quarta-feira, 10 de julho de 2019

Meia dor



Todas as canções falam de ti
As cruéis, as poéticas
E as de aninhar no coração.

Todas as dores sentem você
As que doem na mente
E as que acalentam o coração.

Todas as poesias são odes a seu corpo
As puritanas e sensíveis
As de fogo e de tesão.

Todo universo reclama teu nome
O caos organizativo
E a ordem das leis absurdas.

Tudo em mim repudia a ti
Meu pulsar de tedio
Meu pulsar de ódio.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Intervalo


Amor é tudo aquilo que a gente não pode evitar
Amor é chutar quina
Trupicar na rua
É espirro
É pé gelado.

Amor é tudo aquilo que a gente não pode evitar
É estrela cadente sem tempo de avisar
É respirar fundo
Pigarrear sem graça
É alface no sorrir.

Amor é tudo aquilo que a gente não pode evitar
É dor de dente que dói e vai
Arranhar de joelho
É calo pequeno na cabeça.

Amor é tudo aquilo que a gente não pode evitar
É pingo de chuva
É furo no bolso
Preguiça de segunda
É cantar de pássaro de manhã.

Amor é tudo aquilo que a gente não pode evitar
É sandália quebrada
É lagrima no olho
Sorriso sem graça
É errar o caminho.

Amor é tudo
Aquilo que
A gente não pode
Evitar.
É deitar mansinho
Feito um ninho
Isso é amar.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Não era você


Ontem transei com você
Eram outros lábios
Outros olhos
Outro corpo

Não era você

Acariciei seus cabelos
Apertei sua cintura
Beijei sua boca
Senti teu toque

Não era você

Cheirei seu pescoço
Inundei com meus dedos seus cabelos
Apalpei suas partes
Senti suas pernas

Não era você.

Suei no teu corpo
Marquei tua pele
Findei o meu sonho.
E no fim
Eu transei com você.

Mas não era eu.
Não era você.

Medo



Não temo seu corpo com outro
Nem seus beijos lascivos
Temo seu coração aberto
E seu olhar apaixonado.

Não temo seu sexo casual
Nem seus dedos em face
Temo seu sorriso manhoso
E sua fala tranquila

Não temo suas noites com outrem
Nem suas mentiras de amor
Temo sua sinceridade
E seu toque puro

Não temo sua paixão ardente
Nem suas juras noturnas
Temo sua alma com outro
E seu abraço sincero.

Não temo a morte, a vida
A dor e todos os males que o universo da.

Temo tu pra sempre longe
Temo tu pra sempre fim.

Poeta


Entendo os poetas agora.
Aqueles sofridos e exaustos.
Amantes com o peito quente.
Do borbulhar espumante nas vísceras.
Todos me fazem sentido,
E de todos tenho completa e plena
Compaixão.
Sofredores ocultos de dores intraduzíveis
Se esgueirando entre um coração e outro
Na esperança de findar sua dor.
Suas musas cruéis
Suas histórias apocalípticas
E seus desfechos absurdos.
Entendo os poetas agora.

Tomara que me odeie


Tomara que me odeie.
Que me odeie pra sempre.
Com todas as suas forças,
Com todas suas camadas.
Menos que isso não seria você.

Tomara que me odeie.
Que me odeie com toda sua ânsia,
Com seu rancor,
Com sua ira.
Que sua intensidade me afogue

Tomara que me odeie,
Que me odeie com seu olhar,
Com seu encanto,
Com seu desleixo.
Que eu sinta seu furor

Tomara que me odeie.
Que nunca olhe pra mim
Com seu olhar dengoso,
Com seu lábio fofo.
Que eu morra de saudade

Tomara que me odeie.
Que nunca me perdoe.
Que se um dia,
Sua ira não me sucumbir
E seu abandono não me dilacerar,

Tomara que me ame
Como sempre me odiou.

Ponto de vista

“...não, o que eu falei foi que eu aprendi a observar o tempo e o espaço - dizia entre mastigadas de um jantar noturno, enquanto eu fazia o ...