quarta-feira, 6 de abril de 2016

Branco...


“Cego?!”. Não acreditei no que via. “O senhor pode acompanhar este homem ate a rodoviária?” perguntou o guarda que me encontrou depois de dar uma curta volta à procura de samaritanos para a boa ação. Evidente que não hesitei em ajudar, afinal, eu o conhecia.



 Infelizmente esse não é um texto que vou me preocupar em ser exato ou poético. Franco ou intimista. Não perca seu valioso tempo lendo as linhas abaixo caso tenha plumas para amaciar.
Nos passos que se seguiram ate o ponto final da nossa caminhada, conversamos e revelei o conhecer de nossa cidade. Falei que lembrava dele nas quadras das quais jogávamos e dos pontos conhecidos da cidade. Nunca em quase dez anos havia me direcionado a palavra a ele nas tardes de jogos. Estava lá, sempre presente, sabia seu nome e onde morava. Às vezes no mesmo time, e às vezes rivais. Mas colegas de quadra são colegas de quadra.
Uma cegueira progressiva o acompanhava já fazia um pouco mais de um ano, “vejo tudo branco meu amigo”, me disse meio triste algumas vezes. Não foram lasers nem cirurgias que conseguiram trazer de volta as imagens de mais de trinta anos de vida. Já havia se acostumado ate, percebi pelo gingado da bengala de ferro tateando o escuro à frente. Falou-me da vida, como estava a rotina e as novas tarefas que custavam ser executadas.
“Entregue, seu baú já ta encostando”. Ele me agradeceu, me abraçou e agradeceu novamente. Despedi-me olhando um pouco para trás, ainda percebendo os agradecimentos perdidos em um olhar de “tudo branco”.
No meu caminho de volta, não sabia mais quem era o cego. Quem via um futuro branco pela frente. Quem à de se levar culpa pelo roubo das cores que a luz nos entrega? Onde se deposita a certeza que no fim vai ficar tudo bem? Em qual esquina os homens assumem sua taxa de arrogância? Se um dia lhe faltar a sã consciência, o que será verdade?
Gostaria de falar sobre Felicidade, dor, vida, vontade. Falar sobre como o mundo é injusto ou como não valorizamos os dias que nos passa. Reclamar da falta de consideração pela natureza e todo o presente que ela nos da. Reclamar do mesquinho ou do hipócrita, do rico e do pobre. Do nobre ou do plebeu. Dizer um pouco sobre a falta de amor ou ate de dinheiro. Sobre política e religião. Sobre as divergências de opiniões não respeitadas ou sobre a fé cega em ideais. Gostaria de falar sobre o valor dos filhos e dos pais, dos amigos e ate dos animais. Mas, Saramago estava certo. Estamos todos cegos. Ou como Drummond já escreveu que cada um tem seu pedaço de verdade. Cada um tem sua bengala da qual fica a tatear o escuro na certeza de que será avisado por qualquer perigo futuro.
Mais de trinta anos de luz e tudo se foi em apenas trezentos e sessenta e cinco dias.

No fim da minha caminhada, sobrou apenas uma pergunta; Quando será minha vez?

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Rotina...

Fim de tarde. Pra ela tudo era cansaço e fadiga. O sol já havia ido embora, aquele frescor de quase noite lhe fez perguntar porque ainda estava lá. “Não estudei, da nisso”.
O silencio da sala trazia certa paz e apreensão, “afinal estou só”, qualquer coisa hoje em dia era motivo de desespero. Os jornais noticiavam coisas horríveis de mulheres que em momentos de pouca atenção não terminaram onde gostariam. O olhar no relógio do pulso e  a pilha de trabalho ainda na mesa, a fez soltar um suspiro desanimador de trabalho mal feito. Colocou as mãos na nuca tentando relaxar, sem nenhum sucesso, ergueu seu rosto para o teto com um olhar triste e pesaroso, “como as novidades são difíceis de serem ouvidas hoje em dia”. Seu pensamento logo foi interrompido por uma batida na porta. Suas ideias de assassinato agora a pouco, pareciam mais reais. “Quem é”, perguntou meio desconfiada sem saber quem responderia do outro lado.
O medo logo dissipou dando espaço a outro sentimento não identificado no instante. Quem abria a porta sem cerimônias era nada mais nada menos que um velho amigo de anos. Ela sem timidez logo demonstrou seu entusiasmo com a visita tão bem vinda e ele como de costume, sem muito tato fez as velhas brincadeiras já entendida por eles.
Após os abraços e perguntas, “tudo bem, como vai, e o trabalho, etc”, as explicações da aparição e tudo mais eram discutidas com humor já a quase meia hora. Sem perceber se pegou olhando para boca dele, “já provei, excelente produto”, pensou com um sorriso malicioso interno tentando negar os outros pensamentos que vieram mais rápido do que pudesse evitar. Quando percebeu que o assunto já havia acabado e ele lhe olhava sem julgamentos sabendo que varias vezes já a viu com o corpo presente porem a mente distante, levantou rápido para tentar não mostrar sua leviana imaginação, “quer uma água?”, perguntou sendo logo interrompida com um “não obrigado, eu pego” que fizeram os dois se trombarem na ponta da mesa. Com medo de que a pudesse ter machucado, a segurou pelos braços com cuidado como um paramédico socorrendo sua vitima e o toque de seus dedos lhe arrepiaram a nuca. Ele parecia ter sentido o mesmo.
Se pudessem dividir em meses aqueles milésimos de segundos em que olhou para ele, um país teria sido invadido e devastado pela guerra. Percebeu que a sensação não era só dela. Com um olhar tendencioso, ele levemente percorreu seu decote como um lobo para com seu coelho e não conseguiu mais se prender.
“Delicia”, pensou rápido enquanto ele lhe dava um caloroso e pecaminoso beijo. Os raciocínios já não faziam mais sentido. Ele a empurrava pela parede, descendo com beijos suaves e violentos, apalpando-a, tateando minuciosamente seu corpo como em procura de um tesouro. “Não posso”, repetia em meios a gemidos ofegantes sem nenhum sucesso de ser ouvida e sem saber se realmente queria que a ouvisse. Uma presa sem possibilidade de sobreviver. A alça de sua blusa preta de cetim já estava caída. Já se sentia completamente molhada entre suas pernas. Ele abria seu sutiã enquanto a beijava delicadamente, vagarosamente. Uma pequena mordiscada. E os beijos continuavam. “Não..”, sua frase novamente interrompida enquanto ele se deliciava discorrendo seus lábios em seus seios como um sorvete, enquanto derrete, que se lambe todos o lados para aproveitar todo o sabor. A selvageria daquela delicadeza fez com que ela precisasse de mais oxigênio. Suas pernas já não existiam mais. Como se soubesse, ele empurrou as coisas de sua mesa e a deitou. Se por sorte dele ou azar dela, sua saia vermelha predileta fazia parte de seu vestuário hoje. Suas mãos bagunçavam os cabelos dele, num ritmo descompassado sem muita direção. Deitada ali, seus olhos abriam e fechavam, sentia seu seio sendo apertado pela mão dele enquanto a outra descia em direção a sua virilha em passos lentos. La em baixo ela já sentia ele tocar suas partes úmidas, dançando uma valsa molhada, fogosa e ardente.
“Para, não faz isso”. Ela sabia onde aquilo ia parar.
Ele lentamente levantou a cabeça, a olhou com um sorriso malicioso e desceu para sua fonte de desejo. Acabava ali, ela sabia o que estava por vir. Sentiu um pequeno arrepio percorrer sua espinha, “o que eu to fazendo, não pos...”.
O beijo de mel. Ela espremia um gemido saboroso, levantando suavemente sua lombar enquanto sentia seus beijos maliciosos entre as pernas. Ele a devorava. Já havia feito isso com outros homens, mas nunca sentido com tanta profundidade tal sensação. Era como se seu corpo estivesse dormente, um frio na barriga interminável, o coração acelerado, um calafrio maligno subia e descia sua espinha cada vez que sentia sua língua dançar. “Deve ter alguém ouvindo”, pensava, tentando abafar o máximo de seus lamentos, e evidentemente, sem sucesso. Era como estar no ninho de Afrodite provando todos os prazeres e paixões do olimpo. A pulsação mais firme fazia com que ela se movesse em um ritmo mais acelerado. Ele sabia como se ouvisse seus pensamentos que a dança estava terminando e seguia ela no mesmo compasso.  Não havia mais mundo, pensamento, matéria. Seus olhos fechados a levavam em um tubo brilhoso e sem fim. O ar ao redor não era mais suficiente, tudo estava se expandindo se resumindo em gemidos e prazer. Sua cintura valsava em um ritmo final. Um desespero tomou conta de todo seu ser. Ela apertava seus próprios seios violados tentando ainda se prender a algo real. Impossível. Um turbilhão de puro prazer explodiu. Algo parecido com um gemido longo saiu de seus labios, seu corpo se reteu por alguns segundos e... a dormência arrepiou cada pedaço do seu corpo.

Ainda deitada, passou suas mãos na testa tirando devagar o cabelo do rosto, com um sorriso tímido e ainda de olhos fechados disse para seu amante; você bagunçou minha mesa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dia comum...

hoje nao é meu dia! 

definifivamente dia 16/01 não é meu dia.. 
só nao sei como fazer ou nao fazer pra q ele nao piore ainda mais.. 
apenas o fato de respirar faz alguma bosta acontecer.. 
aah dia q nao passa.. tenho até medo de ir embora pra casa 
sei lá.. tudo pode acontecer de ruim quando não é seu dia.. 
Na verdade, por não ser seu dia, tudo acontece contra voce.. 

Poxa! isso é tão triste.. parece q nunca vai acabar.. 
mas vai.. sempre acaba 
Ate pq outros dias ruins virão e tem que dar espaço para os novos.. 
Só queria entender pq eles se acumulam e marcam de estourar sempre em um mesmo dia 
Isso é um complô.. quem poderá me defender? 
só me resta esperar.. ele não tem muita força.. 
uma hora vai ter q partir.. deixando apenas alguns pequenos estragos 

é..., hoje não é meu dia.. 
mas tenho q dizer q já tive piores.. bem piores 
e melhores..rs bem melhores.. 
O tempo é louco.. acho q a culpa é dele.. 
Traz dias bons, e os leva embora.. 
Traz dias ruins, bem ruins, e tb os leva..aff 
talvez eu entenda o tempo... sera? 


Ele quer nos tirar da rotina.. monotona, da mesmice q tira a graça de tudo.. 
prefiro pensar assim.. ate pq ele tem razao.. 
Se não fosse os dias ruins, seria impossivel reconhecer os bons.. 
e talvez fosse bem pior... ou não claro 
mas tenho certeza q seria bem sem cor, sem alegria, sem adrenalina..sem risadas de desespero..rs 
ta.. ta bom eu aceito que hj meu dia seja ruim.. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

TENTATIVAS

Não vai dar tempo. Vejo aquele automóvel a alguns metros de distancia se aproximando na via. Na beira da calçada aguardo sua passagem. Não quantifiquei o raciocínio. Não estudei a distancia vezes a velocidade. Apenas senti que não daria certo correr o asfalto. Como é difícil acreditar. Ter fé no buraco das próprias mãos é uma tarefa árdua e frustrante. As vezes o Jesus pode ser São Longuinho. Aquela mulher na outra ponta da mesa do bar não pode estar olhando para mim. Não sou tão atraente, nem tão alto. Magro de mais e nada másculo. Só tenho quatorze de pau. Não dou conta. Deve ser outro. E mesmo se fosse não dou conta da potranca. Meus amigos me disseram num dia em nossa roda, que minha ideia era boa. Bobos que são. Não é lá grande coisa. Um dia desses vi na TV o rapaz que ouvira minhas explanações naquela data falando de uma coisa bem interessante, uma boa ideia. Parece familiar. Só pode estar me traindo. Afinal não sou tão completo como ela deseja. Não estou tão bonito. Rejeitei aquela vaga, não conseguiria dar o que precisavam. Não posso passar na prova. Sei do que sou capaz, mas isso não dá. Ninguém pode ser plenamente amado. Não se pode confiar nos amigos. Como é triste acreditar. Em Deus. Na fechadura da porta. No céu azul. No universo. Como é duro a atividade de ter que crer em infinitas possibilidades.  Não posso ser rico. Não posso ser forte. Não posso ser ateu. Cristão. Funkeiro. Poeta. Amante. Sanguinário. Não posso ter olhos de soda. Quer saber. Da tempo sim. A freada brusca. A pancada violenta. Eu. No chão. Não acredito! Será que existe céu?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pior Amor do Mundo... - Charles Sophie

  Eu, bela e formosa como sou, encontrei um mago que prometia com suas magias trazer-me todo amor que preciso. Perguntei ao pequeno homem com bigode fino e ralos cabelos na cabeça quem seria o melhor Amor pra mim. "Pra ti minha pequena dama, tenho O Pior Amor do Mundo". Ora, não de se espantar relutei contra sua resposta tao absurda. Quem no universo gostaria do pior amor do mundo?
  "Dificilmente lhe dará flores - disse ele -, mas quando o fizer sera tao puro quanto as flores a ti entregues. Ira esquecer algumas datas nada perdoáveis, porem quando o lembrar seu coração saltara em festa e gozo de saber que já se foram vários invernos ao seu lado sempre o protegendo do velho mundo frio. Não será tao forte quanto tantos outros nem tao másculo e viril mas muito mais protetor do que mil fortes homens do rei para que nada vos aconteça. Quase não vera seu novo corte de cabelo muito menos seu novo perfume e mesmo assim te fara um cafuné todas as noites dizendo como é maravilhoso ter seu cheiro sempre por perto. Raramente ira ter cafe na cama mas nunca te faltara alimento. E como um bastardo mouco, algumas vezes ira passear em pensamentos e não ira te ouvir, mas tenha paciência, pois n'outras horas tu seras unica nas suas ideias. Cabe a ti minha donzela, quereres ou nao tal Amor."
  Mas o pedi todo amor que preciso!
  "E é este que, horas boas horas ruins, tu sempre ira procurar".

domingo, 29 de abril de 2012

Cair da tarde...

Todos os dias caminho pelas mesmas ruas
Caminho pelas mesmas pessoas
Ando pelas mesmas ideias

Todos os dias vejo os mesmos predios
Comprimento as mesmas mentes
Saudando aa mesmas palavras.

Todos os dias um tostão négo a um garoto na rua
Renego e ignoro o mesmo pedido
E volto a mesma passada

Porque me pedes alma carente
Se todos dias te nego pratas?
Nao aprendes ou é surdo?!

"Todos os dias nao te peço ouro
Nem roupa comida ou ajuda.
Te peço que refassa tua vida
Que mais que eu, é pra la de moribunda"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Róuvos...

De volta ao mundo dos Róuvos não sinto nada de incomum, somente o céu, agora avermelhado. O rio cristalino corre, não com águas mas com pequenos cacos de vidros pontiagudos e bem moídos. Sinto uma ventania forte, meus olhos mal se abrem, meus cabelos se esvoaçam sem direção. Nao consigo me mover para lugar algum pois a ventania me segura com ignorância. De estreito olhar vejo tudo parado. As folhas das arvores não balançam, as nuvens não andam. Nada parece sentir a tempestade. Grito loucamente em meio ao campo para buscar respostas. "Donde vem maldito vento!". Um breve silencio e a resposta: "O mundo não ventas, tu que esta tempestuoso. Bebas do rio da Verdade, engasgue-se com suas águas e engula rasgado tudo que não queres ouvir!".
A ruiva ainda permanece, no monte, ao horizonte. E eu, em meio aos Róuvos.

Ponto de vista

“...não, o que eu falei foi que eu aprendi a observar o tempo e o espaço - dizia entre mastigadas de um jantar noturno, enquanto eu fazia o ...