todos os dias passo ao lado desse prédio desgraçado. Fico pensando quais dos dois sou eu.
- Mas não tem como voltar pra ela?
- Me desculpe o riso malicioso – não pude segurar – mas se houvesse quaisquer chance eu não estaria aqui. Quando o afeto e vontade se acabam, algumas pessoas simplesmente te apagam da vida. Você existe, mas não passa disso. É mais um numero, historia, talvez um conto curto.
- Mas isso passa, daqui uns dias já esta em outra.
- Vejo que ainda é muito novo, de corpo e mente. Em outra vou estar com certeza. Talvez dormir com algumas mulheres, beijar outras bocas, abraçar outros abraços. Mas o dela, nunca vou encontrar novamente. Irei cair no mesmo ciclo de tristeza e desamores de sempre. Aquele ciclo que você passa a vida toda correndo atrás de alguém e nunca acha. No meu caso por que achei e se foi. Não tenho mais essa esperança, a consciência disso é o motivo de estar aqui hoje falando com você, desculpa, mas qual seu nome mesmo?
- Marcio Martins.
- Então amigo, saber disso tudo que me faz estar nesta condição pútrida que me observa hoje.
- Uma pena.
- Enfim, como tudo na vida, alguma hora se finda. Já aceitei a dor de passar os resto dos meus dias padecendo com minha condição. Muito obrigado por me ouvir amigo – Chamo o garçon – Doutor, traga mais uma para mim e para meu colega aqui.
- Que colega? – questiona o barman
Olho para o lado e vejo uma cadeira vazia.
- Acho que o álcool tomou conta de mim – dou uma risada – ele deve ter ido no banheiro e nem vi.

- Senhor – insiste o garcon – o senhor esta bebendo no bar sozinho faz uma hora.

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